Gastronomia sustentável: alimentação e responsabilidade ecológica

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Pequenos hábitos alinhados com a gastronomia sustentável, além de benefícios para a saúde, conscientizam as pessoas e preservam o meio ambiente

Por Aline Braga

Dentre as expressões que dominam o vocabulário quando o assunto é saúde, “qualidade de vida” provavelmente estará nas primeiras posições. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a qualidade de vida pode ser definida como “a percepção do indivíduo de sua inserção na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”.

Um anseio do século XXI

O tema da qualidade de vida ganhou destaque no ano 2000, com o lançamento, pela Organização das Nações Unidas (ONU), dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), entre os quais o combate à fome e o cuidado com o meio ambiente. 

A relação com a alimentação é preponderante na busca por uma vida equilibrada, saudável, propensa à felicidade. Não é possível vivenciar totalmente a condição de ser humano sem acesso à alimentação. Igualmente, é impossível viver com qualidade em contextos de agressivos danos ao meio ambiente e de irresponsabilidade ecológica. Os temas da alimentação e do meio ambiente, portanto, são intrinsecamente relacionados e têm tremendo impacto nos indicadores de qualidade de vida não só de indivíduos, como de populações inteiras.

Gastronomia sustentável

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Em 2016, a ONU propôs às nações signatárias novos desafios na busca por um desenvolvimento responsável: os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entre as dezessete proposições, cinco estão diretamente relacionadas com a alimentação e o meio ambiente.

Por isso, não é surpresa deparar-se com o advento da Gastronomia Sustentável e de uma data específica para celebrá-la, instituída em 2017: o dia 18 de junho. Esse novo conceito reconhece a “gastronomia como uma manifestação das diferentes sociedades associada à diversidade natural e cultural do planeta”. O entendimento da ONU é de que práticas sustentáveis de produção e preparação dos alimentos podem ajudar a comunidade internacional a atingir as proposições dos ODS.

Nesse sentido, a prática da Gastronomia Sustentável promove o desenvolvimento agrícola, a economia local, a alimentação segura, a nutrição, a produção sustentável e a conservação da biodiversidade. Entre as atitudes coerentes com a proposta da Gastronomia Sustentável, pode-se citar a valorização da produção orgânica e agroecológica de alimentos; a compra de alimentos locais cultivados por pequenos produtores; o consumo de alimentos conforme a safra; o ato de cozinhar as próprias refeições; a utilização total dos gêneros alimentícios, evitando-se, assim, perdas e desperdício; o resgate e o cultivo de plantas alimentícias não convencionais (PANC), como a vinagreira, a taioba e o maxixe; o resgate e a valorização de práticas alimentares e de receitas tradicionais; dentre outras tantas ações, que favorecem a sustentabilidade e a preservação de uma cultura alimentar relacionada ao cultivo e ao consumo responsável.

Cozinhar é um ato de liberdade e de sustentabilidade

A cozinha e o ato de cozinhar são protagonistas na construção de um cotidiano mais saudável e sustentável, individual e coletivamente. A relação com a alimentação é tema central na busca pela qualidade de vida e está diretamente relacionada com o cuidado com a natureza. 

A decisão de cultivar pequenos hábitos individuais alinhados com a gastronomia sustentável, além de benefícios para a saúde, conscientiza as pessoas próximas e, por consequência, as comunidades sobre as possibilidades de contribuir para causas que a princípio parecem tão distantes, como os ODS. Uma comunidade consciente é capaz de construir proposições e pressionar governos na construção de políticas públicas alinhadas com a garantia da alimentação e a recuperação e preservação do meio ambiente.

Aline Braga é nutricionista e especialista em Administração Pública, esfera na qual atua como servidora municipal há oito anos. Gosta de ler, cozinhar e praticar esportes. Na vida se descreve como boba convicta, tal como descreveu Clarice Lispector em sua crônica “Das vantagens de ser bobo”.

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