Cuidado onde você pisa

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Por Carmen Maria Pulga

Andar descalço ou de sandálias, usar calçados abertos que deixem os pés à mostra, livres, expostos, é permitido, mas cuidado onde você pisa

Praias, piscinas, caminhadas ao ar livre nos deixam à vontade e, com isso, podemos descuidar da atenção especial que nossos pés merecem quando expostos às agressões externas de ambientes públicos ou contaminados.

Pés limpos, macios, hidratados não são apenas uma preocupação de estética, mas de saúde, pois os pés são uma porta aberta para doenças. Por isso, cuide bem deles e olhe onde pisa! Como diz o ditado, os olhos são o espelho da alma, e os pés, um reflexo de nosso corpo.

A função dos pés em nosso corpo

Nossos pés têm uma estrutura complexa e fantástica. Arcos maleáveis e dedos com a função de garra dão ao pé a capacidade de se adaptar às irregularidades do solo. Como grande parte de nossas atividades cotidianas depende da locomoção e do equilíbrio do corpo, é importante dispensarmos atenção especial a esses nossos companheiros inseparáveis.

O pé é o único componente do corpo humano que estabelece contato direto com o solo. Ele é o responsável pela sustentação, equilíbrio, locomoção, absorção e manutenção de impactos de nosso organismo. Ao apoiarmos o peso corporal sobre os pés, a força da gravidade ativa um estímulo muscular que faz com que mantenhamos o equilíbrio sobre essa pequena base; uma plataforma rica de sensores que enviam informações para o cérebro a respeito da posição do corpo e descarga de peso.

Profissionais da saúde ressaltam que o pé é uma fonte constante de estímulos sensitivos, que se originam do contato com o meio exterior e, através do sistema nervoso, geram a principal informação necessária para que se mantenha o equilíbrio durante a marcha e a realização de atividades humanas diárias.

O bem-estar na sola do pé

No verão, os pés tendem a ficar inchados, mais ressecados, e as bordas dos dedões, como também os calcanhares, podem descamar, principalmente para quem fica descalço. O calor estimula a dilatação dos vasos sanguíneos, fazendo com que os pés fiquem mais inchados e sensíveis.

Uma dica para evitar e tratar o problema é colocar os pés para cima, sobre uma almofada ou travesseiro. Isso estimula a circulação e evita o inchaço.Para ressecamento e rachaduras, é importante a hidratação – tanto a que acontece de dentro para fora, tomando muito líquido, como a hidratação dos pés após o banho ou ao se deitar.

Exercícios e massagens para descontrair e relaxar são altamente recomendáveis; eles melhoram a sensibilidade, o equilíbrio e a força desses nossos companheiros de toda hora.

Outra ótima dica para cuidar dos pés é encher uma bacia com água morna, até a altura do tornozelo, e adicionar saquinhos de chá de camomila para fazer um escalda-pés relaxante e confortável. Deixe de molho por alguns minutos e, em seguida, aplique bastante creme hidratante, massageando os dedos e a planta dos pés. Cremes à base de ureia são os mais apropriados.

Outro fator importante é a escolha do sapato. Não há um sapato ideal para cada tipo de pé, mas, quanto mais macio e flexível, melhor. Ocasiões especiais, muitas vezes, pedem um par de sapatos que combine, mas, se cansar os pés, use-o por pouco tempo e, logo que possível, troque por um par mais confortável.

A sapatilha é uma das opções para muitas mulheres, e vários modelos são aprovados. É um calçado que possibilita ao pé tanto a flexibilidade quanto o uso de todas as estruturas que tem para absorver impacto e proporcionar melhor conforto. Entretanto, nem todas as sapatilhas são boas.

Segundo a coordenadora do Laboratório de Biomecânica e Postura Humana da Universidade de São Paulo (USP) Isabel Sacco, é importante observar o solado e a forma da sapatilha. Se eu tenho uma forma muito estreita para acomodar um pé mais largo, não será adequada. Uma das dicas dos especialistas é libertar os pés, pois as obrigações sociais nos fazem mantê-los muito tempo em sapatos rígidos.

Pixabay.com

Pés, uma porta aberta para doenças

Bases flexíveis conectadas ao chão e ao todo de nosso organismo, os pés podem indicar e sinalizar doenças. Micoses, fungos, frieiras, calos, joanetes devem ser tratados com cuidado e o quanto antes, para que não haja necessidade de intervenção cirúrgica. Por isso, recomendamos cuidado ao compartilhar piscinas, esteiras, toalhas, roupas de cama, banheiros e chuveiros comuns, além de manter em alta a imunidade do corpo para fugir dessas situações incômodas.

A micose dos pés, infecção causada por fungos, é a principal causa de contaminação, especialmente na estação do calor. Atenção aos sintomas para prevenir ou tratar em tempo essa doença que pode trazer complicações para a saúde.

Descamação da pele, rachaduras nos dedos dos pés (conhecidas como frieiras ou pé de atleta), pequenas bolhas de água, lesões avermelhadas, especialmente nas bordas, são alguns dos sintomas de contaminação por fungos. As micoses proliferam em ambientes úmidos e quentes, bem como banheiros, piscinas, saunas, praias.

O fungo precisa de calor e umidade para sobreviver. Por isso é importante usar sempre chinelos quando for a esses lugares e secar bem os pés entre os dedos após o banho. A higiene correta de todo o corpo é imprescindível para evitar o aumento dos fungos.

Escondidos dentro de lindos sapatos, mas sem os devidos cuidados, os pés podem ser uma porta aberta para hóspedes indesejados. Qualquer mudança nessa plataforma complexa que nos apoia, equilibra e nos possibilita caminhar, correr, saltar e dançar deve ser motivo de atenção. Os pés são o maior contato com o chão, portanto, todo o cuidado é pouco.

Carmen Maria Pulga é filósofa, teóloga, mestra em Novas Tecnologias da Comunicação e autora do livro A pétala, da Paulinas Editora. Gosta de arte, desde a culinária até a sucata, e ama ler os autores mais ecléticos.

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