Especial 3 palavras de Francisco para as famílias: com licença – episódio 2

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A importância de pedir permissão no ambiente familiar

Por Juliana Borga

Segundo o papa Francisco há três palavras que não podem faltar no ambiente familiar: com licença, obrigado e desculpa. Palavras que segundo o papa devem estar escritas na porta da casa das famílias.

Sobre a palavra “licença” o pontífice explicou que “entrar na vida do outro, mesmo que faça parte da nossa, requer a delicadeza de um comportamento não invasor”. Repare bem: não é tão comum usarmos “com licença” em nosso vocabulário cotidiano, usamos mais em ambiente profissional, num contexto de formalidade. Nos relacionamentos mais próximos ou ambientes informais, inclusive o familiar, geralmente falamos de forma mais simples: “dá licença”, ou o pedido de permissão mais direto: “posso?”.

Fundador da Comunidade de Aliança Magnificat, escritor, cantor e compositor, padre Reginaldo Carreira alerta: “O grande cuidado que a gente tem de ter, ao usar esse costume de pedir permissão, é reconhecer que muitas vezes o fazemos já esperando a resposta positiva, ou quase sem esperar a resposta como se ela estivesse subentendida”, explica.

Você já percebeu como age depois de receber um “não” diante da pergunta: “posso falar com você?”. Na maioria das vezes a gente se incomoda e fica aborrecido, porque na verdade estamos “pedindo” permissão sem conceder a permissão de que a pessoa decida. O papa afirma: “A intimidade não autoriza a dar tudo por certo. Quanto mais íntimo e profundo o amor, mais exige respeito da liberdade e a capacidade de aguardar que o outro abra as portas de seu coração”.

Para o padre Reginaldo Carreira é preciso ter humildade para pedir permissão, além de bom senso, equilíbrio e sabedoria para entender como o outro lida com as suas decisões. “Se eu peço permissão sem esperar ouvir uma negação, não estou pedindo permissão, mas disfarçadamente estou exigindo permissão. E é aí que muita coisa não caminha para frente e muitos relacionamentos não prosperam”, afirma.

Pedir licença é uma atitude de respeito ao próximo.

Quando o Papa Francisco fala na exortação apostólica Amoris Laetitia sobre a importância de a família fazer uso de algumas palavras-chave para a boa convivência, ao citar “com licença” ele se refere à nossa capacidade de respeitar o espaço do outro, de agir com gentileza e delicadeza, paciência e respeito, compreensão e serenidade. “Especialmente na vida familiar, a gente tem a sensação de ‘direito de permissão’, de fazer o que quiser porque estamos no ambiente da nossa casa, numa situação de um relacionamento mais íntimo. Por isso, muitas vezes nos damos o direito de poder fazer o que quiser, na hora que quiser, do jeito que quiser. Por outro lado, se a permissão foi pedida a nós, também é importante sermos respeitados, e não nos sentirmos obrigados a permitir tudo! Ser permissivo também não é bom. Não educa, não ensina, não constrói. Mas vale lembrar que conceder permissão só quando eu tenho vontade também demonstra um certo egoísmo, um forte individualismo, um fechamento ao outro, além de falta de empatia”, explica o padre.

Pedir e conceder licença é atitude fundamental de uma família que busca um diálogo coerente e sadio, uma convivência adequada, construtiva, fraterna. Pedir permissão e entender o sim ou o não como resposta é uma exigência da boa convivência. Não pedir permissão, pode significar invadir o espaço. “Claro que devemos nos sentir à vontade num ambiente familiar e viver com liberdade e espontaneidade. Mas pequenos gestos de gentileza como dizer “por favor”, “eu poderia”, “posso”, “com licença”, “você me permite” são maneiras de construir melhores relacionamentos, desenvolver a capacidade de nos relacionar, compreender e aceitar o outro, saber esperar e crescer no amor”, finaliza padre Reginaldo Carreira.

No próximo episódio falaremos sobre a palavra “obrigado”. Não perca!

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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