Excesso de tecnologia pode causar ansiedade?

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A imersão na irrealidade da internet faz as pessoas viverem um mundo que não existe fora das telas, mas parece extremamente real dentro delas

Por Rodrigo Simões

O que é ansiedade? É um estado emocional que tem o medo como fundamento, dirigido para o futuro, correspondente a uma ameaça nem sempre reconhecível, com desconfortos diversos no corpo e nas emoções. Dentre eles, taquicardia, sudorese, dores, tremores, formigamentos, sensação de falta de ar, tensão, nervosismo, insegurança, dificuldade de concentração, irritação, insônia, dentre outros. 

Existe a ansiedade normal, que prepara, motiva, melhora o desempenho diante de um desafio, e existe a ansiedade patológica, que é irracional, desproporcional e, se prolongada, pode trazer consequências mais sérias, como o pânico ou a depressão. 

O aumento da ansiedade nos tempos atuais pode ser observado em todas as idades, principalmente nos jovens e adolescentes. As causas podem estar ligadas ao histórico familiar e, muito comumente, ao mau uso das redes sociais.

Ansiedade e redes sociais

Excesso de tecnologia
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Temos, ao nosso dispor, muitas telas que abrem uma infinidade de oportunidades e fazem, ao mesmo tempo, uma série de cobranças, muitas vezes desproporcionais à realidade, em caráter de urgência. 

Recordo-me de uma jovem de dezenove anos que me procurou com um quadro de ansiedade alto, porque ainda não tinha conseguido alcançar seu primeiro milhão. Seguia uma “youtuber” famosa, que havia ficado milionária aos dezesseis anos. Não conseguia aceitar o fato de ter dezenove e ainda depender dos pais. Grande parte da juventude está focada em estilos de vida e fortunas fáceis que são totalmente ilusórias e impossíveis de alcançar. Desenvolvem crenças de incapacidade, desvalia, perdendo o sentido de viver, criando um quadro de depressão com ansiedade, muitas vezes terminando em automutilação e suicídio. 

Outras vezes observamos jovens que não conseguem “desgrudar” da tela do celular, pois não encontram na realidade aquilo que experimentam no metaverso.

Dependência tecnológica

Há pesquisas que comprovam que o uso abusivo das telas provoca na mente os mesmos efeitos do uso de drogas pesadas, como a cocaína. Isso significa que alguém com dependência tecnológica precisa de tratamento medicamentoso e emocional para superar tal situação. A organização mundial de saúde classificou a dependência por jogos virtuais como doença. 

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Estamos diante de um terrível, e por vezes fatal, círculo vicioso. A imersão na irrealidade da internet faz as pessoas viverem um mundo que não existe fora das telas, mas parece extremamente real e alcançável, dentro delas. Quando se deparam com a realidade, encontram dificuldade nas relações, pois se afastaram delas por tanto tempo que perderam as habilidades sociais mais básicas. Para fugir da tristeza e da ansiedade, voltam para o mundo virtual. Vivem como zumbis anestesiados e alienados, em uma obsessão por ilusões sem fim. 

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A pandemia estimulou o uso das redes, revelando recursos até então não percebidos, como o home-office em várias áreas. Temos o lado bom da economia, da agilidade e do encurtamento das distâncias. Mas também o lado cruel, que condena tanta gente a um limbo insuperável.

Um fenômeno assustador que está se tornando comum, infelizmente, é a histeria coletiva, experimentada por alguns grupos, seguidores de pessoas que criam baladas e conteúdos que levam os ouvintes a uma espécie de transe, que pode ser comparado ao transe hipnótico, incentivando-os a atitudes brutais, até mesmo ao suicídio coletivo.

O que fazer?

Se você se viu em alguma das situações descritas, não perca tempo. Procure ajuda profissional com urgência, pois sua vida corre perigo. 

Vamos usar as redes sociais e a tecnologia como o que realmente são: instrumentos para facilitar nossa vida. Nós devemos controlá-los, e não o contrário. Se bem usados e dosados, trazem benefícios e facilidades incontestáveis. As coisas podem servir tanto para o bem quanto para o mal. É difícil encontrar o bom ou o mau na sua essência. Depende do uso que fazemos e da finalidade que lhe atribuímos. 

Rodrigo Simões é sacerdote há dezessete anos e pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário. Psicólogo especializado em atendimento clínico, pela abordagem da Terapia Cognitivo-comportamental, e fundador do Espaço Terapêutico Coração Jovem. Coautor do livro Um coração bem cuidado, publicado pelas editoras Santuário e Canção Nova. Apaixonado pelo desenvolvimento do ser humano, por orquídeas e cachorros, vê na natureza as impressões digitais do Criador.

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