Lições aprendidas com os móbiles de feltro

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Através do artesanato é possível reinventar-se!

Por Roseli Santos Adami

Já parou para pensar em suas capacidades, nas habilidades que você jamais imaginou que tivesse? Nestes tempos de pandemia, muitos se reinventaram, mudaram de profissão, se descobriram em novas atividades, arriscaram e conseguiram.

Inúmeras pessoas se arriscaram no artesanato ou para aumentar a renda familiar, ou mesmo para ocupar-se, distrair-se, e acabaram tomando gosto pela atividade. E como não tomar gosto pela arte? Através do artesanato é possível criar, colocar sua personalidade, desenvolver a coordenação motora, a criatividade e a imaginação.

Quando eu estava grávida, em 2009, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a gripe suína pelo H1N1 uma pandemia. As grávidas ficaram isoladas em suas casas. Nessa temporada em casa eu descobri o móbile de feltro. O móbile na arte se originou com o americano Alexander Calder, que, quando criança, fazia seus próprios brinquedos. Calder foi o primeiro escultor a acrescentar movimentos em suas esculturas, e o termo “móbile” remete à ideia de movimento. Suas obras tinham equilíbrio, harmonia, suavidade.

O feltro e suas utilidades

Com o feltro é possível fazer uma variedade de coisas. Desde a antiguidade, o feltro era bastante utilizado para fazer roupas, tapetes, cobertas, devido a sua textura macia e a facilidade de manuseio na costura. Antigamente sua fabricação era mais natural; hoje, é mais sintético. Contudo, continua sendo o queridinho no artesanato. Além de ser utilizado como forro em peças, é também apreciado no acabamento das obras artísticas. Tem uma variedade de cores e aceita em sua costura linhas de várias espessuras.

O trabalho com feltro exige paciência e capricho. Se houver dificuldade com o desenho do molde, encontram-se muitas opções na internet que podem ser usadas livremente como referência, pois muitos artistas disponibilizam seus trabalhos sem cobrar direitos autorais; eles acreditam na partilha das ideias para fazer o bem às pessoas.

Ensinamentos do móbile de feltro

Feltro passo a passo
Foto: Roseli Santos Adami

Estando em casa, cuidando de mim e do bebê em plena pandemia de H1N1, resolvi trabalhar na decoração do quarto do meu filho fazendo os móbiles de feltro. Era minha primeira experiência com esse tipo de material, e confesso que deu supercerto. Utilizei moldes de livros, fiz os recortes, a costura e o preenchimento com fibras sintéticas antialérgicas, próprias para o enchimento das peças feitas com feltro. Não precisa ter habilidade com a costura, mas sim atenção, paciência e, acima de tudo, amor, apreço pelo seu trabalho, colocando nele a sua personalidade.

Além do mais, a costura nesse processo de unir as partes com a linha nos permite refletir sobre o que precisamos unir em nossa vida, qual a linha que permeia as partes e nos faz mais seguros. Minha experiência com os móbiles de feltro foi maravilhosa, pois a motivação era uma vida pulsando em mim. Meu filho tem hoje 12 anos e ainda tenho os móbiles que fiz na gravidez.

Hoje eu utilizo as peças como dinâmica com meus alunos nas aulas de arte, mas este é outro assunto. O ser humano é criativo e capaz, mesmo quando pensa não ter afinidade para certas coisas; quando coloca sua força, sua energia, seu interesse, o resultado aparece. Talvez não de primeira, mas insistindo e acreditando que vai conseguir. O importante é não desistir.

Roseli Santos Adami é professora de Artes na Rede Estadual do Paraná. Desde criança, gosta de desenhar, pintar, escrever, cantar e tantas outras coisas lindas da vida. Ama sua profissão e, por isso, fez especialização em Educação Especial e Neuropsicopedagogia, para compreender melhor seus alunos.

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