Talento e religiosidade: conheça o trabalho
do Ateliê15

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Grupo de jovens, no anonimato, chama a atenção pela arte contemporânea

Por Luciana Rocha

Uma ciranda jovem, cheia de esperança e que acredita na construção de uma civilização do amor. Essa é a definição que o próprio Ateliê15 dá sobre si mesmo. Natural da cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, o grupo, por meio da sua arte, chama a atenção no Brasil e no exterior, em países como Portugal, Espanha, Chile e Itália.

Tudo começou em 2012. No início das comemorações dos 40 anos da Pastoral da Juventude, o grupo, de forma espontânea, confeccionou 40 imagens com os referenciais de caminhada do movimento. O trabalho foi postado apenas no Facebook pessoal de cada integrante, mas a repercussão foi maior do que se podia imaginar. Nos quatro cantos do Brasil, as imagens circularam. “Somado a isso, fizemos algumas imagens durante a Jornada Mundial de Juventude no Brasil e recebemos vários feedbacks positivos que nos impulsionaram e nos encheram de esperança”, afirma a jornalista especialista em marketing Laiana Meira, coordenadora do Ateliê15.

Vida longa ao Ateliê15 é o que deseja a relações públicas Camila de Paula. Ela conheceu o trabalho do grupo na Pastoral da Juventude, e o que mais lhe chama a atenção é a criatividade presente em cada obra. “É muito difícil escolher uma arte mais marcante. Mas as representações de Maria são especiais”, ressalta. Para Camila, o trabalho do ateliê é imprescindível, atual e inspirador: “Sempre visito as páginas e vejo artes que abordam temas da atualidade, que são retratados de forma leve e, ao mesmo tempo, impactante”, frisa.

Nome do Ateliê

Um ponto que chama a atenção é o nome do ateliê. Por qual motivo colocar o nome da empresa de 15? “O número 15, coincidentemente, sempre esteve presente em bons momentos de nossas vidas, seja em datas, horários, endereços. Então, quando o Ateliê surgiu, por brincadeira, começamos a chamá-lo de Ateliê15. Mais tarde, a ‘brincadeira’ ficou séria e para a gente não fazia sentido mudar o nome. Afinal, o 15 estava mais uma vez fazendo parte de algo importante em nossas vidas”, explica Laiana. E assim surgiu o nome.

Arte religiosa

Foto Ateliê15

Antes de iniciar a arte religiosa, o ateliê fazia diversos desenhos, principalmente temáticos, voltados para o homem sertanejo e para os negros. Depois de um tempo, o grupo se interessou pela arte religiosa e passou a usar os desenhos para expressar fé, sentimentos e impressões sobre a Igreja Católica.

O pedagogo, arte-educador e articulador social, de Projetos e de Pastoral, Josemar Tavares Machado, já tinha ouvido falar do Ateliê15 e foi conhecê-lo há um ano. Ninguém o havia indicado, tendo aparecido como sugestão no Facebook. “A diversidade dos materiais e artes apresentadas me chamam a atenção. Os desenhos das pinturas sociais são bem marcantes”, diz Josemar. Para ele, o trabalho do ateliê é um espaço de grande relevância para dar voz e vez às mais diversas expressões artísticas.

A jornalista Carla Cristina Andrade conheceu o trabalho do Ateliê15 por meio de redes sociais e perfis religiosos. Ela viu uma arte, pesquisou e encontrou as redes sociais do grupo. “As ilustrações são lindas. O que mais gosto nas artes são as cores e as imagens, sempre que possível, contextualizadas simbolicamente com a realidade em que estamos inseridos”, pontua. A arte da samaritana e os “crucificados” dos dias atuais chamam a atenção da jornalista, que considera o trabalho muito além do artístico. “É evangelizador e questionador ao mesmo tempo”, comenta.

Estratégia de marketing

O Ateliê15 está presente em duas redes sociais: Facebook e Instagram. No Instagram, alguns poucos posts são publicados. Segundo Laiana Meira, recentemente, por uma questão de estética da página e de estratégia, o grupo optou por deixar as publicações disponíveis por um tempo limitado.

Para o trabalho ser realizado, a metodologia consiste em três etapas: estudo do briefing, rascunho e finalização da arte. A técnica utilizada é mista: manual e digital. O Ateliê não possui nenhum tipo de patrocínio e as artes são comercializadas em arquivo digital, e isso sustenta o grupo. O planejamento é feito semestralmente e os temas são definidos de acordo com o briefing; pode ser uma arte comercial ou um tema escolhido entre o próprio grupo, de acordo com datas e acontecimentos da atualidade.

Um diferencial é que o Ateliê15 tem suporte de bispos, padres, religiosos e leigos. “Somos uma grande ciranda, com muitas mãos e carinho envolvidos! Temos apoio espiritual, muita gente faz oração para a gente. Além disso, há a própria caminhada dos integrantes do grupo: são mais de vinte anos na Igreja, e essa é a nossa base. Quem dá os traços e as cores para o ateliê é essa caminhada, a experiência própria”, explica a coordenadora.

Outra estratégia do ateliê é o anonimato. “Pelo marketing, optamos pelo anonimato das pessoas envolvidas no Ateliê15, e isso já configura uma marca do nosso grupo perante nosso público, pois somos uma equipe”, finaliza Laiana.

Luciana Rocha é jornalista, especialista em Jornalismo e Práticas Contemporâneas e mestra em Comunicação Social e Tecnologia. É mãe da Beatriz, acredita no bem e sonha com um mundo mais humano e justo. Deus sempre em primeiro lugar!

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