Trabalho informal e os cuidados de saúde e bem-estar

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Biossegurança e ergonomia: apesar de não serem muito conhecidas da maioria da população, estas áreas impactam a vida de todos nós no que diz respeito à boa disposição física e mental

Por Andrea Adelio

Biossegurança
Maria do Carmo de Souza é artesã e trabalha há três anos com bordados personalizados, em casa. Atenta aos cuidados com o corpo, ela evita ficar por mais de uma hora sentada produzindo suas peças. “Várias vezes por dia eu me levanto, ando pela casa e aproveito para fazer alguma outra atividade, só para me exercitar um pouco.” Foto: Arquivo Pessoal

Roupas e equipamentos especiais, limpeza e higienização de ambientes, descarte adequado de materiais, ginástica laboral, prevenção de acidentes, entre outros, são algumas palavras e termos bastante conhecidos junto às empresas e indústrias. Esse conjunto de medidas e ações visa oferecer desde melhores condições de trabalho, conforto e integridade física de colaboradores, até o monitoramento da intervenção no meio ambiente e a entrega de produtos e serviços de qualidade. 

A biossegurança e a ergonomia são as áreas da segurança do trabalho que cuidam dessas questões, porém, seu alcance envolve, diretamente, os trabalhadores com vínculo empregatício. Mas, considerando que 37 milhões de pessoas ocupam postos de trabalho informais no Brasil (IBGE), uma parte significativa da população é impactada pelas condições em que esse trabalho é realizado, sejam prestadores de serviços ou consumidores finais, e, por esse motivo, essas pessoas merecem igual atenção.

Cuidados corporais 

“O trabalhador informal é o principal responsável pela sua saúde e segurança. Muitas vezes, ele trabalha até 17 horas por dia, por isso, a principal recomendação é de que, na medida do possível, estabeleça seus próprios limites e cuide do ambiente e dos equipamentos de trabalho. Utilizar mobílias adequadas para evitar qualquer acidente ou lesão no corpo é imprescindível, quando se fica muito tempo em uma mesma posição, por exemplo”, alerta o fisioterapeuta do trabalho, Alison Alfred Klein, que trabalha há 21 anos com ergonomia. Ele destaca também a importância de buscar auxílio profissional: “Para quem tem condições, o ideal é contar com uma consultoria para melhor orientação”.

Trabalho informal
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O fisioterapeuta Marcelo Pinhatti tem sido bastante procurado, desde o início da pandemia, devido ao aumento do número de pessoas que passaram a trabalhar em home office. A maioria dessas pessoas apresenta lesões e desconfortos cervicais por uso inadequado de mesas e cadeiras ou da altura de monitores. De acordo com ele, os clientes relatam uma redução significativa da dor e desconforto, apenas com pequenos ajustes e orientações quanto a exercícios e alongamentos.

Higiene e saúde 

Trabalho informal
Cibele de Lima Dutra produz cerca de 200 marmitas por mês: cuidados de higiene redobrados na cozinha e alongamentos regulares para aliviar dores e inchaços nas pernas por ficar muito tempo em pé. Foto: Arquivo Pessoal

Os efeitos da pandemia não apenas impulsionaram o aumento da informalidade, mas também exigiram adaptações para quem já vinha há algum tempo exercendo seu ofício fora do ambiente empresarial. A culinarista Cibele Dutra trabalha há 5 anos em casa com marmitas saudáveis. Ela diz que, embora sempre tenha tomado os cuidados recomendados pelos órgãos sanitários, em tempos de pandemia precisou redobrar a atenção e limpeza, considerando também a sua responsabilidade sobre a saúde dos seus clientes. “Desde a higienização do que vem do supermercado às embalagens que utilizo para as marmitas, tudo passou a fazer parte da rotina de uma forma diferente agora”, relata. 

Em uma rápida busca na internet, é possível encontrar diversos cursos na área de biossegurança, inclusive gratuitos, além de orientações no site da Anvisa, que permitem maior conhecimento acerca do tema. “Por isso, o trabalhador informal não está isento de receber multa por crime de infração de medida sanitária”, lembra Fabíola Tomaz de Souza, instrutora de saúde do Senac-PR. Ela revela que cresceu muito a busca de auxílio para saber a forma correta de utilizar e descartar luvas e máscaras, entre outros cuidados. Contudo, na sua opinião, o que mais a pandemia veio mostrar, neste sentido, é que a higiene é um instrumento de cuidado coletivo, pois “o descarte inadequado de qualquer material pode gerar uma contaminação por micro-organismos, trazendo prejuízos ao meio ambiente e provocando doenças a toda a população”.

Protocolos de segurança

Vendedores de porta em porta, camelôs, catadores de material reciclável e motoristas de aplicativo são considerados trabalhadores informais. Mas o leque é bem maior e inclui ainda a área da beleza, além de gastronomia e saúde. “Há muito tempo já existem protocolos para estabelecer normas de biossegurança, porém, neste período em que todos estão mais atentos às condições de higiene e saúde, o consumidor também despertou para busca de informações”, assegura a consultora de negócios do Sebrae-PR, Maria Fernanda Miotto Reis. Segundo ela, destaca-se quem atende às exigências e, desta forma, é possível até utilizar isso como um fator de competitividade.

Biossegurança
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Recomendações básicas do fisioterapeuta  Marcelo Pinhatti, especialista em ergonomia:

• observar a maneira como permanece sentado e a cada hora trabalhada levantar por, pelo menos, cinco minutos;
• alongar os músculos de braços e antebraços;
• alongar os músculos da região cervical;
• fazer uma pequena pausa para praticar exercícios respiratórios;
• realizar uma breve caminhada e olhar um pouco para o horizonte (em especial quem passa longos períodos olhando para tela de celulares e computadores).

Andrea Adelio é jornalista, especialista em Comunicação Assertiva, Imagem Pessoal e Desenvolvimento Humano. Adora escrever histórias que eternizam momentos da vida de pessoas, empresas e negócios. @andrea_adelio

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