Títulos religiosos: quais são e o que significam?

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Entenda quais são os títulos ligados à hierarquia da Igreja, os que são dados aos clérigos e à vida religiosa

Títulos religiosos
Pe Julio Cesar Souza Cavalcante. Foto: Rivaldo Júnior

Por Cacilda Medeiros

Você sabe a diferença entre diácono, padre e bispo? E entre frade, irmão e monge? Nas congregações femininas, você já ficou em dúvida se chama a religiosa de freira ou de madre? “Geralmente, mesmo as pessoas engajadas na Igreja enfrentam dificuldades em compreender os títulos que são dados pelas funções que os clérigos e leigos desempenham na missão eclesial. Por exemplo, uma pergunta que sempre se faz é se o Monsenhor está acima do Padre na hierarquia. A verdade é que, apesar das particularidades de cada termo, nem todos pertencem à hierarquia da Igreja, são títulos honoríficos”, explica o mestre em Direito Canônico, Padre Júlio César Souza Cavalcante, da Arquidiocese de Natal (RN).

Hierarquia da Igreja

Conforme o cânon 207 do Código de Direito Canônico, na estrutura hierárquica da Igreja existem duas categorias de fiéis: clérigos, que são os ministros sagrados, e leigos. “Nestas duas categorias, ainda segundo o mesmo cânon, estão inseridos os religiosos e as religiosas, consagrados a Deus pela profissão dos conselhos evangélicos: pobreza, obediência e castidade”, destaca Padre Júlio César.

Entre os clérigos, existe a seguinte hierarquia:

Bispo
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Bispos – Conforme o cânon 375, § 1, são sucessores dos apóstolos e pastores na Igreja para serem na Igreja particular (Diocese), que lhes foi confiada, “mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros do governo”, conduzindo o rebanho através da celebração dos Sacramentos e do ensinamento da Palavra. Para auxiliar o bispo diocesano na condução pastoral do Povo de Deus, podem ser instituídos o bispo coadjutor, que tem direito à sucessão, e o bispo auxiliar.

Ao bispo de uma Arquidiocese (sede da província eclesiástica formada por várias dioceses) é dado o título de Arcebispo Metropolitano. Não exercem poder de governo sobre as dioceses sufragâneas (as outras dioceses da Província), mas ajudam a Santa Sé na supervisão do bom andamento pastoral e administrativo na Província (agrupamentos das dioceses).

Padre – É o clérigo que recebeu o Sacramento da Ordem em seu segundo grau. “Investido pelo próprio Cristo, através da Igreja, pode consagrar, in persona Christi, o pão e o vinho na Santa Missa. Sendo responsável por uma paróquia, recebe o título de pároco e aí exerce o seu ministério através dos Sacramentos e da Palavra”, explica o canonista.

Diácono – Recebe o primeiro grau do Sacramento da Ordem, não para o sacerdócio, mas para o serviço da caridade e da proclamação da Palavra de Deus e da liturgia. Pode ser provisório, os que se destinam ao presbiterato, ou permanente, que podem ser homens solteiros, casados ou viúvos.

Aquele que é ordenado solteiro e aquele que depois da ordenação venha a tornar-se viúvo fica impedido de contrair núpcias e deve viver como celibatário. Sob a orientação do sacerdote de onde for designado a desenvolver sua missão, o diácono pode presidir celebrações religiosas (não a Missa), realizar batismos, abençoar casamentos, dar a bênção com o Santíssimo Sacramento, além de fazer homilias e pregações. Não pode atender a confissões nem administrar a unção dos enfermos.

Títulos dados aos clérigos

Papa – é o bispo de Roma e, como tal, o Pastor Universal da Igreja. “Eleito pelo Colégio dos Cardeais, tem a liberdade de aceitar a missão e de conduzi-la sem coação nem pressão enquanto se sentir capaz ou até que seja chamado à glória eterna. É também o chefe de Estado da Cidade do Vaticano. É a cabeça do Colégio dos Bispos, que sucede o Colégio dos Apóstolos. A sua primazia e infalibilidade foram definidas pelo Concílio Vaticano I. Exerce o poder supremo, pleno e imediato por si ou pelos dicastérios da Cúria Romana”, descreve Padre Júlio César.

Cardeal – Chamados ao serviço de auxílio ao Papa em diversas competências, os Cardeais dividem-se em três ordens: cardeais-bispos, cardeais-presbíteros e cardeais-diáconos, não em função do grau do sacramento recebido (todos são sacramentalmente Bispos), mas da função que desempenham.

A escolha dos Cardeais é de competência exclusiva do Papa e apresentada oficialmente no Consistório (reunião de todos os Cardeais com o Papa), convocado para este fim. Somente os com menos de oitenta anos podem participar do Conclave (reunião dos Cardeais para a escolha do Papa, quando a Sé romana se encontra vacante).

Cônego – Conforme o cânon 503 do Código de Direito Canônico, a Igreja Catedral ou colegial pode ter um cabido responsável por realizar as funções litúrgicas mais solenes e/ou outras funções confiadas pelo direito e/ou pelo Bispo diocesano. Os sacerdotes membros desse cabido recebem o título de Cônego.

Monsenhor – Título eclesiástico de honra conferido aos sacerdotes exclusivamente pelo Papa, seguindo indicação do Bispo diocesano. Não tem autoridade sobre os outros sacerdotes, pois não se trata de um grau do Sacramento da Ordem. De acordo com o canonista Padre Júlio César, os padres eleitos bispos recebem, automaticamente, o título de Monsenhor e o usam até a Sagração Episcopal.

Títulos especiais para a Vida Religiosa

Abade – Tem origem no século IV, na região da Síria, e significa “pai”. É o que governa um mosteiro. O feminino é abadessa.

Frei
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Frade (Frei) – Pode ser clérigo ou leigo. Pertence a uma ordem religiosa e vive em um convento. O feminino é freira.

Monge – Pode ser clérigo ou leigo. Reside enclausurado em um mosteiro, buscando unir o trabalho à oração segundo a regra monástica. O feminino é monja.

Cacilda Medeiros é graduada em Letras e em Jornalismo, com especialização em Jornalismo Empresarial e Assessoria de Imprensa. Atualmente, coordena o Setor de Comunicação da Arquidiocese de Natal (RN). É apaixonada pela natureza e por histórias de vida e de comunidades transformadas. Instagram: cacilda_medeiros.

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