Crônica: Como é que as mães se eternizam

Artigos Recentes

Por Carmen Maria Pulga

Hoje não vou homenagear as mães coroando-as de atributos, mérito já consagrado. Hoje vou desvendar a fibra das mães heróicas. Mostrar de onde extraem sua força capaz de criar e recriar até se eternizarem por sua bravura e resistência. 

Vou me inspirar num fato que, dias atrás, inundou as redes sociais: “Olga Semidyanova foi morta no dia três de março durante um confronto com as tropas russas na Ucrânia. A mulher é homenageada como uma heroína na Ucrânia por ter 12 filhos (seis biológicos e seis de um orfanato local) e por ter ido defender o seu país na linha de frente na guerra.” Esta manchete estava em destaque na mídia internacional e a notícia foi divulgada no Twitter por Inna Sowsun, Vice-Presidente do Conselho Supremo da Ucrânia. Olga, Mãe Heroína a Heroína Nacional. 

Está prescrito que: “Heróis não morrem”. Eu diria que morrem sim, porém se eternizam. Eternizam-se porque se doam. As Mães com letra maiúscula, as mães heroínas, também morrem, mas ficam eternamente no coração dos filhos, nos versos, na arte, na prece, na música, nas páginas da história. 

Mãe
Pexels Andrea Piacquadio 3768131

As mães que se eternizam são heroínas em vida. Como é que elas permanecem, senão porque nos moldaram com a coragem dos heróis, colocando nossas necessidades à frente das suas? Como é que elas ficam tatuadas em nossos sentimentos e lembranças, senão porque nos desenharam com afeto, nos corrigiram com precisão e nos pintaram com as cores da vida? Como é que suas palavras reverberam em nossa memória, senão porque moduladas com ternura e firmeza? Como é que elas nos esperam de braços abertos até à porta do paraíso, senão porque conquistaram o coração de Deus?

Toda a obra que se perpetua é porque – produzida nas entranhas e banhada de amor – brota nova e encantadora. E a mãe está lá na gênese de cada novo rebento, de cada nova história. 

Mãe
Freepik.com

As pessoas se eternizam pela forma com que deixam seu legado. Olga, a ucraniana, mãe e médica, fica eternamente lembrada pela coragem com que defendeu a vida. “Ela salvou os soldados até o fim”. Testemunhou uma das filhas.  “… quando o país precisava de gente, ela não podia ficar de lado, tinha que defender a Ucrânia. É uma escolha dela, ninguém a obrigou. Todos são importantes neste momento”, registrou outra filha. Fonte, origem, coautoras da vida, as mães são grandes artistas. Mesmo pequeninas e frágeis são fortaleza e segurança para os filhos e para o país. Heroínas, sempre na linha de frente, se eternizam por sua bravura e prontidão. 

A guerra ainda não acabou e Olga grita alto: Salvem a vida! Não se ajoelhem diante dos gananciosos. Não deixem a violência sufocar os sonhos de seus filhos, os ideais da sua Pátria. Continuem sustentando a sociedade com acordos de paz. Fortaleçam os fios do cultivo, do cuidado, dos processos que alimentam a vida. Não se acovardem nem retrocedam. Avante! Nossos esforços hoje escreverão uma nova história, se tivermos a coragem de estar na linha de frente para curar, atender, socorrer, recuperar e refazer os caminhos que protegem a vida e constroem a paz. 

Carmem Maria Pulga é filósofa, teóloga, mestra em Novas Tecnologias da Comunicação e autora dos livros A pétala e O divino livro proibido, ambos publicados pela Paulinas Editora. Gosta de arte, desde a culinária até a sucata, e ama ler os autores mais ecléticos.

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada