Fé e esporte conquistaram o maior evento esportivo do mundo

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De medalha milagrosa a unha pintada com a palavra “fé”, atletas religiosos demonstraram confiança na força divina

Por Jaqueline Dubas 

Estes foram os Jogos Olímpicos conectados pela fé. Atletas olímpicos do mundo inteiro, principalmente os brasileiros, demonstraram confiança na força dos céus para buscar seus objetivos no esporte, no Japão.

Dois dias antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, já havia salientado que esta edição seria um “ato de fé” para o futuro, devido ao momento que a humanidade vive com a pandemia do coronavírus.

A fé em Nossa Senhora

Durante a Olimpíada, houve um show de demonstração de fé na Vila Olímpica, tanto em competições como nas redes sociais e no ponto mais alto, o pódio. A esqueitista Pâmela Rosa, 22 anos, é devota de Nossa Senhora Aparecida. Teve que competir lesionada, mas, confiando em sua força e na proteção de Nossa Senhora, não desistiu. Após a prova, ela, que é a atual líder do ranking mundial, declarou: “Mais uma vez enfrentei uma competição lesionada, mas essa lesão não me parou, fui até onde consegui!”. A devota já havia demonstrado sua fé quando entregou seu skate na sala de promessas do Santuário Nacional de Aparecida. “Eu sou bem devota. Ela (Nossa Senhora Aparecida) me ajudou muito, porque, na primeira vez que ganhei os X-Games, eu entreguei nas mãos dela e falei que, se eu ganhasse, a minha promessa seria dar o skate para ela”, finaliza Pâmela Rosa.

A nadadora paralímpica, Esthefany Rodrigues, também é devota da Mãe Aparecida e viaja habitualmente para o Santuário Nacional de Aparecida (SP) para agradecer e pedir intercessão. A brasileira, ao receber a notícia da sua convocação, postou em suas redes sociais: “Eu só tenho a agradecer. Agradecer a Deus e Nossa Senhora por me dar forças todos os dias, para ir em busca dos meus sonhos”, escreveu.

A levantadora de peso das Filipinas, Hidilyn Diaz, fez história em Tóquio ao conquistar a primeira medalha de ouro para o seu país. Mas, o que mais chamou a atenção, foi sua devoção a Nossa Senhora das Graças. Já no pódio, a atleta ergueu a medalha de ouro e a medalha milagrosa de Nossa Senhora das Graças. Em sua entrevista, só repetia “Obrigada, Senhor!”, com as mãos apontadas para o céu. 

O poder da oração

Outro esportista que encantou foi o surfista brasileiro Ítalo Ferreira, ouro no surfe, que viralizou a frase: “Diz amém que o ouro vem”. O atleta cristão também pintou na unha a palavra “fé” e, após a competição, relatou: “Rezo todos os dias às 3h da manhã”; de acordo com ele, é o melhor horário para falar com Deus. Já a ginasta brasileira Rebeca Andrade, prata e ouro na ginástica artística, desde a preparação até ao pódio, mostrou sua fé e, ao vencer, cravou: “Deus me capacitou”. Ela é de família cristã e deixou claro em suas entrevistas que treina muito, mas é a oração que a fortalece. 

Fé
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A atleta mais jovem da delegação brasileira, Rayssa Leal, dedicou sua medalha de ouro no skate street a Deus. Sua fé é nítida em suas palavras pronunciadas em entrevistas, e, em suas redes sociais, agradeceu a Deus e reconheceu que é uma menina abençoada. Sua família, antes do embarque para Tóquio, pediu orações para a jovem esqueitista. 

Papa Francisco e o esporte

O Papa Francisco é exemplo de um apaixonado por esportes. Torcedor do clube argentino San Lorenzo, já definiu o futebol como “o esporte mais belo do mundo”. Na abertura dos Jogos Olímpicos de 2021, o líder da Igreja Católica pediu que o evento esportivo fosse um sinal de esperança para o mundo.

O Papa Francisco também é o responsável pelo primeiro documento do Vaticano sobre o esporte. “Dar o melhor de si” traz muitos ensinamentos e reflexões para os amantes da vida esportiva. O Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida tem o objetivo de ajudar a entender a relação do esporte com a fé cristã, como um ponto de diálogo entre a Igreja e a sociedade. Padre Alexandre Awi Mello, sacerdote brasileiro nomeado pelo Papa Francisco Secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, ressaltou que: “A Igreja quer, com este documento, estimular a prática do esporte e os valores esportivos que estão também presentes no Evangelho. O Papa Francisco dá tanta importância para o mundo do esporte que sempre manda mensagens para os esportistas, […] por isso o documento recolhe todas essas informações não só do Papa, mas de todos os papas anteriores, desde Pio X”. 

Esse fato indica que fé e esporte podem caminhar juntos, pois faz a diferença na vida cristã. O Santo Padre destacou nesta carta o papel da Igreja no mundo esportivo e que o esporte pode ser um instrumento de encontro, formação, missão e santificação. “A Igreja é chamada a ser sinal de Jesus Cristo no mundo, também através do esporte praticado em oratórios, paróquias, escolas e associações… Toda ocasião é boa para levar a mensagem de Cristo”, frisou. O documento pode ser acessado, na íntegra, no link a seguir: https://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2018/06/01/0401/00856.html.

Pastoral do Esporte

Você conhece a Pastoral do Esporte? Se você ama esportes, precisa conhecer essa pastoral e implantá-la em sua comunidade. Ela liga o esporte e a fé cristã, e hoje é referência em todo o Brasil. Pode ser introduzida nas paróquias inicialmente com encontros, que podem evoluir para eventos esportivos; um dos grandes resultados disso é justamente o envolvimento dos jovens com a Igreja e a vida saudável.

Em Curitiba (PR), o Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é um exemplo, pois possui a Pastoral do Esporte desde 2019, inspirado justamente pelo documento “Dar o melhor de si” e também pela exortação apostólica Evangelii Gaudium, escrita em 2013 pelo Papa Francisco, que pede uma Igreja em saída. 

Jaqueline Dubas é jornalista, profissional de letras e pós-graduanda em Comunicação Integrada. Mamãe do Gabriel Francisco. Ama escrever e ouvir música.

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