Tu és o meu Filho muito amado

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Batismo do Senhor

Evangelho: Mc 1,7-11

Por Mery Elizabeth

Queridos irmãos e irmãs, que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso irmão, pela ação do Espírito Santo, nosso defensor, estejam com você e toda a sua família.

Estamos celebrando a festa do Batismo do Senhor. Desse modo, tendo vivenciado o Tempo do Advento, as solenidades do Natal e a festa da manifestação do Senhor, conclui-se o primeiro tempo do ano litúrgico.

Em cada leitura da liturgia deste domingo, podemos encontrar palavras ricas de significado que revelam a imagem de Deus, que é misericórdia, que é salvação, que se deixa encontrar por aqueles que o procuram, na pessoa de seu Filho Amado, Jesus Cristo.

Os primeiros versículos do Evangelho segundo Marcos nos apresentam João Batista, que, como profeta, anuncia a chegada do Messias, o qual realizará um Batismo não mais com água, mas com o Espírito Santo. Naqueles dias, relata o Evangelho, Jesus, vindo de Nazaré da Galileia, foi batizado por João. E, enquanto Jesus saía das águas, o céu se abriu, o Espírito veio sobre Ele, em forma de uma pomba, e se ouviu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado: nele está o meu agrado”.

É importante destacar que as pessoas que iam ao encontro de João Batista e a ele pediam o batismo manifestavam, com esse gesto, o desejo de conversão de vida; consequentemente, o fato se serem mergulhadas nas águas do Jordão significava o perdão, a purificação dos pecados. Então, por que Jesus foi batizado, se ele não tinha pecados? Jesus, sem ter nenhum pecado, quis, também dessa forma, participar de nossa condição humana, como escreve Santo Agostinho: “Para proclamar com a sua humildade o que para nós é uma necessidade”.

Jürgen Schmidtlein – Pixabay

Batismo como porta de entrada

Jesus, sendo, de fato, o modelo perfeito e o caminho seguro para vivermos nossa humanidade, nos convida a seguir os seus passos na obediência ao Pai, com humildade e confiança, que são frutos daqueles que vivem e se reconhecem como filhos de Deus.

É isto que o sacramento do batismo realiza na vida de cada pessoa: a graça de reconhecer-se filho de Deus, de tornar-se membro do corpo místico de Cristo, que é a Igreja, e participar de sua missão. Por isso, o batismo é também reconhecido como porta de entrada para a vida cristã: primeiramente, pela graça, e, depois, por livre e consciente adesão, possibilita a todo batizado viver a comunhão com o Pai, no Filho, por meio do Espírito Santo.

O batismo que recebemos não tem o mesmo significado daquele que era realizado por João Batista, porque, como dissemos anteriormente, João realizava um batismo de conversão, não se tratava propriamente de um sacramento, mas de um sinal exterior. No entanto, o batismo que a Igreja concede aos seus fiéis significa um morrer para uma vida sem Cristo e, então, renascer para uma vida nova, no Ressuscitado.

Em geral, a Igreja propõe o batismo de crianças, e, nesses casos, a criança é batizada na e pela fé de seus pais, padrinhos e da comunidade, que a acolhe como novo membro.

Testemunho familiar

Por inúmeros motivos, enfrentamos um grande desafio não só como Igreja, mas também como família, no processo de transmissão da fé. De maneira mais abrangente, esse processo de transmissão da fé significa um desafio em uma vivência mais credível da fé cristã.

Particularmente, a Igreja do Brasil reconhece que há um grande número de adultos batizados, porém não suficientemente evangelizados. Dessa realidade, surge o apelo para redescobrirmos o sentido do sacramento do batismo em nossa caminhada de fé, principalmente no contexto familiar.

Ao ser batizada, a pessoa é revestida de Cristo, para sempre, e torna-se discípula e missionária para testemunhar, com a sua própria vida, a vida do Cristo no mundo, sendo, então, capaz de viver as realidades desta vida com um olhar novo, iluminado pela presença do Ressuscitado.

Que o Evangelho deste domingo seja uma oportunidade para retornarmos às fontes de nossa fé cristã, redescobrindo nossa identidade como filhos de Deus, membros vivos do corpo de Cristo, pela graça do Espírito Santo.

Mery Elizabeth é irmã paulina, bacharela em Teologia e atualmente prossegue os seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma. Tem espírito aventureiro, gosta de fazer caminhadas, conhecer lugares diferentes e aprender coisas novas, seja no âmbito intelectual ou religioso, seja no social.

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