“Eu sou a videira e vós os ramos”

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5º Domingo da Páscoa

Evangelho de Jo 15,1-8

Por Mery Elizabeth de Souza

Queridos filhos e filhas de Deus, que a Palavra Sagrada seja luz para as vossas mentes e guia para os vossos passos, na vivência em família no decorrer deste novo mês.

Neste 5º domingo do Tempo Comum, somos convidados a rezar e a refletir com as palavras do Evangelho segundo João. Este Evangelho tem um caráter todo especial de comunicar a Boa-Nova de Jesus; podemos dizer que é um Evangelho, por excelência, do amor.

O texto do Evangelho deste domingo nos coloca no contexto pré-pascal, logo após a última ceia. Jesus faz como uma longa catequese aos seus apóstolos; cada uma de suas palavras e temas abordados são plenos de significado, como uma síntese de tudo aquilo que Jesus quis revelar no decorrer da sua vida.

Jesus usa uma forma literária figurada para falar do amor e da profunda unidade com o Pai, a qual todas as pessoas são chamadas a viver, conforme ele viveu. Jesus é, portanto, o caminho para nos tornarmos morada de Deus, não só no âmbito pessoal, como também no familiar e social.

Vejamos os versículos 1 e 5, nos quais o Evangelho assim nos descreve: “Eu sou a verdadeira videira e meu pai é o agricultor”; e “Eu sou a videira, vós os ramos”. Logo após vemos que o verbo “permanecer” se repete e parece ser uma escolha importante para que, como filhos e filhas de Deus e irmãos uns dos outros, venhamos a ter uma vida frutuosa, que será motivo da glorificação de Deus.

Gerados no amor e para o amor

O convite do Evangelho deste domingo nada mais é do que o de vivermos a comunhão profunda com Deus, que é fonte inesgotável de vida, gerada sempre no amor e para o amor, assim como a vida de Cristo se revelou.

Porém, no percurso da história humana, tantas vezes descrita nos textos bíblicos, é possível perceber a dificuldade dos seres humanos em reconhecer Deus como seu verdadeiro Deus, como a videira verdadeira que gera vida aos seus ramos.

Na ilusão e na tentação de ser o único protagonista da história, o ser humano quis construir com as próprias mãos sua vida e os motivos de sua felicidade. “E o que há de errado nisso?”, você pode me perguntar. O erro ou a falha está no esquecimento ou na tentativa de instrumentalizar Deus. O erro está na prepotência humana, na autorreferencialidade que faz a vida perder o seu sentido mais profundo, não gerar frutos de amor, de vida, de fraternidade, e essa realidade atinge fortemente a vivência relacional familiar.

Tornar-se fonte da vida

O convite amoroso de Jesus é o de permanecermos nele, e nele reconhecermos Deus como fonte verdadeira de nosso viver. Não se trata de uma dependência infantil, que nos acomoda. Deus é um Pai amoroso e não dominador; e, como um bom Pai, está disposto a nos orientar propondo-nos um caminho no qual é possível desenvolver nossas capacidades humanas, relacionais, e o lugar privilegiado para que isso aconteça é a família.

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Tornar a família um lugar privilegiado para o crescimento e o desenvolvimento humano, religioso e social é um processo que se torna realidade a partir de escolhas concretas, e o maior ou o grande inimigo desse processo é o tempo. Os pais não têm mais tempo, pois precisam trabalhar, e os filhos precisam estudar, fazer esporte, cursinhos etc. Pensemos na realidade do responsável de família que trabalha oito horas por dia e passa horas no trânsito para ir e para retornar do seu trabalho. Pensemos neste novo contexto, como consequência da pandemia, e que tem forçado a convivência em espaços restritos.

Contudo, talvez a questão mais profunda esteja em como dar qualidade ao tempo. Não é algo fácil, mas, como dissemos anteriormente, trata-se de escolhas e, podemos estar certos, é possível encontrar formas para dar qualidade à convivência familiar. Um primeiro passo que pode nos ajudar é o de permanecermos algum tempo a mais com Deus, perguntar a ele e a si próprio: como posso ajudar para que a minha relação familiar seja melhor? Um segundo passo pode ser o de permanecer mais tempo em família, ainda que isso exija resistência para suportar as diferenças. Se nos dispusermos a ser famílias “enxertadas” em Deus, ele não nos deixará faltar a sua graça para superarmos toda e qualquer dificuldade no amor e pelo amor.

Mery Elizabeth de Souza é irmã paulina, bacharela em Teologia e atualmente prossegue os seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma. Tem espírito aventureiro, gosta de fazer caminhadas, conhecer lugares diferentes e aprender coisas novas, seja no âmbito intelectual ou religioso, seja no social.

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