“E vós, quem dizeis que eu sou?”

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24º Domingo do Tempo Comum

Evangelho: Marcos 8,27-35

Por Mery Elizabeth de Souza

Amados irmãos e irmãs, graça e paz a vós da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo! Neste 24º Domingo do Tempo Comum, continuamos a caminhar com Jesus pelas diversas cidades e realidades nas quais Ele passou fazendo o bem. Estamos, agora, no 8º capítulo do Evangelho segundo Marcos, que relata o contexto no qual Jesus faz uma pergunta aos seus discípulos, considerada central neste Evangelho: “Quem dizem os homens que eu sou?” (cf. Mc 8,28); “E vós, quem dizeis que eu sou?” (cf. Mc 8,29).

Jesus ouve duas respostas: a primeira parece ser do consenso geral; pensam que Jesus é João, o Batista; outros, que é Elias ou um profeta. Considerar Jesus um profeta tem uma parte de verdade; afinal, Ele também realizou a missão de anunciar a Boa-Nova e de denunciar os contravalores do Reino de Deus. A segunda resposta é a de Pedro, proclamada exatamente em um lugar onde havia sido construído um santuário pagão. É nesse local que Pedro reconhece Jesus como o Messias, o verdadeiro e único salvador, e diz: “Tu és o Messias” (cf. Mc 8,29). A resposta estava correta, mas precisava ainda ser esclarecida, pois Jesus não correspondia ao Messias que estava sendo esperado, ou seja, não seria Ele a instituir um reino bélico como um poderoso imperador. 

A necessidade de esclarecer como se dará o messianismo de Jesus é tão evidente que somente no Evangelho de Marcos encontramos três momentos nos quais Jesus anuncia sua paixão, morte e ressurreição. O Evangelho de hoje relata o primeiro.

Jesus ensina, como um bom Mestre, os valores do Reino. A partir de uma realidade concreta, Ele pergunta e ouve as respostas dos discípulos, que até certo ponto conseguem compreender a dinâmica do caminho cristão, mas nem tudo está claro; é preciso clarear aspectos superficiais. Por isso, Jesus fala “abertamente” (cf. Mc 8,32), e sua fala é clara. Ele consegue prever que será rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei e que não será diferente com aqueles que o seguem, mas lhes garante a salvação!

O caminho como lugar da experiência

Assim como os discípulos tiveram dificuldade de entender e de reconhecer quem era Jesus, também nós cristãos do século XXI temos inúmeros desafios que nos impedem de viver uma verdadeira e profunda experiência com a pessoa de Jesus, a ponto de não podermos dizer com simplicidade e solidez quem é aquele que sustenta a nossa fé.

É interessante notar o lugar onde Jesus está com os discípulos no momento em que Ele os questiona. O primeiro versículo do Evangelho de hoje nos diz: “No caminho [Jesus] perguntou aos discípulos” (cf. Mc 8,27). Pode parecer algo corriqueiro, mas o caminho é o lugar por excelência do seguimento de Jesus, onde a vida acontece com a suas surpresas; conhece Jesus somente aquele que se arriscar a segui-lo.

Jesus
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Para além de teorias e discursos bem formulados, é indispensável que cada pessoa encontre Jesus em sua própria história pessoal e familiar, que é também sagrada. Para isso é necessário dedicar tempo e revisitar os acontecimentos da vida à luz da fé, reconhecendo Deus, que caminha com cada um de nós.

Escolhas em favor da vida

Nos últimos versículos deste Evangelho, vemos que Jesus fala à multidão e aos seus discípulos que é necessário renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e segui-lo. 

Pensando na realidade familiar, certamente estas palavras de Jesus nos ajudariam a construir um ambiente mais pleno de vida, de amor e compreensão. Também no contexto familiar, a renúncia de si mesmo, a decisão de tomar a cruz ou as cruzes que fazem parte de todo e qualquer tipo de relacionamento não são sinônimo de negação do que se é, nem mesmo da própria história, mas nos revela o convite de Jesus a aderirmos com liberdade ao compromisso de viver no dinamismo da entrega a Deus e aos outros. 

Assumir a vocação familiar e, desse modo, servir a Deus pode e deve ser compreendido como um caminho que nos conduz à vida verdadeira, na certeza de que Cristo Jesus é o fundamento de nossos lares.

Peçamos a Deus a graça de, como família cristã, testemunharmos com nossas vidas e nossas escolhas a fé no Cristo, nosso único Mestre e Salvador.

Mery Elizabeth de Souza é irmã paulina, bacharela em Teologia e atualmente prossegue os seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Tem espírito aventureiro, gosta de fazer caminhadas, conhecer lugares diferentes e aprender coisas novas, seja no âmbito intelectual ou religioso, seja no social.

2 COMENTÁRIOS

  1. O comentário da irmã Mery Elisabeth sobre o Evangelho re anima minha caminha, realmente diante de tantos desafios e contradições neste mundo a fé em Jesus Cristo é meu sustentáculo.

    • Olá Lúcia Helena, graça e paz! Deus seja louvado pelo bem que a minha reflexão realizou em sua vida! Que Deus a abençoe e que a Palavra Sagrada seja sempre fonte de luz para o seu caminho!

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