O ar que nos envolve e nos protege

Artigos Recentes

Hoje, como nunca, a humanidade sabe o quanto o ar é imprescindível para a sobrevivência

Por Carmen Maria Pulga

Viver na Terra é como viver no fundo de um mar imenso. A diferença está apenas na substância que a envolve. O grande oceano que nos cobre, que circunda nosso planeta, a atmosfera, é um oceano de ar, fora do qual não poderíamos viver. Seríamos como peixes fora da água.

A atmosfera constitui a massa gasosa de muitos quilômetros de altura e envolve a Terra, acompanhando-a em seus movimentos pelo espaço. A atmosfera participa também nos movimentos de translação da Terra, concluindo uma volta ao redor do Sol a cada 365 dias.

Durante o dia, essa capa de ar serve como um imenso guarda-chuva a proteger nosso planeta pela absorção de grande parte da força do Sol. Sem essa proteção dos raios solares, a temperatura da Terra seria superior à da água fervente. Imagine você, como poderia ter vida em um caldeirão de água na temperatura de 110 graus?

Em sabedoria, favorável à vida em nosso planeta, à noite, o ar atua como um gigantesco cobertor que impede que se perca no espaço o calor aprisionado durante o dia. Se esse calor escapasse, a temperatura na Terra poderia cair, à noite, a 185ºC abaixo de zero. Frio que não poderíamos suportar. A atmosfera, ainda, retém e queima, por atrito, praticamente todos os milhões de meteoritos que, provindos do espaço sideral, caem no campo da gravidade da Terra. Se todos esses corpos celestes chegassem até aqui, a superfície da Terra seria pontilhada de crateras tal qual a face da Lua.

Devido às diferenças de aquecimento de suas camadas e também devido à diferença de temperatura das diversas regiões, o ar forma os ventos. Notamos o movimento do ar pelo deslocamento das coisas na Terra. O vento que balança a folha das árvores, move os moinhos das salinas. Embora não percebamos, o ar tem peso. Portanto, ocupa lugar no espaço, e se faz matéria, como o ferro, a madeira etc.

Características do ar

O ar é imprescindível à vida, não só dos humanos, como também dos animais e vegetais, pelo oxigênio que contém. O ar atmosférico é um gás incolor, sem cheiro e sem sabor. Antigamente, pensava-se que ele formava uma substância única; hoje, sabemos que ele é constituído por uma mistura de gases, grandes quantidades de poeira, micróbios, partículas de carvão, pólen de flores etc.

Como a água, o ar é um elemento muito espalhado, encontrando-se não só na atmosfera, como também infiltrado no solo e dissolvido na água. Ele se dissolve nos mares, rios, lagos, permitindo a respiração dos animais e plantas aquáticos.

Os seres vivos retiram constantemente oxigênio da atmosfera e lançam o gás carbônico. No entanto, a composição do ar é constante. É que os vegetais, além da respiração, possuem outra função, a fotossíntese, pela qual aspiram o gás carbônico da atmosfera e expelem de si o oxigênio. Dessa maneira, o gás carbônico não se acumula no ar.

O ar e as doenças

Pixabay.com

O ar pode transportar seres vivos muito pequenos, invisíveis ao olho humano. São os micróbios, que, ao entrar em contato com o nosso corpo, podem causar doenças.

É por essa razão que muitas doenças que adquirimos nem sempre surgem apenas pelo contato direto com as pessoas doentes. Os micróbios que provocam doenças são transmitidos através da respiração, pelo ar, onde ficam flutuando vivos até encontrar outra pessoa para atacar. Animais voadores, como morcegos e insetos, moscas e pernilongos, podem provocar doenças ao transportar micróbios de um corpo para outro.

Atualmente, parece haver consenso entre pesquisadores e cientistas de que a Covid-19 pode propagar-se pelo ar, como outras epidemias: tuberculose, sarampo e catapora, mesmo que essa não seja sua principal forma de transmissão.

A hipótese é de que o coronavírus seja transmitido por aerossóis, partículas menores ainda que as gotículas. “Falar, espirrar, tossir podem gerar aerossóis que permanecem no ar, viajam mais de dois metros e podem se acumular no ar da sala”, explica a química atmosférica Kimberly Prather, da Universidade da Califórnia.

“Os casos de superpropagação só podem ser explicados por aerossóis: todos respiram o mesmo ar em uma sala fechada e com pouca ventilação”, afirma Prather. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a transmissão da Covid-19 pode ocorrer durante procedimentos médicos que geram aerossóis.

Em carta aberta enviada à OMS e publicada no periódico científico Clinical Infectious Diseases, 239 especialistas de 32 países apontaram indícios de que partículas flutuantes do vírus podem infectar indivíduos que as inalam. Daí a importância de cuidarmos do ar, que, junto com o solo e a água, compõe nosso meio ambiente, o hábitat da vida. Nesse sentido, vale ressaltar também que em muitos locais do mundo, sobretudo nas grandes cidades, o ar tornou-se poluído, o que tem gerado muitas doenças respiratórias e neurológicas.

Carmen Maria Pulga é filósofa, teóloga, mestra em Novas Tecnologias da Comunicação e autora do livro A pétala, da Paulinas Editora. Gosta de arte, desde a culinária até a sucata, e ama ler os autores mais ecléticos.

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada