Seres imaginários

Artigos Recentes

As lendas, mitos e seres imaginários existem em todos os povos e etnias; eles ajudam a explicar situações sobrenaturais

Por Roseli Santos Adami

Nas diversas culturas, em todos os tempos, existem seres imaginários que fazem parte das histórias, lendas e mitos que vão passando de geração em geração.

Nos tempos em que as famílias, os amigos e vizinhos se encontravam ao entardecer para conversar em volta de uma fogueira e contar histórias, as lendas, os mitos foram se misturando com os contos das várias culturas e criando um universo fantasticamente criativo. Os povos usavam as histórias também para explicar situações inexplicáveis ou sobrenaturais.

Histórias
Pixabay.com

O imaginário das culturas é riquíssimo. Hoje as histórias são contadas nos livros, nas séries; há até mesmo releituras e novas versões para lendas antigas, pois os seres imaginários existem na mente de todas as pessoas. Estão no meio rural e no meio urbano, com lendas sinistras e horripilantes.

Lendas rurais

Nas lendas rurais existem criaturas: para defender a natureza, como a “Caipora”, de origem indígena, que solta gritos fortes para afastar quem está querendo maltratar os animais e as florestas; para assustar crianças e adultos e também para fazer travessuras, como, por exemplo, o “Saci-Pererê”, que esconde os brinquedos das crianças; para proteger as crianças de não ficarem longe dos pais, como, por exemplo, o “Homem do Saco”, que, quando a criança se afasta dos pais ou fala com estranhos, a leva embora, ou a Cuca, uma senhora malvada que assusta as crianças teimosas; e há ainda outras lendas para contar o nascimento de algum alimento, como “A lenda do milho”.

Segundo essa lenda, uma tribo indígena passava por dificuldades em sua aldeia: os rios estavam com pouca água, os peixes morrendo, a caça cada vez mais escassa, os animais fugindo, a terra seca por falta de chuva e as sementes não germinavam. O chefe da tribo, sentindo-se responsável por trazer a alegria para seu povo, resolveu dar sua vida ao deus Tupã, em troca da prosperidade do povo. Ele foi enterrado em um local tomado por uma planície quente e verde. Com o passar dos tempos, naquele lugar, nasceu uma planta forte, que, ao colherem e se alimentarem das suas espigas, descobriram que saciava a fome, trazendo de volta a alegria à tribo. Foi nomeada “Auati”, nome do cacique, que daria origem ao “milho”, uma planta que surgiu do sacrifício do cacique por seu povo.

Mistura cultural

Há também as lendas urbanas, como a da “Loira do banheiro”, que assusta as crianças na escola, a da “Caronista”, que circula de táxi pela cidade, e tantas outras famosas nos animes e mangás

Essas criaturas mágicas das histórias brasileiras estão de Norte a Sul do país e são elementos da mistura cultural que enriquece e aproxima as etnias, pois todas as culturas têm mitos e lendas para contar as mesmas coisas, aguçando o imaginário das pessoas.

É importante manter viva a história para que as gerações futuras participem e compreendam o que seus antepassados vivenciaram. As lendas, mitos e seres imaginários existem em todos os povos e etnias, há muito tempo. Sócrates, filósofo grego durante o período clássico, na Grécia antiga, já descrevia alguns seres imaginários em seu livro A história dos animais: “Houve já pescadores, gente com experiência, que disseram ter visto no mar animais parecidos com tacos de madeira, arredondados e de uma grossura uniforme; outros parecidos com escudos, de cor avermelhada e com barbatanas numerosas. Dizem os pescadores que este último veio uma vez agarrado a uma cana com muitos anzóis”. E até hoje temos o ditado popular “história de pescador” para explicar que é uma história exagerada, fantasiosa, sem lógica e fora da realidade. Temos, assim, um gênero da literatura, “O conto fantástico”, que traz a narrativa de elementos inexplicáveis e seres fantásticos e imaginários.

Ouvir e contar histórias

Tanto as crianças quanto os adultos amam ouvir e contar histórias. As crianças se envolvem, seus olhos brilham, querem participar, pois sua mente, sua criatividade andam mais rápido que suas palavras. Elas amam desenhar personagens que estão em seus pensamentos. São personagens individuais e únicos, e, quando transmitidos para o papel, esses seres imaginários ganham vida com cores e expressões fantásticas, recebem uma história, tornam-se os protagonistas.

Em uma aula sobre os seres imaginários, as crianças fizeram uma atividade escrevendo o próprio nome, com letra manuscrita, em uma folha dobrada, com a dobra para baixo, de maneira que pudesse ser recortado o contorno, mantendo a dobra para baixo. Ao abrir a folha, observaram o formato que ficou e, então, a partir dessa forma, criaram seus seres imaginários com as curvas que cada nome originou. Foram muitas histórias e seres imaginários criativos!

Que tal criar uma história e um ser imaginário a partir do seu nome?

Algumas leituras importantes no Portal Paulinas

Seres míticos da cultura amazônica

O pequeno guardião das florestas

Folclore: Patrimônio brasileiro pra divulgar pro mundo inteiro

Roseli Santos Adami é professora de Artes na Rede Estadual do Paraná. Desde criança, gosta de desenhar, pintar, escrever, cantar e tantas outras coisas lindas da vida. Ama sua profissão e, por isso, fez especialização em Educação Especial e Neuropsicopedagogia, para compreender melhor seus alunos.

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada