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3º Domingo do Tempo Comum

Evangelho: Mc 1,14-20

Por Mery Elizabeth

Queridos irmãos e irmãs, que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso irmão, pela ação do Espírito Santo, nosso defensor, estejam com você e toda a sua família.

Estamos no terceiro domingo do tempo comum, o domingo da Palavra de Deus, desejado pelo Papa Francisco, “porque é urgente nos familiarizarmos e nos tornarmos íntimos da Sagrada Escritura e do Ressuscitado” (Papa Francisco).

Desse modo, dando continuidade aos primeiros relatos da vida pública de Jesus, o Evangelho apresenta novamente as Margens do Mar da Galileia, como o ambiente da ação de Jesus, trata-se do lago formado pelas águas do Rio Jordão, o mesmo no qual Jesus foi batizado.

Vemos neste texto que a voz que proclama não é mais a de João, mas a de Jesus: “Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa-Nova”.

Essa exortação de Jesus é seguida pelo convite que Ele faz àqueles que se tornaram seus primeiros discípulos. Parece que se trata do mesmo relato que encontramos no primeiro capítulo do Evangelho segundo João, mas escrito de outra maneira, com mais detalhes.

Como se pode notar, neste texto, a iniciativa é de Jesus. É ele que, enquanto caminhava à beira do lago da Galileia, vê Simão e seu irmão André lançando as redes, pois eram pescadores, e os chama: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. Simão e André, imediatamente, deixaram tudo para seguir Jesus. Prosseguindo a caminhada, Jesus viu Tiago e João, filhos de Zebedeu, também pescadores. Imediatamente, Jesus os chamou, e eles o seguiram.

No ambiente em que Jesus viveu, era comum que os mestres fossem escolhidos pelos seus discípulos, mas Jesus não segue os padrões da sua sociedade, por isso vai ao encontro, chama pessoas para segui-lo e, com ele, realizar uma missão. Nessa atitude de Jesus está mais um aspecto que nos leva a perceber que a sua proposta tem algo diferente, pois quem tem a iniciativa é o Mestre.

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Olhar de quem acredita

É interessante notar que, enquanto Jesus caminha à beira do lago da Galileia, ele vê. É um olhar atento que, primeiramente, o faz perceber a realidade que o circunda. Jesus não é indiferente a esta realidade, e por isso a necessária exortação do início do texto: “Convertei-vos”. Exortação que tentaram silenciar com a prisão de João Batista, mas que agora é proclamada pelo próprio Cristo.

Na pessoa de Cristo, o Reino já se faz presente entre nós, mas é necessário conversão, deixar-se iluminar pela sua presença, transformar-se na mente, na vontade e no coração. Desse modo, o convite de Jesus tem como consequência uma atitude concreta: deixar! Simão e André, imediatamente, deixaram suas redes; Tiago e João deixaram seu pai, para seguir Jesus.

Esse “deixar” não significa perder, diminuir-se, empobrecer-se, mas, na lógica do Reino, significa ganhar, desenvolver-se nas práticas que revelam a presença do Reino entre nós, enriquecer-se de Cristo e dos seus sentimentos.

Certamente, quando Jesus olhou para Simão, André, Tiago e João, ele não viu as limitações desses pobres homens, analfabetos, pescadores, mas discípulos. O chamado de Jesus não é para constituir um grupo de aliados, para sustentar teorias vazias de sentido, nem mesmo preceitos religiosos que não transformem a vida. Jesus os chama porque os ama, porque deseja que eles sejam pessoas melhores para transformar o mundo, a começar pela humilde Galileia.

Estratégia do Reino

Deus, em seu infinito amor, cria o ser humano, segundo a sua imagem e semelhança, em vista de uma só realidade: a comunhão. Em outras palavras, para descobrirem a beleza do Reino e, consequentemente, serem agentes atuantes na realização deste Reino, no qual todos têm um papel importante.

A estratégia do Reino de Deus é o amor que nos faz compreendermo-nos irmãos uns dos outros, membros de um mesmo organismo, que é o próprio Deus.

Em família, quando o amor se torna o princípio e a meta das relações, cresce a confiança, desenvolvem-se meios para superar os desafios, as diferenças, descobrem-se motivos para estar perto, para perdoar. Enfim, a família torna-se o primeiro lugar da experiência verdadeira do amor, tornando-nos capazes de vislumbrar o mais importante valor que constrói o Reino de Deus.

Inspirados pela Palavra deste dia, possamos redescobrir nossa identidade como filhos amados de Deus, chamados por Jesus a, com Ele e Nele, tornar-nos cidadãos do Reino, sentindo-nos responsáveis e protagonistas na realização deste projeto, confiado a cada um de nós.

Mery Elizabeth é irmã paulina, bacharela em Teologia e atualmente prossegue os seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma. Tem espírito aventureiro, gosta de fazer caminhadas, conhecer lugares diferentes e aprender coisas novas, seja no âmbito intelectual ou religioso, seja no social.

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