Saúde e qualidade de vida às comunidades ribeirinhas da Amazônia

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O projeto “Amazone-se” organiza, anualmente, expedições de voluntários e leva atendimento médico e psicológico aos povos ribeirinhos

Por Roseane Welter

Rafael Maretti e um grupo de amigos, em 2011, idealizaram a Organização Não Governamental (ONG) Base Colaborativa, uma Instituição sem fins lucrativos que potencializa agentes de transformação a partir de projetos sociais, que visam beneficiar o próximo a partir de ações colaborativas e acolhedoras.

A Base Colaborativa atua em várias frentes de atuação e capacitação de agentes transformadores. Dentro da entidade somam-se vários projetos sociais, dentre esses o “Amazone-se”, criado em janeiro de 2019, que tem o propósito de levar escuta, apoio, atendimento médico e psicológico às comunidades ribeirinhas da Amazônia.

Em missão

O “Amazone-se” atua por meio de vivências e expedições – ações concretas que movimentam mais de cem voluntários, os quais deixam tudo para servir o próximo dentro de suas especialidades profissionais. As “Vivências Amazone-se” são uma imersão junto à maior floresta tropical do mundo, onde a intervenção é consciente, profunda e leva o olhar às culturas locais, buscando valorizar a ecologia de saberes do maior bioma vivo do nosso país. 

Projeto Amazone-se
Foto: Arquivo Base Colaborativa

As expedições acontecem ao longo do ano e atuam em três frentes: saúde, educação e geração de renda. “Nossa missão é levar saúde para os ribeirinhos que estão afastados das grandes cidades e, para muitos, a nossa expedição é o único atendimento médico a que eles têm acesso. Além disso, proporcionar ações educacionais, capacitação de geração de renda e valorização da cultura local é nosso ideal”, afirma Bruna Zampollo, gestora de projetos sociais do “Amazone-se”.

Servir e cuidar

A ONG oferece às comunidades o que há de melhor – profissionais capacitados, insumos de qualidade e equipamentos com tecnologia de ponta. Dentre os atendimentos médicos, as especialidades são: ginecologia, pediatria, fisioterapia, enfermagem e clínica geral. E alguns dos atendimentos odontológicos são: prótese, odontopediatria, periodontia, endodontia, cirurgia e dentística. Os voluntários do projeto realizam também visitas domiciliares.

Takashi Nakano, médico voluntário do projeto, destaca a realidade e a importância da ação junto aos ribeirinhos. “A gente se depara com uma realidade difícil. As distâncias são muito grandes e o acesso à saúde especializada, como oftalmologia, é difícil, e sinto-me privilegiado por ajudar.” Ele ressalta ainda: “O projeto busca levar saúde de uma maneira geral e temos feito um trabalho de atendimento, com a prescrição de óculos, levando mais qualidade de vida aos comunitários”.

Impacto social

A pandemia não intimidou o grupo, que, seguindo todas as recomendações, em 2021, fez três expedições à região de Nova Airão (AM) e, também, às comunidades próximas à região de Rio Arapiuns (PA), onde atuaram 22 médicos e 7 enfermeiros voluntários e foram oferecidas 9 especialidades na área de saúde. 

Projeto Amazone-se
Foto: Arquivo Base Colaborativa

Para destacar em números, por exemplo, na oportunidade, o projeto entregou 424 óculos com lentes corretivas e realizou 79 exames de ultrassom. Nos dias de vivência foram mais de 1.700 atendimentos realizados. “O atendimento acontece em centros comunitários das comunidades, em um barco ambulatório, até porque, para chegar a esses lugares, o barco é um dos meios de transporte utilizados”, enfatiza Zampollo.

“O ano de 2021 foi desafiador; importantes decisões coletivas e individuais nos levaram a conquistas, aprendizados e geração de impacto social. O verdadeiro impacto são as histórias de vida contadas, os sorrisos ouvidos, as transformações observadas e as oportunidades criadas, que nos inspiram a continuar a missão junto a esse povo”, relembra Zampollo. 

Nova expedição

Em 2022, a primeira expedição aconteceu em fevereiro; foram sete dias de atendimento, envolvendo 47 voluntários. Para a atuação, a ONG conta com empresas parceiras, que doam e ajudam a viabilizar, sobretudo, a chegada dos equipamentos utilizados. Bruna destaca que toda a logística do projeto acontece em São Paulo (SP), sede do projeto, e que conta com a doação e colaboração de parceiros e pessoas físicas. 

Projeto Amazone-se
Foto: Arquivo Base Colaborativa

Por outro lado, muitos ribeirinhos chegam até o local de atendimento caminhando ou utilizando lanchas e barcos, depois de percorrer longas distâncias e muitas horas de viagem. “Muitas famílias ribeirinhas, por conta da distância até uma cidade próxima, acabam sem condições de ir em busca de um atendimento digno. Como é gratificante ver o olhar agradecido, o sorriso das pessoas a cada atendimento!”, diz Bruna.

Para a fisioterapeuta voluntária Janaina Moreira, “estar presente na Amazônia, levando a fisioterapia para uma comunidade ribeirinha, me fez enxergar o propósito de ser quem eu sou, fazer o que eu faço, e de receber muito por isso”, testemunha.

Já a voluntária Fernanda Kanashiro sintetiza a experiência como um grande aprendizado pessoal. “Eu fui para lá querendo ajudar e acabei recebendo muito mais do que imaginava. Recebi uma riqueza que não tem preço: a exuberância da natureza ainda preservada daquela região, a tranquilidade e o tempo da floresta, a sabedoria na simplicidade dos ribeirinhos, o amor e a alegria com que fomos recebidos. Conheci no nosso grupo de voluntários pessoas incríveis e inspiradoras, que me ensinaram e me mostraram que vale a pena continuar sonhando e lutando por um mundo melhor. O Amazone-se consegue reunir pessoas de coração enorme para um propósito que é o que me encantou desde o começo: o olhar e a escuta voltados para a população ribeirinha, para o meio onde vivem e para além de suas necessidades: seus sonhos.”

Nova conquista

Juntamente com algumas comunidades ribeirinhas atendidas, o projeto Amazone-se está implantando a cozinha comunitária: uma forma de garantir o alimento na mesa e gerar oportunidade de renda à comunidade. “É lindo ver a união de todos, voluntários e ribeirinhos, trabalhando juntos para a conquista de mais esse sonho”, reforça a gestora de projetos sociais do “Amazone-se”.

Serviço

Amazone-se | basecolaborativa
Instagram: @amazone.se

Roseane Welter é jornalista, produtora de Rádio e TV. Graduada em Filosofia e licenciada em História. Apaixonada pela vida, gosta de música, de viajar, de escrever boas histórias inspiradas no cotidiano e de criar iniciativas que impactem o próximo.

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