Especial 3 Palavras de Francisco para as famílias: obrigado – episódio 3

Artigos Recentes

Agradecer faz parte da linguagem de Deus

Por Juliana Borga

Seguindo com esta série especial, chegou a vez da palavra “obrigado”. Na audiência geral do dia 13 de maio de 2021, o Papa Francisco afirmou: “Sejamos intransigentes na educação à gratidão: a dignidade da pessoa e a justiça social passam por aqui. Se a vida familiar subestima este estilo, a vida social também o perderá. A gratidão, para quem crê, está no coração da fé: um cristão que não sabe agradecer é alguém que esqueceu a linguagem de Deus”.

Apesar de ser uma palavra comum e bastante presente no dia a dia das pessoas, a palavra “obrigado” tem uma importância ímpar no contexto familiar. Afinal, é quase uma obrigação agradecer às pessoas no ambiente de trabalho, na rotina escolar, nas atividades pastorais, mas o mesmo nem sempre acontece dentro de casa! “Quando falamos de família, amigos, namorados e outros grupos de pessoas que se encontram com mais frequência, temos a falsa crença ou impressão de que não é necessário dizer ‘obrigado’, pois parece que nossa gratidão é óbvia, mas não é!”, explica o fundador da Comunidade de Aliança Magnificat, escritor, cantor e compositor, padre Reginaldo Carreira.

Que tal agradecer o almoço que a mãe fez com tanto carinho? Agradecer o empenho do pai naquele dia de trabalho, ou ainda agradecer pelo copo de água que foi levado até o sofá pelo filho? Atitudes assim podem fazer toda diferença na evolução e na maturidade de uma boa convivência. “Talvez a gente possa dar um passo a mais e agradecer por aquilo que se é: pela pessoa que está ao seu lado, pela alegria de poder conviver, pelo simples fato de existirem neste momento da história e estarem juntos, independentemente de tantos desafios”, acrescenta padre Reginaldo Carreira.

“Obrigado” deve ser uma palavra comum na rotina da família.

Estar atento ao outro no convívio diário faz a gente correr o risco, mesmo com a intenção de ajudar e fazer crescer, de priorizar a atenção ao erro. É comum os pais, na ânsia de corrigir os filhos, priorizarem o erro e não a conquista, a derrota e não a vitória. “Se os pais valorizam o bem que os filhos realizam, eles tendem a melhorar naquilo que já são bons, mas, se priorizam só o lado ruim ou os erros deles, a longo prazo eles podem compreender que serão vistos só quando fizerem algo ruim, serão olhados apenas quando fizerem algo que mereça crítica ou correção, terão a atenção pelo mal e não pelo bem”, explica o padre.

Em seu discurso sobre as três palavras essenciais para as famílias, o papa revelou ter conhecido uma senhora de muita “sabedoria”, que dizia que “a gratidão é uma planta que cresce somente na terra de pessoas de alma nobre”. Ser gentil e dizer “obrigado” não é mais visto como sinal de fraqueza há muito tempo. Que a gente possa valorizar a dádiva que é poder agradecer pelo outro, agradecer ao outro, agradecer a Deus e ser grato pela vida. Toda atitude de gratidão gera algo positivo e atrai serenidade e bênção. “A Palavra de Deus já nos propõe que em tudo devemos dar graças; esse é o respeito à vontade de Deus! (cf. 1 Tessalonicenses 5,8). Por isso, em tudo demos graças, em tudo sejamos gratos, e manifestemos isso, especial e primeiramente, em nossa família! Inclusive, numa postura de confiança, agradeçamos até mesmo pelos momentos difíceis. Não é agradecer pela dor, é agradecer porque Deus nos mantém de pé diante da dor. Ele nos mantém firmes para suportar e superar as lutas do dia a dia. Que a nossa gratidão seja mais visível, mais concreta e mais completa”, finaliza padre Reginaldo Carreira.

No próximo episódio será a vez de falarmos sobre a palavra “desculpa”. Fique atento!

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Helder Camara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada