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26º Domingo do Tempo Comum 

Evangelho: Mc 9,38-43.45.47-48

Por Mery Elizabeth de Souza

Amados irmãos e irmãs, graça e paz a vós da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo! Celebramos hoje o Dia da Bíblia, livro que recolhe a Palavra Sagrada que Deus, em seu infinito e misericordioso amor, revelou a toda a humanidade. Que a Palavra de Deus seja fonte que sustente a fé, a esperança e a caridade de nossos corações e de nossos laços familiares.

O Evangelho deste 26º Domingo do Tempo Comum é continuação do texto que a liturgia nos apresentou no último domingo. Assim, podemos nos recordar de que Jesus está a caminho de Jerusalém, lugar onde se cumprirá a entrega total de sua vida, até a morte na cruz. Jesus não está sozinho nessa caminhada; junto dele estão seus discípulos e um grupo de pessoas. 

A particularidade do Evangelho deste domingo é a apresentação de um novo tema, o qual os discípulos têm dificuldade de compreender. É o que podemos notar pela fala de João, um dos filhos de Zebedeu, quando diz: “Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue” (Mc 9,38). 

Diante das palavras de João, que demonstra um tom de pretensão, Jesus responde combatendo duramente essa atitude sectária, que limita a realização do bem somente ao grupo dos seguidores do caminho, como se pode notar nos versículos 39 e 40: “Jesus disse: ‘Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. Quem não é contra nós é a nosso favor’”.

Ensinamentos essenciais para a vida cristã

Jesus é o Mestre que não perde a ocasião para ensinar; nada está fora do caminho de confirmação e adesão à proposta do Reino de Deus, nem mesmo as situações das quais os discípulos demonstram completa incompreensão.

Assim, podemos chamar a nossa atenção para os ensinamentos que o Evangelho deste domingo nos apresenta. O primeiro deles se refere à recompensa que será dada a todo aquele que acolher um discípulo de Jesus: “Em verdade eu vos digo, quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa” (cf. Mc 9,41); o segundo trata do respeito que os discípulos devem ter com os pequenos que creem em Jesus; por fim, um dos mais exigentes é o da coerência entre a fé proclamada e a fé vivida; empenho constante que os discípulos devem buscar corresponder para que não venham a ser motivo de escândalo.

Palavra de Deus
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Os últimos versículos deste Evangelho são marcados por uma linguagem figurada e radical da parte de Jesus, que percebe o perigo que se apresenta com a postura dos seus discípulos, os quais, mais uma vez, precisam ser corrigidos para que os ensinamentos dele não venham a ser mal compreendidos, construindo barreiras ao invés de pontes entre a comunidade dos seguidores do caminho e as demais pessoas, muitas vezes descritas no Evangelho como “multidão”.

Cristificar a mente

Voltemos nossa atenção aos verbos “cortar” e “arrancar”, que encontramos entre os versículos 43 e 47. No contexto que o Evangelho nos apresenta, trata-se de atitudes radicais para se evitar ocasião de pecado no mal uso de nosso próprio corpo; nesse caso, as mãos, os pés, os olhos.

Se pararmos para pensar um instante e levarmos essas palavras ao pé da letra, quem, sobre a terra, não seria de alguma maneira mutilado? Porém, não se trata de abrandar o que o Evangelho está nos dizendo; trata-se de compreender que o seguimento de Jesus nos convida a um caminho de conversão, que começa pela mudança de nossa maneira de pensar. É falar sobre um caminho de cristificação da mente, muitas vezes já condicionada pelos conceitos estabelecidos pela sociedade corrompida pela autossuficiência, pelo orgulho, gerando grandes conflitos, também e sobretudo, no ambiente familiar.

Jesus, ao demonstrar acolhida ao bem realizado também por aqueles que não o seguem, está revelando que cada pessoa carrega dentro de si a capacidade de comunicar, de forma particular, sua semelhança com Aquele que a criou, e que isso pode ser manifestado de inúmeras formas.

Iluminados por esta Palavra Sagrada de Deus, peçamos ao Senhor a graça de não nos cansarmos de realizar o bem “sem olhar a quem” e de percebê-lo nas mais diversas e surpreendentes ocasiões nas quais ele possa se apresentar.

Mery Elizabeth de Souza é irmã paulina, bacharela em Teologia e atualmente prossegue os seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Tem espírito aventureiro, gosta de fazer caminhadas, conhecer lugares diferentes e aprender coisas novas, seja no âmbito intelectual ou religioso, seja no social.

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