Poema: Mãe

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Por Carmen Maria Pulga

Mãe,
amor de entranhas.
Não importa se das entranhas do ventre ou das entranhas do coração. A maternidade não tem classe, cor ou gênero; seja ela do coração ou da barriga, por concepção ou pelo hormônio do amor, é sempre vocação imprescindível à vida. Esta homenagem é para você, Mãe, que mantém vivo o fio que nos conecta à teia da existência humana.
Mãe
é gerenciar emoções. Cuidar do casulo, alimentar a metamorfose. Ler nas nervuras o valor do caráter. Beijar a pele, sentir a textura e doar o fruto. Provar-lhe o mel sem alterar a gênese. Amar sabendo que vai voar. Continuar a amar para que não murche. Não caia. Não se machuque. Eternizar em lembranças o movimento das asas, o colorir das plumas.
Mãe
é lapidar muito mais que procriar. Procriar é instintivo. Cuidar, educar, é arte. É dar cor, contorno, crescimento, realização. Cultivar o amor incondicional é um trabalho custoso. É optar pela verdade sem adoçar ou buscar vantagem. É salvaguardar das intempéries sem juízos ou reivindicações. Trabalhar o medo como ingrediente necessário. Revisar o desenho. Infundir ousadia. Aperfeiçoar o sonho. Outorgar autonomia.

Mãe
é rever o filho na sinceridade do silêncio. Podar sem deixar vazios. Educar sem subtrair. Aperfeiçoar sem ferir a essência. Aconchegar sem espaço para barganhas. Sentir o espinho e o sopro, às vezes áspero, às vezes doce. Filho eterno. Retido na memória, conferido em detalhes.

Mãe
é servir não por dever, mas por vocação. É desdobrar com cuidado qualquer coisa que dê significado à rotina. É doar-se na incerteza, tanto da flor como do fruto. É empenhar tempo na garantia do patrimônio capitalizado no casulo. É deixar-se levar pelo prazer de abrir caminhos, traçar metas, amparar os passos, para que o embrião ultrapasse e chegue à maturidade.

Mãe
é reinventar-se. Escutar a alma para fortalecer a decisão. Aceitar o sorriso displicente de quem transita mundos diferentes. O tédio da repetição. A dor de não poder consentir em toda escolha. Ver o filho escorregar na fragilidade da humana impotência. Transformar as lágrimas, engolidas sem pranto, no disfarce de quem sonha o melhor sem nunca desistir. Fazer de cada fim um recomeço. De cada toque de recolher, uma advertência. De toda conquista, uma esperança.

Mãe
é achegar-se ao divino. Perdoar. Curar. Esperançar. Proteger o lar com preces. Escutar sem invadir. Deixar livre para ir e vir. Permitir o erro como aprendizado, a dor como remédio, o prazer como incentivo, a paz como recompensa. Compreender sempre. Maltratar nunca. Manter as portas abertas, com leis de disciplina. Nem mais, nem menos. Na medida certa, de forma incondicional.
 

Mãe
é orientar. Flexível. Firme. Guerreira na linha de frente. Não para vencer, mas para proteger. Encorajar a luta até o último instante. Deixar-se como o tronco que transfere a força para o enxerto. Então, se despedir sem remorsos, deixando o legado de sua missão na esperança de que novas asas sustentarão o movimento da VIDA.

PARABÉNS! Amor de entranhas.
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Carmen Maria Pulga é filósofa, teóloga, mestra em Novas Tecnologias da Comunicação e autora do livro A pétala, da Paulinas Editora. Gosta de arte, desde a culinária até a sucata, e ama ler os autores mais ecléticos.

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