Ensinava como quem tem autoridade

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4º Domingo do Tempo Comum

Evangelho: Mc 1,21-28

Por Mery Elizabeth

Queridos irmãos e irmãs, que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e de Jesus Cristo, nosso irmão, pela ação do Espírito Santo, nosso defensor, estejam com você e toda a sua família.

Para contextualizar o Evangelho de hoje, vejamos que ele inicia com a seguinte frase: “Eles foram para Cafarnaum”. Recordando o Evangelho do último domingo, compreende-se que se refere a Jesus e seus primeiros discípulos, Simão e seu irmão André, Tiago e João, filhos de Zebedeu.

Eles estavam às margens do mar da Galileia, porém Jesus, consciente de que a sua missão era para todos de Israel, parte com seus primeiros discípulos para Cafarnaum, e, sendo um dia de sábado, vão à sinagoga. Ali, Jesus ensina abertamente, e sua forma de falar comunica algo diferente, não era como a dos escribas.

Na sinagoga havia algumas pessoas que se extasiavam com as palavras de Jesus, e entre elas estava um homem de espírito impuro. Num dado momento, é esse homem que afronta Jesus, gritando-lhe: “Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para nos destruir?”. Interessante notar que é esse homem que reconhece quem é Jesus e diz claramente: “Eu sei quem tu és, o Santo de Deus”. Tendo ouvido o homem, Jesus deu ordem ao espírito impuro, que sacudiu o homem com violência e o deixou. Ainda mais admiradas, as pessoas se perguntavam: “Que é isto? Um ensinamento novo, e com autoridade: ele dá ordem até aos espíritos impuros, e eles lhe obedecem!”.

A pessoa de Jesus

DP

O que este texto revela sobre a pessoa de Jesus? De que maneira a ação/missão que Jesus realizou há mais de dois mil anos toca e tem efeito sobre a realidade dos nossos dias atuais, como sociedade, como Igreja, como família, como cristão, como pessoa?

Fixando o olhar na pessoa de Jesus, mais uma vez, é possível notar que Ele, verdadeiramente, é o Mestre dos mestres. Seu ensinamento é desconcertante porque o seu método alcança e ilumina os anseios mais profundos do coração humano, a começar pela sua iniciativa em fazer-se próximo.

Jesus não é um mestre estático; sua sala de aula, sua cátedra é a realidade concreta que o cerca, é a vida de cada pessoa em suas particularidades, e não como mero número de uma estatística, ou como sendo pertencente a esta ou aquela classe social, a este ou aquele grupo. Jesus está sempre a caminho e deseja encontrar-nos onde estamos.

Em Jesus podemos contemplar a realização das palavras do livro do Deuteronômio: “O Senhor, teu Deus, suscitará um profeta […] no meio de ti, dentre os teus irmãos, e vós o ouvireis”. Porém, o desafio dos dias atuais está no exercício da escuta: são inúmeras as necessidades, as responsabilidades, são ainda maiores as distrações, as indisposições e talvez até o egoísmo, que impedem de acolher em nosso interior palavras que gerem vida.

Escolher entre o bom e o melhor

Com facilidade, hoje, é possível encontrar pessoas que realizam alguma atividade com o propósito de ensinar, de compartilhar conhecimento, experiências, nos mais diversos âmbitos, seja no nível acadêmico, seja no social, eclesial etc. Certamente, tantas coisas boas podem acrescentar algo a nossa vida, mas o que, de fato, nos transforma? De tudo o que lemos, vemos e escutamos, o que, de fato, se transforma em novos hábitos cotidianos?

Somos uma geração que busca constantemente pelo novo, pelo atual, pelo mais moderno, e isso não é ruim. Essa busca torna-se negativa quando se perdem princípios e valores essenciais que, na maioria das vezes, pensamos ser insignificantes, mas são eles que fazem cada dia, com suas alegrias e tristezas, conquistas e desafios, se tornar sempre um motivo de gratidão.

Dentre esses valores, podemos destacar dois, que estão nas entrelinhas do Evangelho de hoje. O primeiro é o de ir ao encontro do outro, como fez Jesus, um encontro que gera vida, que vai além das palavras, pois se traduz em gestos de amor e de acolhida. O segundo é o da escuta, que se faz cada dia mais necessário; é difícil a prática da “escutatória”, pois exige um movimento de esvaziamento de si, capacidade de acolhida, tempo.

Neste dia do Senhor, peçamos a Ele a graça de acolher a sua Palavra de amor e a capacidade de transformá-la em vida, por meio de gestos concretos.

Mery Elizabeth é irmã paulina, bacharela em Teologia e atualmente prossegue os seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma. Tem espírito aventureiro, gosta de fazer caminhadas, conhecer lugares diferentes e aprender coisas novas, seja no âmbito intelectual ou religioso, seja no social.

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