O pioneiro Pe. Zezinho, scj, faz 80 anos

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Ele levou a palavra de Deus às pessoas através do teatro, da música, dos livros e artigos na Revista Família Cristã. Conheça um pouco da biografia do pe. Zezinho e entenda por que ele segue inspirando várias gerações de cristãos católicos

Por Juliana Borga

Um dos maiores comunicadores e músicos da Igreja no Brasil completa 80 anos. Pe Zezinho, scj, foi pioneiro na música cristã no Brasil, inovou no uso de instrumentos como a guitarra elétrica e a bateria, gravou discos em mais de cinco idiomas e é dono de uma coleção de mais de 3 mil canções.

Ele nasceu no dia 08 de junho de 1941, em Machado (MG), o caçula dos seis filhos de Fernando e Valdevina. A família se mudou para Taubaté, interior de São Paulo, quando ele tinha dois anos de idade e é lá que nasce sua vocação religiosa já que a família participava da comunidade do Sagrado Coração de Jesus. Aos 11 ele ingressa no Seminário dos Padres Dehonianos e sua ordenação sacerdotal ocorre em 1966 nos Estados Unidos.

Padre jovem falando para outros jovens

Já em seu primeiro ano como padre, adota o teatro e a música como meios de evangelização. Era um padre jovem falando para outros jovens. “Sentimos que aquela Igreja que ainda era muito metódica e rígida passou a acolher melhor os mais novos. Os jovens passaram a ser convidados de uma maneira mais gostosa a participar da Igreja”, relata Jair Antonio de Oliveira, sobrinho de Pe. Zezinho que trabalhou alguns anos com o grupo de teatro do tio entre o final dos anos 80 e início dos anos 90.

Jair conta que conforme cresciam, ele e seus primos passavam a entender o que era ter um tio sacerdote, eles até criaram um clã, intitulado “SSPZ: Somos Sobrinhos do Padre Zezinho”. “Ele começou a ser conhecido através de suas músicas e livros e a gente se gabava de ter um tio famoso. Ao mesmo tempo recaía uma carga indireta sobre nós por sermos da sua família. O que ajudou muito foram os livros dele que começaram a ser publicados quando estávamos entrando na adolescência. A leitura e as mensagens das músicas falaram muito forte com a gente”, lembra Jair.

Pe. Zezinho, o primeiro padre cantor

O Concílio Vaticano II – que terminou em 1965 – representou uma abertura aos sinais dos tempos propondo novas formas de evangelizar. Pe. Zezinho foi designado para seu primeiro trabalho pastoral no Santuário São Judas, em São Paulo (SP), em 1967. Ali foi seu laboratório pastoral, principalmente nos trabalhos com a juventude e com a promoção vocacional. Foi exatamente nesse contexto que ele conheceu a Ir. Maria Nogueira, irmã paulina que dirigia a gravadora Paulinas-Comep.

Inspirada pelo novo documento da Igreja, Ir. Maria Nogueira procurava pessoas dispostas a oferecer ao povo brasileiro a possibilidade de evangelização no novo modelo da canção. “Um dia fui até o Santuário São Judas e conheci um jovem padre, que realizava um trabalho importante com os jovens, tinha muita estima pela vocação e uma veia poética a toda prova para usar a canção com a sua pastoral de evangelizador”, lembra.

Irmã Maria Nogueira foi quem fez o convite ao jovem padre Zezinho, scj, para evangelizar por meio da música.

O feliz encontro deu frutos: além de uma linda amizade, começava ali a carreira do padre que agora também compunha e cantava. Em 1969, gravou uma de suas homilias no LP “O Cristo Inconstante”, além do seu primeiro compacto pelas Paulinas “Canção da Amizade”. Logo viria seu primeiro livro que marcou época: “Alicerce para um mundo novo” (1970). E não parou mais! Foram centenas de livros e milhares de canções que mudaram a vida de muitas pessoas. Seus shows de evangelização atraíam multidões. “Ele abriu os caminhos para uma gama de outros padres e religiosos que também passaram a escrever, cantar e evangelizar nestes outros meios”, recorda o sobrinho Jair Antonio de Oliveira.

Pe. Zezinho, um padre que canta

Com a afirmação “sou um padre que canta e não um cantor que é padre”, pe. Zezinho sempre deixou claro que sua missão primeira era o sacerdócio e que a música era apenas uma ferramenta utilizada para falar de Deus. Em 2010, recebeu a indicação para concorrer ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música Cristã em português“. Em 2012, sofreu um AVC, que o tirou da estrada e lhe roubou a habilidade para cantar. Nem assim parou. O superior provincial dos Dehonianos destaca como pe. Zezinho foi responsável por inúmeras vocações sacerdotais. “Padre Zezinho marcou e marca a vida de toda a nossa Congregação e de um modo especial, de nossa província Brasil São Paulo. Marcou minha juventude e de tantos outros jovens nas décadas de 70 a 90 através de suas canções e de seus livros. Despertou e desperta tantos outros para o seguimento de Jesus Cristo através da vida religiosa e do ministério presbiteral. É um excelente catequista e evangelizador”, afirma Pe. Ronilton Souza de Araujo, scj.

