Relação entre intestino, saúde e emagrecimento

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Por Alane Nicacio

Temos mais bactérias no intestino do que células em todo o nosso corpo; apenas com esse dado, é possível refletir sobre quão necessário é o equilíbrio da microbiota intestinal (bactérias que vivem no intestino) para a manutenção da saúde e prevenção de muitas doenças.

Disbiose

O desequilíbrio das bactérias intestinais chama-se disbiose e caracteriza-se por um aumento das bactérias ruins e uma diminuição das bactérias boas. Quando isso acontece, a absorção de nutrientes e medicamentos é prejudicada, a compulsão por doces aumenta, pode haver prisão de ventre e o favorecimento para desenvolver diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e obesidade. 

Eixo cérebro-intestino

De acordo com Moraes e colaboradores, uma microbiota intestinal saudável resulta em maior produção de ácidos graxos de cadeia curta (fermentação das fibras pelas bactérias boas), que atuam no hipotálamo – cérebro –, ativando mecanismos responsáveis pelo aumento da saciedade e diminuição da ingestão alimentar, melhorando o controle da glicemia e insulina e diminuindo a inflamação sistêmica, comumente presente em obesos e portadores de diabetes tipo 2.

Alimentação x microbiota intestinal

Os alimentos são os maiores responsáveis pela saúde do intestino, contudo o estilo de vida – fumar, não praticar atividade física, níveis de estresse elevados por longo período – também pode influenciar de forma negativa.

Alimentos industrializados, refrigerantes, doces, bebidas alcoólicas são prejudiciais para o equilíbrio das bactérias. Por isso, é fundamental investir em uma alimentação o mais natural possível e diversificada.

É importante consumir todos os dias frutas (em média 3 porções), variando bastante o tipo. Exemplo: uma unidade de laranja, uma unidade de kiwi e uma fatia de melancia. Os vegetais refogados também são bem-vindos, e quanto maior for a diversidade, melhor. Consumir as verduras cruas também ajudará muito, além de aumentar a saciedade. Todos esses alimentos são fontes de muita fibra solúvel e insolúvel, sendo estas essenciais para o bom funcionamento do intestino e para o aumento das boas bactérias. Além disso, possuem grande quantidade de vitaminas, minerais, antioxidantes e fitoquímicos, responsáveis por fazer com que as reações dentro do organismo aconteçam de forma eficiente. 

Engin Akyurt – Unsplash

Probióticos

São definidos como microrganismos vivos; quando consumidos em quantidades e frequência adequadas, conferem muitos benefícios a todo o organismo. O seu efeito sobre a saúde intestinal é constantemente descrito na literatura, porque os probióticos combatem bactérias patogênicas, promovem efeitos anti-inflamatórios e modulam a resposta do sistema imunológico do intestino. Exemplos: kefir, iogurtes, kombucha ou sachês e cápsulas encontrados em farmácia.

Prebióticos

São classificados como componentes alimentares que não são digeridos e que influenciam o crescimento de bactérias benéficas presentes no intestino. Eles são resistentes ao processo digestivo e não são absorvidos pelo intestino. Você pode encontrar prebióticos em frutas com alto teor de fibras, vegetais, grãos inteiros e leguminosas. Alguns alimentos são fontes naturais de prebióticos, como a cebola, banana, alcachofra, aspargo, alho, tomate, batata yacon e raízes de chicória. Por isso, a inclusão desses alimentos diariamente nas refeições pode promover benefícios na saúde intestinal e no geral.

Evite adoçantes

Estudos mostram que os edulcorantes (adoçantes dietéticos) podem prejudicar a composição da microbiota intestinal, gerando problemas como gases, diarreia e alteração na resposta à insulina.

Por fim, os estudos realizados até hoje já afirmam que uma alimentação rica em açúcares e gorduras industrializadas interfere de forma negativa no equilíbrio das bactérias intestinais, na permeabilidade intestinal e nos fatores relacionados ao desenvolvimento de obesidade e diabetes. Por outro lado, uma alimentação rica em fibras e probióticos influenciará de forma positiva todos esses fatores, por meio do aumento do número de bactérias benéficas e consequente diminuição dos fatores de risco responsáveis pelo surgimento de várias doenças.

Alane Nicacio é nutricionista desde 2008, pós-graduada em nutrição clínica e esportiva funcional. Atua em consultório há 8 anos. Sua paixão é atender de forma humanizada, promovendo saúde e descomplicando a nutrição.

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