Internet é lugar para estudar

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Nova postura do estudante atual exige mudança nos métodos de educação, a começar pelo professor facilitador

Por Noslen Borges de Oliveira

Eu sou professor de língua portuguesa. Podem me chamar como talvez a maioria de vocês me conheça na internet: Professor Noslen. Vocês já sabem que a internet é o lugar onde todos podemos fazer de tudo, jogar games, assistir a nossos programas preferidos e até estudar. Sim, eu disse estudar! “Ah, professor, mas estudar na net é chato!” Eu digo que não e posso provar!

Conteúdo interativo

Imaginem um vídeo no Instagram em que vocês precisem descobrir qual palavra está correta segundo a grafia e, se vocês acertarem, ganham brindes virtuais. Isso pode ser uma batalha familiar para ver quem acerta mais. Ou, ainda, imaginem um vídeo no YouTube em que haja uma batalha de hinos de time de futebol a partir da leitura do vocabulário do hino, da interpretação da letra, e quem escolhe o mais bonito sejam vocês, colocando os seus times preferidos em primeiro lugar nessa batalha.

Podemos ainda pensar em um videoclipe de uma música conhecida, bem animada, em que a letra seja parodiada para trazer as regras da gramática para vocês cantarem, dançarem, entreterem-se e gravarem tudo de forma fácil e lúdica. E quem sabe aquela “trend” do Tiktok que todos fazem e repentinamente um professor adapta para o conteúdo de língua portuguesa, e vocês não conseguem parar de assistir e rir; e após tudo isso nós percebemos que aprendemos muito sobre a nossa língua e, de quebra, demos muitas risadas. Todos esses exemplos estão nas minhas redes sociais.

O lúdico no ensino-aprendizagem

É isso que eu busco fazer em todas as redes sociais nas quais estou presente, educação junto com entretenimento, um “educatenimento”, se eu pudesse criar um neologismo. Esse é um termo semelhante ao que já se usa fora do Brasil, o Edutaiment, que é a junção de Education + Entertainment, termo que lá se refere ao ensino por meio de jogos; porém, aqui no Brasil ainda é motivo de desconfiança e, por vezes, de chacota. Muitos talvez afirmem que não é possível aprender nas redes, mas eu reforço a ideia de que é possível e tenho feito e visto muito resultado: são mais de 4 milhões de pessoas que atinjo com o meu conteúdo, se somarmos todas as redes sociais nas quais me faço presente, além dos inúmeros depoimentos de estudantes on-line que foram impactados pelo meu conteúdo e tiveram algum êxito em provas ou em algum momento de aprendizado, ao longo dos seis anos em que estou produzindo conteúdo para a internet.

Ser professor facilitador

Acredito que a função principal de um professor é ser um facilitador do conteúdo para todos os estudantes, e usar o lúdico é um dos caminhos: paródias, tiktoks, entrevistas, conteúdos com qualquer tipo de leveza são ferramentas de alta eficácia para a aprendizagem.

Obviamente que nem todos os professores têm que ser divertidos, mas creio que a função de todos os educadores é tornar o conteúdo acessível para o estudante, mantendo a sua identidade, suas características e sem forçar algo que não seja próprio. Um professor facilitador sempre busca se colocar no lugar do estudante para entender a melhor forma de levar o conteúdo a ele, mesmo que isso exija daquele sair da sua zona de conforto e ter de aprender novas técnicas e novas plataformas de divulgação de conteúdo educacional. Parafraseando Milton Nascimento sobre o papel do artista, “O professor precisa ensinar onde o estudante está!”, e esse está no Instagram, YouTube, Facebook, Tiktok, Kwai, Twitter ou em qualquer outro lugar; e é lá que o educador deve estar, mesmo que para isso seja preciso aprender a lidar com essas novas ferramentas.

Estudante ativo

Agora, algo que preciso pontuar é sobre vocês, os novos jovens, os novos estudantes. Os estudantes do século XXI são diferentes daqueles a que estávamos acostumados: são ativos, com muita proatividade, e não dão conta de ser passivos e de esperar que os conteúdos “caiam do céu”; eles querem e precisam fazer parte da construção dos conteúdos e de suas aprendizagens, que também são aprendizagens significativas e contextualizadas com o seu dia a dia. Não à toa, escolhem onde, como e quem querem seguir e permitir que os influenciem nas inúmeras redes sociais que têm e fazem parte. Caso vocês sejam esses estudantes, eu lhes digo que o caminho para um futuro melhor é exatamente esse da proatividade e da busca cada vez maior pelo conhecimento, pela pesquisa e pelo aprofundamento.

Novos estudantes, professores e métodos

Sabemos que o ser humano evolui constantemente. Sendo assim, a educação precisa evoluir junto com ele. A maneira de ensinar e levar o ensino para o cotidiano é o maior desafio para todos os educadores hoje. Já passamos do tempo em que uns detinham o conhecimento e outros apenas recebiam; hoje todos temos algo para ensinar e muito para aprender. Educação para a vida é aquela que está no nosso dia a dia!

Grande abraço e vamos com tudo para os novos métodos de ensinar!

Noslen Borges de Oliveira, natural de Curitiba (PR), é professor de língua portuguesa e churrasqueiro nas horas vagas. Formado pela Universidade Tuiuti do Paraná em Letras, Português/Espanhol. Instagram: @professornoslen / YouTube: www.youtube.com/professornosle /Site: professornoslen.com.br

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