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Como influenciadores digitais impactam o comportamento e o futuro do jovem 

Por Carla Ferreira

O mercado dos influenciadores digitais está em amplo crescimento e, pelo visto, veio para ficar. Estudo publicado pelo Tecmundo projeta um movimento de cerca de R$ 10 bilhões este ano para o segmento; a Betway, em abril, revelou que 71% das pessoas seguem pelo menos um influenciador, e 73% já efetuaram uma compra por conta da opinião desses profissionais. 

Quando esse cenário é avaliado no meio dos jovens, os números são ainda maiores: 90% dos que têm entre 18 e 34 anos são levados a comprar algo que os influenciadores digitais recomendam, de acordo com a Youpix. “Os influenciadores se tornaram os novos super-heróis”, pontua Rafaela Bandeira, especialista em marketing de influência e gerente de conteúdo da Forrest. 

Segundo relatou, esse nível de reconhecimento faz com que, em curto prazo, os jovens “sigam os passos” desses influenciadores, virem consumidores assíduos; e, a longo prazo, se tornem um deles.

Pessoas comuns influenciam

O alcance dos influencers na vida dos jovens atinge ideias, comportamentos e gostos. Whindersson Nunes, Carlinhos Maia, Felipe Neto, Gabriela Pugliese, Flex Power, os tops no ranking de likes, ditam modas, gírias, vendem destinos turísticos, acessórios, games, em um link direto com os anseios juvenis.

A presença do digital nas relações e a tendência humanista das abordagens favorecem que os holofotes virtuais não estejam apenas em celebridades “intocáveis” como antes; qualquer produtor de conteúdo criativo e interessante pode se tornar um influenciador. “A maioria dos influenciadores digitais nada mais é do que pessoas comuns que alcançam milhões de seguidores entregando conteúdo sobre temas que lhes são de interesse”, explica Rafaela, acrescentando que isso faz com que a influência se estabeleça em um nível mais profundo, o da identificação: “Os jovens se enxergam neles”.

A facilidade de interação no ambiente digital, o desejo de fazer parte de algo e a necessidade de compartilhar ideais, de acordo com o Influency.me, fazem com que essa geração se conecte ainda mais aos influencers. Além disso, 64% dos que nasceram entre 1995 e 2010 desejam ter um impacto no mundo.

Compartilhar ideias

A estudante de Direito Nathália Peltier, 18, conta que, desde o 5º ano do Fundamental, fazia resumos dos conteúdos das disciplinas no Colégio Antônio Vieira (BA). “Meus colegas começaram a pedir meus resumos e eu saí distribuindo cópias”, conta a potencial influencer, que teve a ideia de criar um studygram, o @npsstudy, em fevereiro de 2020, quando começou a pandemia.  “Estudo é minha vida e gosto de mostrar que não sou perfeita nos estudos: tenho preguiça, me cobro. Quero passar situações reais para ajudar as pessoas a estudar”, diz Natália, completando que pretende seguir carreira no Direito e também direcionar seus posts para essa área. A futura advogada relatou que já fez parcerias com marcas em seu perfil. 

A vontade de mostrar o que faz também foi o que levou Leonardo Lima, 18, a criar seus canais, filmes do leo, no YouTube, Instagram e, mais recentemente, no TikTok. Ele conta que começou suas publicações como uma brincadeira e acabou virando estratégia profissional. “Quando vi meu pai, num encontro do OPA (Oração Pela Arte) usar um lençol azul para fazer um chroma key e botar o ‘Anjo Gabriel’ para voar, eu pirei”, brinca, dizendo que começou a pesquisar e a mexer em programas de edição, quando resolveu postar suas produções audiovisuais no YouTube: vídeos criativos e divertidos. “Gosto de mostrar o que a mágica da edição é capaz de fazer.”

Influenciadores digitais
Leonardo Lima, da brincadeira à profissionalização. Crédito: Arquivo Pessoal.

Leonardo explica que os influencers criam uma comunidade afetiva e, quando atingem um público grande, as marcas se interessam. Ele costuma fazer lives e dar dicas de como produzir vídeos criativos, com recursos simples, e hoje é contratado por empresas. Seus posts chegam a 3 mil views, o que, para ele, está longe das marcas dos influencers.

Armadilha do “eu” construído

No digital, a relação é construída, e isso precisará ser apropriado aos jovens e a sua família; é uma ida sem volta. É o que avalia a socióloga e professora Gabriela Guerreiro. “O jovem e os pais precisam ficar atentos para o fato de que a interface com a tela pode contribuir para que se construa um ‘eu’ que não é verdadeiro”, destaca, completando que parece que os jovens, por trás da máquina, constroem uma máscara para serem aceitos e são mais sinceros. “A possibilidade da interação direta faz de você muito mais do que um telespectador; você se sente um amigo do influencer”, ressalta a socióloga sobre as armadilhas dessas relações. “Não sou eu, eu sou o que vai me dar likes”, explica, afirmando que a maioria dos jovens já visualiza a possibilidade de uma profissão vinculada às redes sociais. “Por trás disso tudo estão as estruturas sociais, a relação capital/trabalho”, resume, dizendo que acredita que, na classe média, essa tendência ainda é um processo. 

O que é um influenciador digital?

O influenciador digital é reconhecido a partir da autoridade que possui diante de uma determinada comunidade; é classificado pelo número de seguidores, por seu potencial de engajamento (curtidas, comentários, inscritos) na rede social em que atua.

Ele está espalhado pelas diferentes redes sociais, trazendo diversos tipos de conteúdo, voltado para todas as classes sociais. Alguns, inclusive, usam o meio para evangelização, como: @marcusandradedemaria, missionário que viaja pelo mundo e publica reflexões sobre os locais que visita; e @nathmariacordeiro, que publica mensagens diárias. Além deles, há os padres e cantores famosos, que, como os artistas, são influenciadores em potencial ao usarem as redes.

Carla Ferreira é jornalista e empresária, proprietária da Cannal de Ideias. Atua com Comunicação Católica, mas sua atividade principal é ser mãe de dois meninos, de 10 e 8 anos. É catequista, além de membro do Movimento Escalada e do grupo Oração pela Arte. Gosta de cinema, de dançar e de escrever!

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