Por que tomar vacinas?

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Entenda como as vacinas funcionam e por que este é um ato de amor ao próximo

Por Vitor Last Pintarelli

Vacinas estão tão incorporadas ao cotidiano que, em épocas normais, não recebem muita atenção. Contudo, nestes tempos de pandemia, 2020 foi marcado pela esperança do desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus, e 2021 começou sob a expectativa de que essas vacinas cheguem a todos, o quanto antes.

Um pouco de história

O termo vacina deriva da palavra vaca, pois as vacinas modernas tiveram como marco histórico os estudos de Edward Jenner, cientista inglês do século XVIII. Jenner observou que as ordenhadoras de vacas, embora lidassem com animais com a forma bovina da varíola, raramente contraíam a varíola humana. Assim, ele deduziu que a exposição delas à doença do gado conferisse proteção em relação à doença humana. Jenner inoculou pus das feridas de vacas com varíola em seres humanos e, posteriormente, expôs essas pessoas ao contato com doentes de varíola, e constatou que elas não contraíam a doença. Essa descoberta se espalhou pela Europa, e a própria família real britânica recorreu a Jenner para proteger-se da varíola.

No século XIX, Louis Pasteur desenvolveu vacinas contra a raiva e o antraz, e, no século XX, foram criadas vacinas contra doenças como difteria, sarampo, caxumba, rubéola e poliomielite, que foram usadas amplamente, proporcionando uma redução jamais vista na prevalência dessas doenças, algumas das quais foram erradicadas em muitos países. No caso da varíola, a erradicação foi total, não havendo nenhum caso no mundo há mais de 40 anos.

Como as vacinas funcionam

Vacinas são substâncias biológicas para prevenir doenças infectocontagiosas, pois estimulam o sistema imune a produzir anticorpos (moléculas de defesa específicas contra determinado agente infeccioso, vírus ou bactéria), preparando o corpo humano para enfrentar o microrganismo agressor, caso se entre em contato com ele. Com relação à composição, há vacinas feitas de partículas do agente infeccioso, de suas toxinas, ou contendo o próprio agente morto ou vivo, em versão atenuada. 

O desenvolvimento de vacinas segue protocolos científicos rigorosos, com estudos em etapas: começando em laboratórios, passando por estudos em animais, antes dos testes em pequenos grupos de voluntários, depois em grupos humanos maiores e mais heterogêneos. São avaliadas a segurança e a eficácia da vacina, seus efeitos colaterais, a durabilidade do efeito imunizante, a necessidade de doses de reforço e outras características. Após a aprovação da vacina para uso populacional, os estudos continuam, por meio da vigilância epidemiológica dos casos da doença e do monitoramento de eventos adversos em quem foi vacinado.

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É necessário prevenir-se

A vacinação é a intervenção médica com as melhores relações de custo e risco/benefício. Por isso, a maior parte do calendário de imunizações se concentra na infância, a fim de proteger o ser humano desde os primeiros dias de vida de doenças potencialmente graves. Contudo, existem vacinas para todos os grupos etários, e também algumas previstas em situações específicas, como para moradores e viajantes de regiões endêmicas de certas doenças (como febre amarela), e também vacinas que devem ser renovadas periodicamente, como a da gripe (anualmente) e a antitetânica (a cada 10 anos). 

Questionamentos sobre segurança e efeitos colaterais das vacinas sempre existiram, e é salutar que ocorram, desde que com seriedade ética e científica. Contudo, não é esse o caso dos movimentos antivacina, quando divulgam boatos e informações falsas, e resultam, invariavelmente, no aumento de casos e mortes por doenças preveníveis.

Portanto, atualize sua carteira de vacinação, se houver alguma pendência. Converse com seu médico para saber se deve tomar alguma vacina que não está no calendário do Ministério da Saúde. Tome a vacina contra a COVID-19, quando estiver disponível, mas não deixe de realizar as medidas preventivas ao contágio, que, depois de um ano de pandemia, já devem estar incorporadas ao seu dia a dia. E uma sugestão: aconselhe familiares e amigos a também se vacinarem. É um ato de amor ao próximo.


Vitor Last Pintarelli é médico geriatra e professor da disciplina de Geriatria da Universidade Federal do Paraná. Autor de artigos científicos e capítulos de livros. É casado e pai de três filhos.

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