Os efeitos financeiros da pandemia na
vida dos jovens

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Há anos o Brasil se depara com números alarmantes de jovens que estão desempregados

Por Janaína Gonçalves

Quem acha que é fácil para o jovem estar em um emprego atualmente, se engana. Há alguns anos o Brasil se depara com números alarmantes de jovens que estão desempregados. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em novembro de 2020, e que pode ser verificado pelo site do IPEA (https://www.ipea.gov.br/), mostra que a crise econômica devido à pandemia da Covid-19 afeta drasticamente os jovens. No Brasil houve, além do desemprego para essa faixa etária, o aumento dos desalentados, que são aqueles que desistiram de ir atrás de oportunidades de trabalho por não terem esperanças de que vão encontrar alguma vaga no mercado. E aqui não se pode esquecer também os jovens trabalhadores que tiveram a carga horária reduzida ou a suspensão do contrato de trabalho.

Outra realidade que surgiu ou teve um reconhecimento maior durante este tempo, principalmente em 2020, foi com relação às grandes transformações no ambiente de trabalho. Antes da pandemia as tarefas eram realizadas por meio presencial e depois passaram a ser feitas de maneira digital, e o home office é um dos grandes exemplos dessa readaptação. Foi preciso que o funcionário passasse a ter mais conhecimento sobre tecnologias, mesmo que em outros tempos isso não fosse necessário no ambiente de trabalho.

Situações iguais, mas realidades diferentes

O jovem que esteve empregado durante a pandemia teve que encarar algumas mudanças. Foi o caso da Cícera Botelho, de 28 anos, recém-formada em Administração pela PUC Minas. Na empresa em que trabalha, uma porcentagem considerável dos funcionários teve a carga horária reduzida entre 25% a 50%, e também houve aqueles que tiveram o contrato de trabalho suspenso. Em ambos os casos os funcionários tiveram o complemento do salário pelo Governo Federal através do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda.

Emprego
A administradora Cícera Botelho afirma que a pandemia devia ser enfrentada com políticas públicas que ajudassem os jovens e toda a população. Foto: Janaína Gonçalves
Pandemia e juventude
Nathália Rodrigues – Foto: Bruna Valle

Ainda que Cícera esteja em um grupo de jovens trabalhadores que conseguiram manter seus empregos, é impossível se distanciar do que acontece à sua volta. Ela reconhece o quanto a pandemia ampliou a necessidade de engajamentos sociais que envolvam os mais jovens, principalmente no mercado de trabalho, e que alcancem todos os públicos. “De diversas formas, em inúmeras possibilidades e com necessidades gritantes, essa pandemia deveria ter sido atravessada com várias políticas públicas que ajudassem os jovens e toda a população, especialmente a mais pobre, a viver de forma mais digna”, afirma.

Em um bairro da periferia na capital mineira, a situação de incertezas no campo do trabalho é igual à de Cícera Botelho, mas a realidade é diferente. Nathália Adriele Teodoro Rodrigues, uma jovem de 20 anos de idade, desempregada, que estudou até o ensino médio, lembra que durante a pandemia trabalhou como Assistente Financeira em uma empresa de embalagens industriais, mas, no período crítico, a dificuldade com relação ao emprego ficou ainda maior. “Eu trabalhei por dez meses durante a pandemia e foi bem complicada essa fase. Algumas pessoas entraram no regime de home office, inclusive a gerente. No modo presencial ficou apenas uma pessoa e eu; com isso, tivemos que ‘nos virar’ e dar conta de tudo.”

Mesmo tendo a necessidade de manter os funcionários, a empresa em que Nathália trabalhou teve que redefinir a quantidade de pessoas em seu quadro de colaboradores. “Passados dez meses eu fiquei desempregada; isso foi em janeiro de 2021. A gente procura emprego e as empresas só diminuem o número de funcionários. Está muito complicado ser recolocada em uma vaga de emprego”, ressalta.

Desemprego pós-pandemia

Desemprego
Lívia Brandão, psicóloga e professora da PUC Minas. Foto – Arquivo Pessoal

A psicóloga e professora Lívia Brandão, da PUC Minas, ressalta que só será possível uma luz em meio à escuridão da falta de emprego, nesta crise em que vive o Brasil e o mundo, se as grandes, pequenas e médias empresas se atentarem às políticas públicas já existentes, que ingressem o jovem no mercado de trabalho. Sem contar, também, que as escolas têm papel fundamental neste momento, pois elas podem se aproximar das empresas a fim de proporcionar parcerias úteis para ambas as partes. “É importante a aproximação da escola com as empresas de uma maneira geral, seja de ensino médio, universidades etc. É muito necessário isso.”

E para ajudar os jovens nessa busca por uma oportunidade de emprego, seja pela primeira vez, seja uma recolocação no mercado de trabalho, a professora Lívia Brandão destaca algumas dicas:

Ter autoconhecimento;
Ter segurança nas escolhas;
Apresentar adequadamente o currículo;
Apresentar-se adequadamente nas entrevistas e seleções de candidatos;
Ampliar as competências técnicas e sociais;
Priorizar os aprendizados (estudar, fazer cursos etc.);
Estar sempre atualizado sobre o que acontece no Brasil e no mundo;
Ter autocuidado (cuidar da saúde física, mental e dos próprios relacionamentos).

Janaína Gonçalves é jornalista, mestra em Ciências da Religião e especialista em Gestão de Mídias Digitais. Gosta de ler, dançar, e é fã de Chaves, Chapolin e Harry Potter.

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