Sucesso na Família Cristã

pe. zezinho
Juliene Barros / Arquivo Paulinas-COMEP

Outro grande canal de evangelização do  pe. Zezinho foi a Revista Família Cristã, uma relação que durou mais de 40 anos! Mensalmente ele escreveu artigos para a publicação em sua coluna intitulada “Paz inquieta”. O objetivo era tocar a vida das pessoas, de modo particular fazendo catequese sobre os assuntos da Igreja. De acordo com o que a sociedade estava vivendo naquele mês, ele trazia uma mensagem de reflexão para as famílias.

Irmã Ivonete Kurten, diretora da revista por nove anos, recorda de um artigo que teve grande repercussão: “Estávamos vivendo a virada do século e neste texto ele falava sobre ecumenismo, abordava as várias denominações cristãs e lembrava que nós somos muitos, mas somos um. Recebemos várias críticas de leitores dizendo que ele estava fazendo propaganda de outras religiões. No mês seguinte ele escreveu sobre unidade, que todo cristão deveria promover a unidade e o perdão porque Deus é um. Tudo isso estava alinhado à Campanha da Fraternidade daquele ano que trazia um tema ecumênico”, lembra.

Seus textos eram reproduzidos por acadêmicos das faculdades de Teologia e catequistas, principalmente os que falavam sobre a questão da vida e da bioética, que defendiam a vida em todas as suas etapas. “Ele dizia que para escrever para a Família Cristã era necessário ter muito cuidado e avaliar como cada palavra cairia para o leitor. Era um cuidador das palavras e um grande orientador espiritual, já que muitos pautavam suas ações através de sua coluna. Sou grata a ele, pelo grande escritor que ele é, por sua clareza e por estar na Igreja e falar da Igreja”, acrescenta Ir. Ivonete Kurten.

Comemorações

Para comemorar esta data tão especial, as Irmãs Paulinas e a Congregação do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos) se uniram na organização de uma Live de Aniversário, no dia 8 de junho, transmitida pelo canal do Pe. Zezinho no YouTube, TV Evangelizar e emissoras de rádio.

Foi uma noite recheada de música, testemunhos sobre a vida e a obra do aniversariante com a presença de centenas de convidados como os Cantores de Deus, grupo Ir ao Povo, Pe. Joãozinho, scj; Walmir Alencar,  Pe. Reginaldo Manzotti, Fagner, Renato Teixeira, entre outros.

Uma das surpresas da festa on-line foi o lançamento do Memorial Pe. Zezinho, scj. Todo o acervo de documentos e peças que pertenceram ao padre foram reunidas pelo pe. Joãozinho, scj. Toda a obra ficará disponível para consulta na internet, afinal as peças ilustram oito décadas marcantes na história da evangelização no Brasil.

Mensagens ao pe. Zezinho

Para colaborar com as homenagens pedimos aos nossos entrevistados que deixassem uma mensagem para o pe. Zezinho em função de seus 80 anos:

“Ele é aquele que recebeu muitos talentos e não ficou para si, ao contrário, desenvolveu-os e colocou-os a serviço da Igreja e da Congregação. Ele crê naquilo que ensina e dá testemunho daquilo que prega. É um homem livre e coerente na sua pregação e na sua vida, mas fiel aos ensinamentos da Igreja. Traz no peito a cruz com o coração aberto, sinal da sua fidelidade e amor ao Carisma Dehoniano. Desejo que ele continue sendo um ‘profeta do amor e ministro da reconciliação’ como inspira-nos nossa Regra de Vida e que seja feliz e cheio de vida para irradiá-la a todos nós.”
Pe. Ronilton Souza de Araujo, scj. Superior provincial da Congregação do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos)
 “Ele é um sacerdote que vive 24h a sua vocação a serviço de Deus no amor aos irmãos. Um grande literato, dotado de muitos talentos colocados a serviço de Deus para melhor exercer sua pastoral. Desejo muita santidade, muito amor, muita vida, muita dedicação e tudo o que o mundo pode oferecer em recompensa pelo que realizou e ainda continuará realizando em favor do povo de Deus.”
 Ir. Maria Nogueira, fsp 
 “Agradeço à Deus pela graça dele continuar ativo, evangelizando, agora com uma saúde que não permite mais que ele se arrisque tanto, mas deixando o caminho aberto para que outros padres trilhem o mesmo caminho que ele percorreu. Para a família isso é muito gratificante, para os sobrinhos ele será sempre lembrado pelo ecumenismo, pela pregação de que Deus é único.”
 Jair Antonio de Oliveira, sobrinho do padre Zezinho 
 “Que nestes 80 anos ele possa sentir a alegria do retorno dos vários catequizandos que ele teve durante os mais de 40 anos que ele escreveu na Família Cristã.”
 Ir. Ivonete Kurten, fsp 

Canções para cantar em família e pela família

Canções marianas de Padre Zezinho, scj

Diversas canções que marcam e ainda marcam gerações

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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