O poder da leitura em tempos de pandemia

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A leitura nos proporciona a melhor forma de explorar o mundo sem sair de casa

Por Dalila Lima

Há quase dois anos, o mundo inteiro adotou o isolamento social como medida preventiva para a não propagação da Covid-19. Com essa mudança, a rotina das pessoas foi totalmente transformada e a incerteza de como seria o futuro diante desse vírus passou a fazer parte do nosso cotidiano.

Entre os cuidados de higienização (lavar as mãos, usar álcool em gel e máscaras), recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), inclui-se, também, um olhar atencioso para nós, pois, diante de toda esta nova realidade e o não saber, passamos a ficar mais estressados, depressivos, tristes e ansiosos. “É normal que em momentos de dificuldades o nosso comportamento saia do padrão, já que esses eventos adversos exigem de nós novas formas de reagir, para que a situação seja resolvida da maneira mais assertiva. No entanto, com a pandemia, não tínhamos um repertório para enfrentá-la corretamente. Tudo era desconhecido, inclusive características do vírus. Logo, as reações foram as mais diversas possíveis: pessoas que entraram em desespero a pessoas que não deram importância”, explica o psicólogo Jardan Chandley dos Santos Leal.

Portanto, podemos encontrar na leitura e na escrita fiéis aliados nesse combate aos sentimentos negativos. Os livros nos ajudam a viajar pelo mundo sem sair de casa. “Particularmente, como psicólogo, sempre exalto a importância da leitura para meus pacientes. A leitura é uma forma de abstrair a mente, de melhorar a cognição e, sobretudo, ajuda nos transtornos de ansiedade e depressão; transtornos esses que aumentaram exponencialmente durante a pandemia”, completa o psicólogo.

A estudante de Medicina e amante dos livros Débora Maria do Nascimento Ferreira conta que a leitura sempre funcionou para ela como uma válvula de escape: “Todas às vezes que estava triste ou cansada e estressada das situações do dia a dia, era nos livros onde encontrava uma maneira de fugir e me desligar temporariamente da realidade. O meu dia só começava bem se eu tomasse café da manhã lendo, como também só ia dormir depois de ler uma página”, relata.

Os livros nos permitem conhecer o mundo, saber mais do passado; eles exploram a nossa imaginação. Ler nos ajuda a desenvolver nossas habilidades na comunicação.

E foi no hábito de ler que Débora encontrou uma alternativa para auxiliar sua saúde mental. Esse simples passatempo ganhou ainda mais importância em sua vida. Sempre, quando não estava estudando, a maior parte das horas livres era dedicada à leitura: “Tentei fazer uma conta de quantos livros li no último ano, mas realmente não consegui; cheguei a ler livros de 500 páginas em dois dias; às vezes, eu lia três livros de uma vez”, conta a jovem.

Para ela, a leitura funcionou positivamente, trazendo um distanciamento das redes sociais, da TV e de todo o caos trazido pela pandemia, permitindo um aprofundamento maior também nos seus estudos, que lhe rendeu aprovação do curso de Medicina em uma faculdade federal, por meio da nota do ENEM. Esse período fez com que ela aumentasse a sua coleção de livros (tanto físicos como digitais).

Desafios e aprendizagens

Durante este tempo em que o mundo parou, tudo teve que ser readaptado em tempo recorde. Os encontros com os amigos ou familiares passaram a ser exclusivamente por meio de uma tela de celular ou computador; o impresso migrou para o digital, como é o caso de revistas e jornais.

Kindle
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Quem imaginaria as missas acontecendo sem os fiéis? Padres celebrando de portas fechadas e nos bancos a presença deu lugar às fotos dos paroquianos. Salas de aulas tiveram que ser trocadas pelo silêncio do quarto. E mais uma vez o online, que antes já fazia parte da nossa vida, se tornou a nossa vida. “A leitura passou a ser praticamente toda em suportes digitais – artigos e livros em PDF, aplicativos de bibliotecas digitais. Alunos ainda não estavam 100% adaptados e tiveram que se adaptar em tempo curto, e sem dúvida foi uma mudança importante”, conta o professor universitário Adilson Rodrigues da Nóbrega.

Como aproveitar a leitura

Para que a leitura não se torne cansativa, é importante desenvolver alguns hábitos para tornar esse momento prazeroso e aproveitar ao máximo o livro.

Ler
Pixabay.com /Burova Official Photo

O psicólogo Jardan também dá dicas valiosas para quem quer iniciar-se na leitura ou mesmo para os leitores experientes: jamais devemos ler da mesma forma todos os livros. “Os de romance, por exemplo, devem ser lidos, se possível, sem parar ou intercalados com outros. Leiam imergindo na história, tentando se colocar no drama, e não ler para ‘se tornar mais inteligente’, mas para ter uma experiência existencial junto dos personagens. Para livros de ficção, teatro ou poesia, sugiro que se esteja aberto a experiências transcendentes, de encontro com a arte”, pontua.

A arte da acessibilidade

Preocupados com a saúde e bem-estar das pessoas na pandemia, quando muitos perderam entes queridos ou até mesmo tiveram a doença, as editoras se uniram à campanha “Fique em Casa” e resolveram disponibilizar desde e-books gratuitos de todos os gêneros até descontos em livros digitais e físicos. Para conhecer mais, acesse o portal: http://www.portalcomunicare.com.br/editoras-brasileiras-disponibilizam-e-books-gratuitos/.

Dalila Lima é jornalista, correspondente da Rede Vida no Ceará. Teve sua monografia entregue ao Papa Francisco e recebeu uma carta em agradecimento do Santo Padre. Instagram: @dalilalimajornalista.

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