Cristo Rei do Universo

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Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

Evangelho: Mt 25,31-46

Por Mery Elizabeth

Queridos irmãos e irmãs! Que Deus, nosso Pai de amor, e seu Filho, Jesus Cristo, nosso Redentor, estejam com vocês por meio do Espírito Santo, a fim de que a Palavra do Evangelho seja sustento e os fortaleça na vivência cristã como família.

Com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, encerramos o ano litúrgico. Neste domingo, o Evangelho nos ajuda a compreender que o Reinado de Jesus Cristo é, certamente, muito diferente daqueles que conhecemos ou que podemos imaginar.

Nos últimos domingos, percorremos com o evangelista Mateus todo o capítulo 25 do Evangelho, no qual nos foram apresentadas duas parábolas para falar sobre o Reino dos Céus. Na solenidade de hoje, de maneira muito clara, se revela de que modo o Reino de Deus se concretiza.

Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, neste Evangelho, recebe o título de Filho do Homem, que não aparece dessa forma por acaso. Essa forma de reconhecer a pessoa de Jesus é exatamente para ressaltar a sua natureza humana, a qual não esvazia a sua natureza divina, mas reafirma que Deus-Filho se fez homem pela ação de Deus-Espírito Santo para nos reconciliar com Deus-Pai, revelando assim nossa identidade de filhos e, portanto, herdeiros e responsáveis deste Reino no qual somos todos irmãos.

Será o Filho do Homem que virá, em sua glória, para reunir diante de si todas as nações e fará seu julgamento final. Àqueles que acolheram os pobres e excluídos da sociedade será dada a vida eterna; aos que não foram sensíveis aos necessitados será dado o castigo eterno.

De maneira surpreendente, Jesus, neste Evangelho, se identifica com aqueles que tiveram fome e sede, com os nus, com os doentes, com os que foram presos e com os estrangeiros, com os menos favorecidos da sociedade, mostrando-se um Rei que rejeita as regalias nobres e as hierarquias.

O Rei do Universo se faz nosso irmão no necessitado

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É em nosso ambiente familiar que aprendemos a ser irmãos e sensíveis à necessidade do outro, quando, por meio de gestos simples, os pais ensinam os filhos a partilharem o que têm, seja um brinquedo, um doce ou uma roupa, seja um espaço comum…

Serão essas experiências primárias e tão necessárias na vida de toda criança que irão constituí-la um adolescente e um adulto capazes de altruísmo, capazes de reconhecer no outro, inclusive naqueles que estão fora do seu ambiente familiar, um irmão que merece ser respeitado, acolhido e assistido em suas necessidades básicas.

Por vezes, os ritmos de vida sobrecarregados de compromissos, ou até mesmo já marcados pela indiferença, condicionam as pessoas a uma forma de convivência familiar e social automática, levando-as a fazer-se presentes apenas ao que é estritamente necessário.

De certa forma, pouco a pouco se perde a capacidade crítica, a sensibilidade ao sofrimento e à necessidade do outro; as pessoas e as relações se tornam descartáveis, como um objeto, uma roupa, porque “não me serve mais”.

Um reino de irmão

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O Evangelho de hoje nos fala claramente que o Filho do Homem virá para realizar o julgamento final. Para além de uma ameaça, pode-se compreender que este texto trata-se de uma proposta para uma conversão de vida. Conversão que nos convida a viver o amor em família, que “ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço” (Fratelli Tutti, 1). Porque é esse amor que faz a vida ter sentido, mesmo em meio a inumeráveis desafios, pois a vivência concreta do amor entre irmãos revela que Deus não abandona nenhum de seus filhos.

Numa sociedade de tantos avanços tecnológicos, globalizada, superconectada, tornam-se cada vez mais urgentes processos de humanização que favoreçam a capacidade crítica da realidade concreta e a sensibilidade para o cultivo de relações interpessoais, pois “fazem falta gestos físicos, expressões do rosto, silêncios, linguagens corpóreas e até o perfume, o tremor das mãos, o rubor, a transpiração, porque tudo isso faz parte da comunicação humana” (Fratelli Tutti, 43).

Com o desejo de vivermos em plenitude a alegria do amor fraterno, peçamos a Jesus a graça de reconhecê-lo em nossos irmãos.

Mery Elizabeth é irmã paulina, bacharela em Teologia e atualmente prossegue os seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma. Tem espírito aventureiro, gosta de fazer caminhadas, conhecer lugares diferentes e aprender coisas novas, seja no âmbito intelectual ou religioso, seja no social.

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