Meditação: como a prática milenar tem ajudado jovens cristãos

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A meditação tem vários benefícios, entre eles, estão a ativação de regiões cerebrais ligadas à alegria e ao contentamento

Por João Dias

O aumento da ansiedade e do estresse com a pandemia gerou impactos na vida de todos, e não foi diferente com a do jovem. A vida tão agitada, informatizada e com inúmeros desafios agora parece estar de ponta-cabeça, fora do eixo. Com isso só resta mais um desafio: encontrar o equilíbrio. Como? 

Dentre tantos caminhos que ganharam destaque sobre como encarar as mudanças advindas da pandemia, mantendo a saúde mental, um deles é a meditação. A prática com origem no Oriente, ao que tudo indica, surgiu na China e na Índia, que é de onde vêm os mais antigos relatos. E ao longo dos séculos foi se disseminando pelo mundo. 

Segundo levantamento do Google, os termos “meditação” e “mindfulness” (ou “atenção plena”) atingiram o recorde de pesquisa dos últimos 16 anos em relação ao ano de 2019. Além disso, a pergunta “Como fazer meditação para ansiedade?” cresceu 4.000% e a consulta sobre “benefícios da meditação” chegou a 200%.

Fundamentos da meditação

A meditação não é um esporte nem é um jogo, mas sim uma prática. Ela baseia-se em pilares fundamentais como “atenção e concentração”, “persistência”, “equanimidade” e “não julgamento”, “emoções e respiração”, “atenção ao momento presente”, “devoção espiritual”, “promoção da felicidade interior” e muitos outros.

Todos esses fundamentos visam benefícios que refletirão na mente e no corpo, trabalhando ambos de forma conectada. Esses benefícios já foram comprovados pela ciência, que constatou que a prática ativa regiões cerebrais ligadas à alegria e ao contentamento, resultando na liberação de substâncias responsáveis pelo prazer, como as dopaminas.

Jovem e meditação

Meditação cristã
Mariana Marcon Cadorin afirma que por ser uma pessoa ansiosa, a meditação a ajuda. Arquivo Pessoal

Para realizar a prática, não há limite de idade. Ela não é para um grupo específico, tampouco para uma idade apropriada; é para todos, ainda que pareça uma contradição falar em juventude e meditação. Na prática, não é o que vem acontecendo.

Mariana Marcon Cadorin, de 25 anos, advogada e estudante de Economia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), procurou pela prática devido à sua ansiedade. Ela comenta que já presenciou o estranhamento de pessoas quando diz que faz meditação. “Quando eu falo para as pessoas que eu faço meditação, a primeira pergunta é: ‘Mas como você consegue parar e fazer meditação?’. Acho engraçado, porque é justamente o contrário; é por eu ser ansiosa que gosto da meditação. Eu desacelero”.

Para o professor Malone Rodrigues, Bacharel em Filosofia pela PUCRS, especialista em Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização, um dos desafios do jovem em relação à meditação é o aspecto biológico. Primeiro, porque seu organismo está em fase de mudanças e transformações e, segundo, porque está constituindo sua vida pessoal, acadêmica, profissional. “O jovem faz muitas coisas”, afirma ele.

Jovem e a quietude

O professor conta que é possível fazer um paralelo com Madre Teresa de Calcutá, que não buscava uma vida contemplativa; ao contrário, ela desejava que as Missionárias da Caridade tivessem vida ativa, ou seja, trabalhassem, cuidassem dos pobres. No entanto, a Congregação decidiu que mesmo na agitação era necessário criar um momento de silêncio, um ramo da vida contemplativa; ela, então, construiu seu centro voltado para a vida contemplativa em Nova York, o epicentro da urbanização, globalização e, por que não, da agitação. Para o professor, o mesmo acontece com a juventude. “Mesmo que o jovem viva em constante agito, existe um momento em que sente a necessidade de buscar a quietude.”

À luz do documento Christus Vivit (Exortação apostólica Pós-Sinodal aos jovens e a todo o povo de Deus, n. 224), o professor elucida que “não se subestimem os jovens como se fossem incapazes de abrir-se a propostas contemplativas; basta encontrar os estilos e modalidades adequados para os ajudar a entrar nesta experiência de tão alto valor”.

Benefícios

Meditação cristã
Arquivo pessoal

Ao longo dos anos, a ciência passou a demonstrar maior interesse pela comprovação dos benefícios proporcionados pelas práticas contemplativas, como a meditação. Nesse sentido, há uma infinidade de pesquisas que evidenciam os benefícios cognitivos e de bem-estar. Para o professor Malone Rodrigues, o primeiro e mais relevante é a regulação do nível de estresse. “O estresse não é ruim, ele nos ajuda a sobreviver e a estarmos alertas. Ele contribui para que a gente tenha respostas diante dos desafios que vamos encontrando ao longo do dia.” O problema é quando esse estado se torna permanente, agravado pela pandemia, por exemplo.

Um segundo benefício é a respiração, que nivela para o “aqui e agora”, contribuindo para o bem-estar. E o terceiro benefício é a conexão com nosso interior, contribuindo para o “despertar” do propósito.

E ainda que essa não seja uma pesquisa científica, necessariamente todos esses benefícios são comprovados por Mariana Cadorin. Ela afirma que, “apesar de ter começado a prática recentemente, se sente muito mais tranquila, além do olhar diferente pra gente, como a compaixão por nós e pelo o outro. Acaba sendo uma reflexão para outras situações da vida também”. 

Por onde começar a meditar?

Talvez você já tenha pensado na meditação, mas não sabe como fazer nem por onde começar. Calma, você não está sozinho. Reunimos algumas dicas dos nossos entrevistados, e aí vão elas: 

● Criar um espaço de silêncio de 5 minutos; 

● Reservar um horário na agenda todos os dias;

● Começar dando uma chance para a busca interior;

● Procurar locais e profissionais adequados, especializados, que exerçam a prática de forma correta;

● Participar de grupos de meditação; 

● Não há malefícios, experimentar é o melhor caminho.

Serviço

A PUCRS oferece práticas online, gratuitas e abertas para a comunidade em geral, com foco em “meditação cristã”. São elas: Meditação Maranatha e Meditação SLOW Online.

João Dias é jornalista, especialista em Marketing Digital pelas faculdades Cásper Líbero e USP de São Paulo, empresário e palestrante. Gosta de ensinar e de escrever; acredita que a educação é a ferramenta para a formação humana e a chave para a transformação social.

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