Diagnóstico precoce salva vidas

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Novembro Azul completa uma década este mês e tem como objetivo conscientizar sobre o câncer de próstata

Por Luciana Rocha

Diferentemente do que muitos imaginam, o Novembro Azul foi criado no Brasil pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, em 2011. “A ideia nasceu depois que um grande amigo, que era urologista, faleceu de câncer próstata. Eu prometi a ele que abraçaria a causa e faria o possível para levar informação qualificada aos quatro cantos do País e ajudar a aumentar o número de homens que tivessem o diagnóstico precoce da doença. As chances de cura superam os 90%, quando tratada na fase inicial”, explica Marlene Oliveira, presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida.

A iniciativa é uma evolução da campanha “Um toque, um drible”, criada em 2008. Na época falava-se prioritariamente da importância de realizar o exame para o diagnóstico precoce do câncer de próstata. “Em 2011, decidimos evoluir e, inspirados pelo Outubro Rosa, lançamos no Brasil o Novembro Azul, para dar mais visibilidade ao tema e envolver toda a população, e não só a masculina. Já era consenso que muitos homens ‘terceirizam’ os cuidados com sua saúde para esposas, companheiras, filhas e irmãs”, diz Marlene.

De acordo com ela, a Campanha foi um divisor de águas no que se refere à saúde do homem no Brasil. “Antes dela, não havia nenhuma iniciativa dedicada a alertar a população masculina para a importância dos cuidados com a saúde. Pouco se falava sobre câncer de próstata e, quando isso ocorria, vinha sempre acompanhado do preconceito com relação ao exame do toque retal. Uma parcela dos homens ainda acha que o procedimento pode influenciar a sua virilidade e masculinidade”, ressalta.

A presidente do Instituto destaca também que o trabalho de conscientização enche de orgulho e transmite a sensação de papel cumprido. “Temos muito ainda a caminhar, mas devemos reconhecer os resultados e colher os frutos. Nosso objetivo é transformar a mentalidade dos homens brasileiros e difundir a necessidade da prevenção e do autocuidado”, afirma.

Doutor Victor Srougi, urologista do Hospital Moriah, fala da importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Cuidado e exames

O ano era 1959. Antônio Garcia de Macedo, então com 72 anos, faleceu vítima de câncer de próstata. Quando foi diagnosticado, a doença já estava em estágio avançado. Estamos em 2021. O fato ocorrido com o avô fez com que o administrador de empresas Luís Henrique Medeiros Macedo, de 55 anos, ficasse atento. Desde quando tinha 34 anos, ele faz exames regularmente. “Vou regularmente ao urologista e faço tomografia a cada dois anos. Meu pai e meus irmãos fazem os exames solicitados e acompanhamos de perto qualquer alteração”, relata Luís.

Diagnóstico precoce

O câncer de próstata, tipo mais comum entre os homens, é a causa de morte de 28,6% da população masculina. No Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata, segundo dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Em valores absolutos e considerando ambos os sexos, é o segundo tipo mais comum de câncer. O Inca também aponta para o surgimento de 65.840 novos casos a cada ano, entre 2020 e 2022. Mas a boa notícia é que os exames levam a um diagnóstico precoce que leva à cura! Quanto mais cedo a doença for descoberta, maior as chances de cura, e esse número ultrapassa 90%.

Novembro Azul
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De acordo com o urologista do Hospital de Clínicas do Ingá e membro da Sociedade Brasileira de Urologia, Luiz Otávio Ferreira de Souza Nazar, os sintomas do câncer de próstata só aparecem em fases mais avançadas, quando o paciente passa a apresentar sangramento na urina e dificuldade para urinar. Isso faz com que o homem se preocupe e procure o atendimento médico.

Envelhecimento da população

Segundo o INCA, mais do que qualquer outro tipo, o câncer de próstata é considerado da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O médico Luiz Otávio afirma que houve aumento no número de casos e o principal motivo é o envelhecimento da população brasileira. De acordo com ele, em 2060 o Brasil terá mais velhos do que jovens. “A tendência de envelhecimento da população vem se mantendo e o número de pessoas com mais de 60 anos no país já é superior ao número de crianças com até 9 anos de idade. Dessa forma, os 7 milhões e meio de novos idosos que ganhamos de 2012 a 2019 representam o aumento de 30% desse grupo etário. Isso faz com que doenças de idosos, como câncer e doenças cardiocirculatórias, sejam mais comuns. O câncer de próstata é o mais frequente no homem e, consequentemente, houve um aumento expressivo de casos”, explica o médico.

Existem causas comuns da doença e o maior fator de risco é o hereditário. “Pacientes que têm pai ou tio com câncer de próstata têm 10 vezes mais chance de desenvolver esse tipo de câncer do que a população normal. Então, história familiar positiva é o principal fator de risco. A raça também temos que levar em consideração. A raça negra é um fator de risco importante. Outros pontos são idade, tabagismo, obesidade, sedentarismo, alterações genéticas e má alimentação”, finaliza o urologista.

Luciana Rocha é jornalista, especialista em Jornalismo e Práticas Contemporâneas e mestra em Comunicação Social e Tecnologia. É mãe da Beatriz, acredita no bem e sonha com um mundo mais humano e justo. Deus sempre em primeiro lugar!

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