Escolha profissional: uma revolução na vida do jovem

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Por Simone Vioto

O que você vai ser quando crescer? E de repente, é chegada a hora de responder essa pergunta! Desde criança, somos indagados por familiares, amigos, educadores, entre tantas pessoas que cruzam nossa jornada, sobre qual será a nossa futura escolha profissional.

A profissão é uma construção de grande importância em nossas vidas. Ao longo da nossa história, vamos buscando encontrar nosso lugar no mundo e ser para ele, e a profissão é uma forma de conseguirmos expressar isso. A profissão é uma das pontes que nos liga ao trabalho, e o trabalho pode nos permitir a vivência de sentimentos de pertença relativos ao meio social, econômico, cultural e afetivo no qual estamos inserido.

Fazemos essa construção ao longo da vida, porém, na adolescência essa caminhada se torna mais concreta. Na infância se pode ser policial, engenheiro, professor, cantor, mas o adolescer traz a necessidade de dar o pontapé inicial para dizer o que seremos, pois já estamos “crescendo” e o mundo adulto já estará batendo à nossa porta.

Passaporte para o mundo adulto

O adolescente passa por movimentos de buscar a si enquanto ser individual, e a descoberta da sua identidade profissional o faz sentir-se produtivo e ativo no mundo que o cerca.

A profissão favorece a possibilidade de conquistar autonomia social e financeira, sentir-se independente, sendo alguém que é produtor e participante da construção do que está ao seu redor. Contudo, tal mudança engloba vários aspectos que promovem tensão, angústia, expectativas, anseios e dúvidas.

Ganhos e perdas

Como em qualquer fase da vida em que passamos por escolhas, a dúvida surge como condição quase nuclear, pois, ao escolher algo, nossas certezas são colocadas em xeque. Escolher, invariavelmente, faz perder algo, e viver o luto pelas perdas, sem ter certeza do que se está a perder, pode causar grande conflito, a ponto de se fixar na dúvida. Saber o que se quer para poder viver a perda nos convida a ser o protagonista da nossa experiência.

Então, o que se pode fazer?

Escolhas e decisões

A escolha e a decisão são processos diferentes. Escolher é um processo subjetivo, abstrato. Relaciona-se ao querer, ao desejo que se tem. Escolher também incide na criação de critérios, e tais critérios devem ser pensados e analisados.

Quando vamos a uma loja para comprar algo, podemos estabelecer critérios para efetuar a compra. Tais critérios podem passar, por exemplo, pelo gosto pessoal, pela necessidade de adquirir aquele item e pelo valor a ser pago. Pensar sobre todos esses critérios e analisar cada um deles não faz a compra acontecer de fato, pois o que faz isso se dar concretamente é a tomada de decisão.

Profissões
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Assim, decidir é um ato, um fato. É implantar a escolha realizada mediante o desejo, estabelecimento de critérios, análise e contato com informações, entre outros. Tomar uma decisão significa colocar em prática, através de comportamentos e atitudes, o que foi pensado e analisado no processo de escolha.

Para o estabelecimento de critérios e uma consistente tomada de decisão, torna-se importante observar certos aspectos mediante a escolha profissional e de carreira:

1. Autoconhecimento

Saber quem somos, do que gostamos, das coisas que nos interessam e também daquelas que não nos fazem brilhar os olhos é de grande importância. Conhecer nossos pontos fortes e pontos a melhorar é de grande valia no processo de facilitação da escolha.

2. Ter um projeto de vida

O projeto de vida consiste em dimensionar uma estratégia no tempo do agora para se chegar ao tempo futuro. Saber onde se quer estar facilita a busca pelo melhor caminho.

3. Conhecer o mundo do trabalho

Aproximar-se do mundo ocupacional é poder vislumbrar a experiência do fazer, sem necessariamente ter que fazer. Quando compreendemos nossa função no e para o mundo, podemos tornar mais fácil entender como é fazer parte dele.

4. Informar-se sobre as profissões

Pesquisar e conhecer os cursos, as grades curriculares, os campos e áreas de atuação das profissões, os valores de remuneração e inserção de mercado é de grande valia no processo decisório. Ter contato e conversar com estudantes das áreas de interesse e com profissionais já formados auxilia na resolução de dúvidas e possíveis fantasias quanto ao curso pretendido.

5. Reconhecer as interferências familiares e sociais que cercam sua decisão

É importante conhecer as influências que se fazem presentes na escolha e decisão profissional. Há influências positivas, motivadoras e encorajadoras. Porém, também há influências contrárias e até mesmo extremamente diretivas, tirando o protagonismo da escolha daquele que deve construir sua identidade ocupacional.

Realizar uma escolha profissional, pautada em um processo decisório refletido, apoiado em critérios que sejam relevantes para aquele que escolhe e articulados à realidade em que se está inserido, pode tornar a construção da entrada no mundo ocupacional algo mais facilitado e prazeroso, colocando o que somos naquilo que fazemos, representando a nós mesmos a serviço do outro e da coletividade.

Simone Vioto é psicóloga há 21 anos, professora universitária e cantora. Atua nas áreas da psicologia clínica e educacional. Gosta de viajar, cantar, estudar, dividir momentos com seu esposo, familiares e amigos. O trabalho é uma das coisas que a torna mais feliz.

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