Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

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34º Domingo do Tempo Comum – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

Evangelho – Jo 18,33b-37

Por Zuleica Silvano, fsp

Hoje celebramos a solenidade de Cristo Rei do Universo, encerrando o ano litúrgico. Nesta celebração apresentemos ao Senhor Jesus, servo e servidor, nossa vocação batismal, nosso ser discípulos missionários, nossa família, as pessoas que convivem conosco, e recordemos aquilo que foi possível viver neste ano litúrgico, no qual refletimos sobre o Evangelho segundo Marcos.

Cruz: a manifestação da realeza de Cristo

Pilatos
Pixabay.com/Falco

O trecho de Jo 18,33b-37, situado no centro da narrativa da paixão e morte de Jesus (cf. Jo 18–19), sublinha a realeza de Cristo, seu poder universal sobre todas as coisas, e revela a entrega total de Jesus à vontade do Pai.

 O Evangelho da liturgia de hoje tem na cena principal Pilatos, que se retira no pretório e se dirige a Jesus para perguntar se ele é rei. O texto transparece que Jesus não tem dúvida de sua dignidade régia, nem Pilatos, porém, para este, é entendida como uma realeza religiosa. Diante da pergunta de Jesus e a resposta de Pilatos, percebe-se que ser “rei dos judeus” é o motivo principal apresentado pelos sumos sacerdotes e pelo povo para acusar Jesus, sendo para Pilatos um argumento fraco para considerá-lo criminoso.

Um elemento relevante é que Jesus é rei para dar testemunho da verdade (cf. v. 37). A “verdade” pode ser entendida como um desvelar do que estava oculto e, nesse sentido, seria a revelação da realeza do Pai. Esse termo também pode assumir o sentido de “fidelidade”, conforme a cultura hebraica. Assim, a paixão-morte de Jesus desvela a fidelidade de Deus às promessas, que é justamente a de instaurar o seu Reino, manifestando a ação salvífica de Deus na história. Desse modo, Jesus testemunha a verdade por se posicionar a favor dela, e essa verdade só poderá ser compreendida por aqueles que são filhos de Deus (cf. Jo 8,47). A verdade não é uma doutrina ou um conhecimento a ser adquirido, mas consiste em escutar e transmitir a Palavra de Deus, alimentar uma experiência profunda de encontro com Cristo e segui-lo.

É importante salientar que, no Evangelho segundo João, Jesus reina não somente na ressurreição, mas em todo processo de julgamento, na paixão e na morte, pois são ocasiões nas quais Jesus manifesta o amor, a glória de Deus e a realeza divina.

A tríplice missão do(a) batizado(a)

Os textos bíblicos desta celebração da festa de Cristo Rei nos reportam à tríplice missão, recebida no batismo, de sermos sacerdotes e sacerdotisas, reis e rainhas, profetas e profetisas. Como sacerdotes e sacerdotisas, somos convidados a viver em comunhão com Deus e com o outro.

 A nossa missão, como rei e rainha, é a de estar a serviço do Reino de Deus, pois Jesus Cristo é Rei porque instaurou o Reinado do Pai, como uma realidade dinâmica, que vai crescendo progressivamente até atingir o seu objetivo final: a total soberania de Deus.

Como profetas e profetisas, somos chamados a anunciar o Evangelho, a consolar as pessoas, alimentando suas esperanças, e a resistir diante daqueles que se opõem ao Reino. Reino que se expressa na vitória sobre todo mal. Portanto, o Reino não é algo somente para o futuro, mas depende de cada um de nós torná-lo sempre mais visível em nossa família, em nossa sociedade, assumindo a vocação profética ao resistirmos à opressão e ao anunciarmos o amor e a justiça de Deus.

Por isso, é oportuno nesta celebração nos perguntarmos: em que consiste o Reino de Deus? Como percebemos seus sinais em nossa família, em nossa casa? O Reino de Deus está no centro de minha vida pessoal, familiar? Quais são os obstáculos que impedem que o Reino se torne visível entre nós? Como estou assumindo a tríplice missão que recebi no batismo, em minha família, com as pessoas com as quais convivo?

Zuleica Silvano é irmã paulina; doutora em Sagrada Escritura; assessora no SAB (https://paulinascursos.com/sab/); pertence ao departamento de Teologia da FAJE (Faculdade Jesuíta de Teologia e Filosofia); e é autora de diversos livros, dentre os quais: Carta aos Gálatas: até que Cristo se forme em nós (Gl 4,19), lançado por Paulinas. É também coordenadora do Grupo Shema’, que elaborou o subsídio do Mês da Bíblia de 2021 – Carta aos Gálatas: “Todos vós sois um só em Cristo Jesus” (cf. Gl 3,28d).

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