Viver e correr em família

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A corrida de São Silvestre é um dos destaques do atletismo internacional e também uma atividade familiar

Por Cristiane Del Gaudio

São Silvestre
Wagner e Viviane noivaram no ano de 2018 na corrida de São Silvestre. Foto: Arquivo Pessoal

Entre os milhares de corredores inscritos anualmente na Maratona Internacional de São Silvestre, há também familiares que fazem do evento um ponto de encontro. Esse é o caso do casal Wagner Bernardo Cardoso, personal trainer, e Viviane Braz da Silva, esteticista e estudante de Educação Física, moradores de Taboão da Serra (SP). A maratona foi escolhida para marcar o noivado do casal e, com o tempo, outros membros da família foram se interessando em melhorar a saúde por meio desse esporte.

Praticantes de corridas como atividade física regular, Wagner e Viviane se conheceram em outros circuitos, até que fizeram da São Silvestre 2018 a própria cerimônia de noivado. “Ela usou um véu de noiva e eu usei uma gravata para simbolizar nosso noivado”, conta Wagner. Felizes por fazer parte da grandiosidade da maratona, eles levaram a sério o cumprimento do percurso, já que o detalhe do traje não comprometia o desempenho. Casaram-se meses depois e continuam firmes nessa afinidade em comum.

“A corrida como atividade física é como ‘um combustível’ na nossa rotina, quando existe a meta de uma determinada prova e precisamos treinar mais sério, programar para se alimentar melhor; é um conjunto de coisas que faz com que estejamos mais unidos”, comenta Viviane. E essa sintonia provocou interesse em outras pessoas da família. As irmãs começaram a correr, depois os pais passaram a fazer caminhadas, e logo os amigos também ficaram próximos.

A exemplo de outras práticas que unem pessoas, o esporte é um dos mais contagiantes. É cientificamente comprovado que, para se atingir o bem-estar físico e mental que uniu o casal, basta dar o primeiro passo e logo se torna um hábito frequente.

Reação de contágio

corrida
Foto: Arquivo Pessoal

A corrida de São Silvestre é um dos grandes eventos que marcam o final de ano no Brasil e uma das principais competições da América do Sul. O circuito faz parte do calendário de atletas profissionais do mundo todo. Saudável e democrática, a corrida também reúne esportistas não tão comprometidos com o resultado. Em grupos ou individualmente, pessoas de várias faixas etárias gostam de participar pela simbologia da maratona, por representar uma gigantesca confraternização.

Na família de Viviane e Wagner, a empolgação do casal foi provocando esse efeito. Antes de a pandemia de Covid-19 suspender a realização da maratona, os irmãos e primas de Viviane passaram a acompanhar os treinos e uma das irmãs dela chegou a participar da corrida.

Entre idas e vindas com mais intensidade nas corridas, a irmã mais velha de Viviane, Andrea Braz da Silva, comenta que as redes sociais ajudam a propagar a sensação boa: “Até inconscientemente, estimula e contagia outras pessoas. Acabam entrando em contato e perguntando se podem treinar junto, quais os exercícios recomendados, e, quando se percebe, se está com uma legião de fãs, simplesmente por se fazer o que gosta, com vitalidade, com muito amor dedicado àquela atividade”, salienta a analista de comércio exterior. Para ela, as corridas fazem diferença na vida social, mas especialmente no convívio em família.

Já a irmã mais nova delas passou a fazer parte da turma. Adriana Braz da Silva conta que, “vendo as postagens da irmã e o que ela mesma falava sobre o que a corrida proporcionava, que superava os limites”, foi se convencendo a correr também. “Eu nem morava perto, mas a gente marcava encontros para as corridas todo fim de semana. Antes disso, não era hábito nos encontrarmos, era somente em datas especiais, feriados, Natal, Ano-Novo e aniversários”, declara Adriana, que já enfrentou o desafio de correr a São Silvestre com a irmã e o cunhado.

Recentemente, o mais velho também entrou para o grupo. Francisco Edson da Silva comenta que sentiu o impacto da mudança de hábito: “Com as corridas, além de melhorar a respiração, o condicionamento físico, o ânimo, a própria disposição, a pessoa fica muito ‘pra cima’, muito ativa, por isso é tão importante. Correr junto é muito legal, tem um bom entrosamento; os treinos nos fazem mais unidos”, acrescenta ele.

Correr em família
As corridas colabora para a união da família de Viviane. Foto: Arquivo Pessoal

Já a prima de Viviane, Maria do Socorro Nogueira, considera a atividade física contagiante e uma forma de reforçar o vínculo familiar. “O fato de permitir o contato com pessoas com o mesmo intuito vai fortalecendo o hábito, vira algo gostoso de se fazer em conjunto e passa a ser ainda mais prazeroso”, complementa a auxiliar administrativa.

Por que São Silvestre?

A referência vem da Igreja Católica, que, no dia 31 dezembro, comemora o Dia de São Silvestre. Ele foi um papa católico que comandou a Igreja do dia 31 de janeiro de 314 d.C. ao dia 31 de dezembro de 335 d.C.; portanto, a homenagem.

Como profissional da área, Wagner orienta sobre os treinos. “A São Silvestre é uma corrida de circuito variado; o percurso exige muita força no final da prova e no meio ainda há as pontes. É preciso treinar velocidade, com estímulos intervalados, e treinos longos aos finais de semana; durante a semana se faz rodagens e vários tipos de treinos para fortalecer o corpo todo e para aguentar a prova”, sugere Wagner. Ele destaca que não se trata de levar em conta os aclives, mas também o clima, pois geralmente a prova acontece em dia de forte calor; por isso, a importância de treinar no horário da prova, às 9 horas da manhã, para acostumar o corpo. “Não é uma corrida fácil, é preciso treinar bastante para se sair bem”, conclui o personal trainer.

Conheça a história da Maratona de São Silvestre: https://www.gazetaesportiva.com/sao-silvestre/historia/

Cristiane Del Gaudio é jornalista há quase trinta anos, especializada em sustentabilidade industrial; assessora de imprensa na área editorial e aspirante a calígrafa. É mãe do Vinícius e faz parte do Movimento Missionário de Emaús @emaussp.

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