Andréia Salvador: uma missão identificada no próprio nome

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Recém-formada na faculdade, a jovem Andréia deixa tudo para partir em missão na África

Por Karina de Carvalho

“Falar às pessoas que Jesus é o Salvador”, assim Andréia define sua missão, para a qual se sente chamada e que constitui o primeiro objetivo da sua vida hoje. O sobrenome Salvador é um dos títulos dados a Jesus, a quem ela ama e oferece sua juventude. Seu nome, Andréia, por sua vez, significa “poderosa, corajosa e de extrema feminilidade”, características facilmente identificadas em seu caráter e personalidade. Recém-formada em Serviço Social, aos 24 anos, Andréia está de malas prontas para embarcar para a Guiné-Bissau, na África, e viver como missionária.

Enquanto muitos jovens, no seu lugar, estariam planejando um futuro profissional e a realização pessoal, Andréia decidiu adiar seus projetos pessoais por um tempo, para assumir o que acredita ser o sonho de Deus para ela.

Uma jovem missionária

Andréia Salvador em Missa de envio / Foto Nivaldo Santos

Andréia nasceu em 8 de maio de 1996, na cidade de Paranavaí, no noroeste do Paraná. É a segunda e última filha de Laíde e Rinaldo Salvador. Cresceu numa chácara, onde vive até hoje com os pais e o irmão Rafael, seis anos mais velho. Um ambiente familiar saudável e simples, no qual foi educada na fé e herdou valores como a honestidade, o respeito e a simplicidade.

A paróquia Nossa Senhora de Fátima, no distrito Sumaré, onde foi batizada e recebeu os demais sacramentos da Iniciação à Vida Cristã, sempre foi o seu segundo lar. Ali ela se tornou catequista, acólita e membro do Grupo de Oração Jesus Redentor, da Renovação Carismática Católica (RCC), um movimento que, aos poucos, foi despertando em seu coração o ardor missionário.

Com esse grupo de oração, Andréia saía pelas ruas da cidade de Paranavaí batendo de porta em porta para falar às pessoas de Jesus, o Salvador. Também, por três anos seguidos, participou do projeto “Jesus no litoral”, no qual jovens de todo o estado vão para o litoral paranaense e passam dez dias em missão, no mês de janeiro. Eles dividem-se em grupos e visitam as casas dos moradores, falam de Jesus para os turistas que estão na praia, nas ruas e até parados nos semáforos. Além disso, fazem serenata na praia, cantando músicas religiosas, e organizam um grupo de oração ao ar livre, aberto a qualquer pessoa que deseje participar.

Ela pensava que o litoral paranaense fosse o lugar mais distante em que iria anunciar Jesus. Porém, na segunda vez em que participou da missão no litoral, sentiu em seu íntimo, num momento de oração, que Deus tinha um projeto para ela. “Eu senti que Deus me queria lá fora, que pedia para que eu avançasse para águas mais profundas. Aquilo ficou guardado no meu coração, não disse para ninguém, mas eu sabia que Deus iria me mostrar no seu tempo”, contou Andréia.

África: águas profundas a avançar

Dom Mário Spaki entrega cruz missionária para Andréia – Missa de envio em Paranavaí / Foto Nivaldo Santos

Em 2018, quando o bispo recém-chegado à diocese de Paranavaí, Dom Mário Spaki, participou de um encontro da RCC, falou sobre a Missão São Paulo VI, que a Igreja do Paraná mantém no país da Guiné-Bissau. Andréia ficou interessada e foi procurá-lo, perguntando com estas palavras: “Como funciona esse negócio de ir para a África?”. O bispo percebeu seu interesse e disse que conversaria melhor com ela depois.

O que Andréia não esperava é que ele a chamaria durante a homilia: “Cadê a jovem que veio me perguntar sobre a África?”. A primeira conversa com o bispo foi em público, e Dom Mário já percebeu que, pelo engajamento de Andréia na paróquia e na diocese, ela seria uma forte candidata à missão. A partir daí, o bispo passou a acompanhá-la e encaminhou-a para participar das formações do Conselho Missionário Regional (COMIRE).

Andréia, que preserva uma vida de oração diária, meditação da Palavra de Deus, rosário, grupo de oração e missa dominical, logo percebeu que a África era o mar mais profundo para onde Deus indicava que ela avançasse. Chegou a pensar em trancar a faculdade para responder logo a esse chamado, mas Dom Mário aconselhou-a a esperar, concluir a faculdade e deixar o chamado amadurecer.

Uma espera que durou mais de dois anos e foi acolhida e alimentada pela fé. Perseverar na espera nem sempre foi fácil e exigiu também renúncias. Andréia conta que até recusou um pedido de namoro, pois o sonho de se casar e constituir uma família está em segundo plano neste momento de sua vida. “Eu sonho em constituir uma família que seja missionária, mas, entre namorar agora ou ir para a África, eu escolho a missão”, disse Andréia.  

Andréia Salvador e Dom Mário Spaki / Foto Nivaldo Santos

Assumir uma missão ad gentes é responder a um chamado de Deus, legitimado pela Igreja, que, por meio de seus ministros, envia para a missão. Desta forma, Andréia recebeu a bênção de envio do seu bispo diocesano, Dom Mário Spaki, em uma missa que ele presidiu em sua paróquia no dia 20 de setembro, e também a bênção de todo o episcopado paranaense, no dia 27 de setembro, numa missa na Catedral Sagrado Coração de Jesus, em Londrina, onde os bispos iniciavam sua assembleia anual.

Com a viagem marcada para o início de outubro, com a coragem que é uma das características do seu nome e, também, com todas as ansiedades que uma jovem carrega ao sair de casa pela primeira vez, Andréia se sente pronta e convicta de sua missão. Seu maior medo, que está disposta a enfrentar, é a viagem de avião. No mais, seu olhar expressa o sorriso escondido por trás da máscara de quem está feliz e decidida a doar um pouco da sua juventude a Jesus, o Salvador, o nome que está gravado em sua identidade. 

Karina de Carvalho é jornalista, curitibana e trabalha no âmbito da comunicação na Igreja Católica. Na comunicação se aventura por vários caminhos: escrever, diagramar, fotografar, filmar e editar. Escrever, porém, é uma das artes preferidas.

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