Um novo mandamento!

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5º Domingo da Páscoa

Evangelho: João 13,31-33a.34-35

Por Pe. Guilherme Schmidt

Amadas famílias! Que o Cristo Ressuscitado nos auxilie com os dons do Espírito Santo, a fim de bem acolhermos, meditarmos e vivermos a Palavra de Deus em família! 

O Evangelho do domingo passado nos convidou a rever nossos vínculos familiares, buscando a comunhão de amor, a exemplo da unidade entre Jesus e Deus Pai. Hoje, a Palavra nos convida a acolher o dom do verdadeiro amor, aprendendo com o próprio Cristo, que doa a sua vida, trilhando, assim, o autêntico caminho do discipulado cristão. 

Bíblia
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O relato de hoje é legitimamente pascal! Após Judas sair do cenáculo, Jesus afirma ter chegado a sua hora de ser glorificado, restando-lhe pouco tempo para permanecer junto aos discípulos. Ao fazer isso, ele lhes doa um novo mandamento: o de amar uns aos outros, como Ele nos amou. Esse amor, vivido à imagem do amor de Cristo, deve ser o distintivo dos seus amigos, seguidores e discípulos. 

Que, em família, aprendamos a amar uns aos outros como Jesus nos amou, até o fim, enfrentando e superando as cruzes de cada dia, tornando mais fecundo nosso testemunho de famílias cristãs que acreditam na força do amor, para além de todos os obstáculos! 

O doar de Jesus e o nosso doar em família

Ao se aproximar do momento de sua entrega e morte na cruz, a atitude de Jesus revela o que foi o significado de toda a sua vida. Ele doa um novo mandamento: “Amai-vos uns aos outros!”. Não se trata de um novo ensinamento, uma nova doutrina ou algo que Ele apresenta como uma ideia. Não! Ele doa o que significa a continuação da sua vida e do seu coração em cada um dos seus discípulos, pela vivência do amor. 

O que estamos dando uns aos outros em família? Presença? Afeto?

Idoso
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Cada vez mais, os casais se ocupam de coisas externas, causando vazios e distanciamentos, e, muitas vezes, na tentativa de se remediar a falta de tempo e atenção, se entulha o outro de presentes fúteis e caros. Assim acontece também – e talvez seja o pior – na relação dos pais com os filhos, quando, na correria do dia a dia, não se tem tempo para brincar e ajudar nas lições da escola, quando falta tempo para estar juntos, para ouvir e perceber o que os filhos realmente precisam e estão sentindo. Acontece também em relação aos nossos idosos, quando os filhos e netos, por demais ocupados, doam – na melhor das hipóteses – a presença de alguém estranho para ampará-los e cuidar deles. 

Que em família possamos redescobrir o que realmente dá sentido aos nossos vínculos, vivendo e doando o amor, o carinho e a presença de que cada um necessita! 

Família: caminho de discipulado

“Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos!” Os tempos e as circunstâncias mudam para todas as famílias, no entanto, cada vez se faz mais atual e necessária tal afirmação de Jesus. Vivendo em um contexto de mundo marcado pela discórdia, pelas guerras, pelo egoísmo e por tantas atitudes maléficas para o ser humano e para a sociedade como um todo, acolher o mandamento do amor e se propor a vivê-lo concretamente se impõe não como uma tarefa fácil, mas intrínseca ao nosso ser cristão. 

Amor
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Popularmente se diz que as palavras convencem, mas os exemplos arrastam. Por isso, nossas famílias, inseridas na sociedade marcada e ferida de tantas formas, são chamadas a ser sinal e instrumento do amor de Jesus, como Ele nos amou, isto é, até as últimas consequências, sem escolher a quem e se fazendo irmão e próximo de cada pessoa. 

Um amor que se converte em palavras não causa efeitos e não faz a diferença no mundo. Uma vez que nos dispomos a viver como famílias cristãs, é imprescindível moldar nosso modo de ser, pensar, falar e agir ao modo de Jesus. O caminho do discipulado que trilhamos em família passa pelo amor que se doa aos membros do nosso lar, fundamentalmente, mas ele deve se estender a todos que precisam enxergar, em nosso jeito de ser, o jeito e o amor de Jesus.

Que cada família se configure em um caminho de discipulado e em uma escola de amor fraterno!

 Deus abençoe as nossas famílias! 

Padre Guilherme Schmidt é pároco da Paróquia São Patrício, em Itaqui (RS). Graduado em Filosofia e Teologia, pós-graduado em Bioética e Pastoral da Saúde e em Mediação e Acompanhamento Pastoral de Famílias. Gosta de chimarrão, de ler e de escrever como forma de estar em paz e de expressar seus sentimentos.

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