Vocação em família, espiritualidade em dobro!

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Conheça alguns padres e coroinhas gêmeos espalhados pelo Brasil

Por Luciana Falcão

A chegada de filhos gêmeos é certeza de bênçãos em dobro para a família. Claro que há preocupações com despesas, tempo, trabalho, mas isso não é nada perto da alegria de ver nos filhos pessoas de bem, realizadas, felizes. E quando filhos gêmeos se dispõem a servir à Igreja… Louvado seja Deus!

Nos altares das igrejas católicas mundo afora, os gêmeos mais conhecidos são os santos Cosme e Damião. Mas eles não eram padres. Eram médicos que não mediam esforços para atender os mais pobres sem cobrar dinheiro. Os dias 26 e 27 de setembro são dedicados a esses gêmeos santos de origem árabe que, vítimas de perseguição, foram mortos no ano 300 d.C.

No Brasil, não há dados oficiais que contabilizem padres gêmeos. Como não são muitos os casos, quando existem, chamam a atenção dos fiéis. Na Arquidiocese de Niterói (RJ), os padres Wellington e Wallace Dahan dos Santos confundem os desavisados. Wellington é pároco da Santíssima Trindade, em São Gonçalo. O irmão gêmeo é pároco na catedral São João Batista, no centro de Niterói. 

Na Arquidiocese de Maringá (PR), o padre Vanderley dos Santos Rigon foi ordenado em 2016, dois anos após a ordenação de seu irmão gêmeo, padre Vanilson. Os irmãos estão hoje com 34 anos e trabalham a menos de 50 quilômetros de distância: Vanderley é pároco da Imaculada Conceição, no município de Floraí, e Vanilson, pároco de Santo Expedito, em Maringá. 

Há ainda os padres Breno e Bruno Oliveira Rabelo, que foram ordenados em 2018, na Diocese de Quixadá (CE), e os padres Ivam e Ivanor Macieski, que são de Joinville (SC) e que já foram confundidos no altar, e nem se importaram em corrigir o erro, uma vez que o ministério era legítimo e a humildade do servo não interfere no mistério da Eucaristia. Os gêmeos Francisco e Luiz Inácio Ledur são padres há trinta anos na Arquidiocese de Porto Alegre (RS).

Padres gêmeos a serviço do Reino

A última ordenação em dupla aconteceu em Camaragibe, região metropolitana do Recife (PE). Os gêmeos recifenses Henrique e Emerson Aguiar foram ordenados padres em dezembro de 2020, para servirem à ordem religiosa saletina. 

Padres gêmeos
Pe. Henrique e Pe. Emerson – Foto de Tiago Cabral

Aos 32 anos, Henrique é vigário paroquial na Paróquia Nossa Senhora de La Salette, no Rio de Janeiro (RJ), e Emerson é vigário paroquial na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Valença (BA). “Acredito que seja uma graça de Deus. Sempre gostei de ser gêmeo e meu irmão partilha do mesmo sentimento. Desde crianças, vestimos roupas iguais, e isso nunca nos foi uma imposição, mas uma vontade. Minha vocação aconteceu mais cedo, aos 12 anos: eu trazia os folhetos da missa para casa e brincava de celebrar, consagrando biscoito Maria. Meu irmão brincava de missa comigo. Aos 17 anos, ele resolveu também seguir a vida religiosa”, conta o padre Henrique.

Segundo o padre Henrique Aguiar, são pelo menos dois os movimentos para a fecundidade da vocação: em primeiro lugar, a oração; em segundo lugar, o testemunho. “A família que reza por seus filhos alcança neles o despertar de uma boa vocação, seja para o sacerdócio, o matrimônio ou uma profissão; e o testemunho de pais e padres é também fundamental para a escolha de servir a Deus e à Igreja”, comenta.

O início como coroinhas

O paroquiano Valdir Silva fala sobre o sentimento ao testemunhar a ordenação dos padres Henrique e Emerson. “É uma visão muito bonita, uma emoção gigante, um momento inesquecível, principalmente quando nos lembramos da imagem dos dois quando eram coroinhas aqui na paróquia”, revela.

coroinhas gêmeas
Victória e Vitória têm 18 anos – Foto: Arquivo Pessoal

Sim, a dupla de padres foi, antes, uma dupla de coroinhas. Por oito anos, os irmãos serviram na paróquia Pio X, em Camaragibe, que faz parte da Arquidiocese de Olinda e Recife. Nessa arquidiocese, coroinhas gêmeos são relativamente comuns. Em sua maioria, foram incentivados pelos pais ou avós, corroborando o pensamento do padre Henrique. “Acho bonito minhas filhas ajudarem na igreja, porque elas são muito unidas e tudo que fazem para Deus é também uma alegria para mim”, diz Simone Maria, mãe de Victória Stefhany e Vitória Karolayne, de 18 anos. “A gente gosta de fazer as coisas juntas”, completa Victória; as irmãs ajudam na paróquia Sagrado Coração de Jesus, também em Camaragibe.

Ana Clara e Beatriz Simões Mattos têm hoje 16 anos e fizeram o curso de coroinhas há cinco anos na paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Madalena, em Recife (PE). Foram as primeiras meninas a auxiliar os sacerdotes redentoristas, que sempre tiveram meninos na função. A mãe das gêmeas, Ana Elisabete Simões, é médica e, apesar de ter feito a inscrição das filhas no curso, sempre deixou claro que não era uma obrigação continuar, caso não gostassem. “Mas graças a Deus elas se identificaram com a Igreja e até hoje gostam muito do que fazem”, conta a médica.

coroinha
Yuri e Gabriel têm 12 anos – Foto: Arquivo Pessoal

Em todos os relatos de vocação em dobro, está o sentimento de gratidão a Deus pelo presente divino que é estar em unidade com a Igreja. Deus, que é três pessoas em uma, vive em cada par que O serve.

Na paróquia Nossa Senhora de Lourdes, no bairro de Cavaleiro, em Jaboatão dos Guararapes (PE), Yuri e Gabriel Ebbers, de 12 anos, são o orgulho da avó, Marlene Almeida. “Sou da Pastoral Familiar e tenho a maior alegria em ver na missa esses dois anjos que levei para a catequese bem pequeninos”, diz a avó. “Espero que sigam felizes no serviço à Igreja, mesmo que não se tornem padres, porque o importante é manter a fé e ajudar a comunidade”, conclui.

Luciana Falcão é jornalista e publicitária. Ex-aluna das irmãs salesianas (FMA), por muitos anos fez produção de TV. Foi assessora de imprensa da Agência Ambiental do Estado de Pernambuco (CPRH) e hoje trabalha na Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de Olinda e Recife.

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