Janeiro Branco: Conscientização para cuidar da saúde mental

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“Todo mundo pede saúde mental” é o tema da campanha de conscientização e incentivo ao cuidado com a saúde mental

Por Roseane Welter

Diversos fatores, dentre eles a pandemia, têm contribuído para o agravamento dos problemas relacionados à saúde mental da população.

Fundador Janeiro Branco
Dr. Leandro Abrahão, fundador da Campanha Janeiro Branco. Foto: Valéria Ribeiro

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 18,6 milhões de pessoas no Brasil, cerca de 9% da população, sofrem com distúrbios relacionados à ansiedade, tais como: apreensão, inquietação, preocupação demasiada com o futuro, taquicardia, fobias, entre outros.

Segundo a OMS, aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros sofrem de depressão e, ainda, com alterações de humor, diminuição da capacidade de concentração, distúrbios de sono e de apetite, entre outros.

Desde 2014, a campanha “Janeiro Branco”, iniciativa liderada pelo psicólogo Leonardo Abrahão em parceria com outros psicólogos, convoca anualmente a sociedade a refletir sobre os cuidados com a saúde mental.

O nome da campanha, segundo Abrahão, faz alusão ao hábito de, no começo do ano, as pessoas colocarem em uma “página em branco” suas metas, para que incluam entre estas o bem-estar e a preocupação com a saúde mental.

Janeiro Branco

No primeiro mês do ano, a campanha busca colocar os temas da saúde mental em evidência na sociedade. A proposta é convidar os indivíduos e as instituições sociais para refletirem sobre os universos mentais, emocionais, sentimentais, comportamentais e subjetivos dos seres humanos.

Entre os objetivos da campanha estão:

• Pautar, na sociedade e nas mídias, temas e questões relacionados ao universo da saúde mental;

• Trabalhar por uma cultura de saúde mental na humanidade;

• Democratizar, desmistificar e popularizar reflexões sobre saúde mental;

• Desenvolver um novo paradigma em saúde mental, centrado na ideia da “prevenção em saúde mental”;

• Ampliar e modernizar o entendimento social a respeito do que vem a ser a saúde mental.

Impactos da pandemia

De acordo com a OMS, a pandemia da Covid-19 aumentou a demanda pelos serviços de saúde mental, em razão, especialmente, das situações do isolamento social, do luto e do desemprego.

No Brasil, o Ministério da Saúde revelou dados da primeira fase de uma pesquisa sobre os impactos da pandemia sobre a saúde mental da população e constatou elevada proporção de ansiedade (86,5%) moderada presença de transtorno de estresse pós-traumático (45,5%) e baixa proporção de depressão (16%) em sua forma mais grave.

Saúde mental
Pexels.com/ Juan Pablo Serrano Arenas

“A pandemia trouxe alguns efeitos colaterais danosos à saúde psíquica de parte significativa dos brasileiros, tais como: o agravamento de questões relacionadas a transtornos mentais preexistentes nos indivíduos; a descontinuidade em tratamentos de transtornos mentais; surgimento de problemas comportamentais em crianças e em adolescentes; transtornos de ansiedade, transtornos de humor (depressão) e o uso abusivo e inadequado de substâncias psicoativas”, destaca Abrahão.

Como identificar problemas com a saúde mental

O idealizador da campanha Janeiro Branco sinaliza alguns sinais de problemas no nível mental: “Importante ressaltar que cada caso é único, pois cada indivíduo é uma história e um universo em particular. Generalizações de sinais ou de sintomas podem levar a sérios erros, e a medicalização da vida, assim como a medicamentação da vida, podem gerar mais problemas do que soluções para as pessoas”, diz.

Ele pontua, então, algumas questões que devem ser seriamente observadas:

• desânimo persistente e resistente;

• insônia injustificada e sistemática;

• alterações abruptas e injustificadas nos padrões alimentares e físicos;

• agressividade disfuncional, passividade disfuncional;

• uso abusivo, prejudicial e disfuncional de substâncias psicoativas;

• alta frequência de pensamentos automáticos angustiantes;

• ideação suicida incontrolável;

• comportamentos compulsivos e obsessivos fora de controle;

• níveis insatisfatórios e prejudiciais de autoconhecimento, de autoestima, de autonomia existencial;

• falta de sentido próprio na vida e nas relações pessoais, dentre outros indicativos de que a vida da pessoa não está satisfatória.

Hora de pedir ajuda

Segundo Marcio Soeiro de Souza, médico psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo (USP), houve uma crescente procura por ajuda nos consultórios durante a pandemia. “Muitas pessoas foram em busca de ajuda pela primeira vez. Cuidar da saúde mental é fundamental e cuidar da mente diz respeito a saber reconhecer seus sentimentos, seus limites e respeitar os sinais que nosso corpo emite quando está excessivamente exposto ao estresse”, diz.

O psiquiatra recomenda, ainda, a necessidade de se “manter uma rotina que inclua uma diversificação grande de estímulos ao cérebro e, por isso, seria recomendável incluir na rotina exercícios físicos, uma alimentação saudável, sono mínimo de 7 horas e se envolver em algum tipo de atividade lúdica extratrabalho”, afirma.

Outra dica do profissional é o autoconhecimento para melhor gerenciar as realidades do dia a dia. “Saber lidar, por exemplo, com nossos problemas, enxergá-los com a importância devida e compreender nossos limites, antes que passemos a ter problemas de saúde, é fundamental. Nesse ponto podemos considerar o papel dos psicólogos como grandes agentes com capacidade de nos ensinar a desenvolver essas habilidades e prevenir transtornos mentais”, finaliza o psiquiatra.

Conheça a campanha Janeiro Branco de 2022 – O que fazer no Janeiro Branco? Veja algumas ideias para você colocar em prática! – Janeiro Branco

Campanha Janeiro Branco
Foto: Divulgação

Conheça alguns títulos de livros cujos conteúdos poderão ajudar você a viver melhor, ainda mais em um momento de constante estresse e ansiedade, causados pela pandemia e suas consequências.

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Roseane Welter é jornalista, produtora de Rádio e TV. Graduada em Filosofia e licenciada em História. Apaixonada pela vida, gosta de música, de viajar, de escrever boas histórias inspiradas no cotidiano e de iniciativas que impactam o próximo.

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