Mude sua relação com as compras

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Entenda o que é Economia Comportamental e veja como ela pode ajudar você a refletir antes de gastar

Por Laís Peçanha

Você é daquelas pessoas que geralmente gastam mais do que ganham? Compra porque está triste, nervosa ou ansiosa? Teve um dia ruim e vai ao shopping gastar para se sentir melhor? Não pode ver um anúncio de “PROMOÇÃO” que já corre para a loja e compra, mesmo se a peça de roupa não combina com seu estilo ou você não precisa do produto que é ofertado? Pela internet, então, sente que é mais difícil ainda deixar de comprar?

Renata de Sá Vieira é assim! “Eu tenho crise de ansiedade, aí, quando estou ansiosa ou acontece alguma coisa que me deixa triste, eu quero gastar, começo a comprar e não paro mais”, afirma a agente de Telemarketing.

O problema é que depois ela fica nervosa e passa noites sem dormir, pensando em como vai pagar as contas. Já teve o “nome sujo” e o cartão bloqueado por não quitar as dívidas, e tudo isso gera sempre muitas emoções ruins. Segundo Diogo Ferreira, professor e doutor em Psicologia Econômica e Comportamental do Consumidor, o endividamento é muito prejudicial à saúde mental e pode desencadear vários problemas no futuro. “As pessoas endividadas se descrevem como menos felizes, menos satisfeitas com suas vidas, mais estressadas e com maiores indicadores de ansiedade. O consumo excessivo tem não só consequências práticas e financeiras como também consequências psicológicas a longo prazo, e está ligado à impulsividade”.

Economia Comportamental

A Economia Comportamental é um ramo da Economia que envolve economistas, psicólogos, antropólogos sociais e pesquisadores que estudam o consumo. O objetivo é estudar o ser humano como um todo para explicar por que as pessoas fazem determinadas escolhas na hora da compra e quais os fatores que influenciam a tomada de decisões.

Economia comportamental
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As escolhas podem ser feitas por diversos motivos, como hábitos de vida, influências de outras pessoas e fatores sociais ou psicológicos. O psicólogo israelense Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, divide o pensamento em dois sistemas: um sistema rápido e outro devagar.

O pensamento rápido rege a maioria dos consumidores. “Não se trata de uma decisão individual de várias pessoas. O consumo está intimamente relacionado a fenômenos sociais, a símbolos de status, a consumo de poder, consumo de influência. A partir do momento que você começa a entender que o consumo envolve essas outras facetas, a Economia Comportamental passa a ser uma forma de visualizar o consumo”, explica o doutor em psicologia econômica e comportamental.

Flávia Ávila, professora, mestra em Economia Comportamental e pesquisadora, explica que esses fatores vão além do dinheiro. As pessoas não ponderam se têm a quantia suficiente para gastar, simplesmente gastam sem pensar no endividamento. “Entender um pouco esse comportamento, e alguns padrões detectados pela ciência, ajuda a gente a se precaver.” 

Mude o comportamento impulsivo

Uma dica para não comprar por impulsividade é criar uma lista com perguntas que ajudem você a não gastar. Por exemplo: vou ter dinheiro para pagar? Por que eu quero ter isso? Vou usar o que comprar por mais de um mês?

Economia comportamental
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Outra dica é criar uma regra para os gastos, levando em conta o orçamento mensal para tomar decisões melhores na hora das compras. Ainda segundo a especialista, as pessoas devem colocar uma “punição” para elas mesmas no caso de descumprirem a regra e gastarem o que não estava previsto. “Você se sente muito mais madura e consciente quando faz algo assim; então se sente mais empoderada, o que é muito importante na tomada de decisão”, afirma a economista.

Cuidado com as estratégias de vendas

A palavra “grátis” chama a atenção, parece um benefício, um presente. Muitas vezes, temos a sensação de que, se não comprarmos, perderemos algo. Mas já percebeu que o “compre e leve algo grátis”, muitas vezes, sai mais caro? Ou “compre um produto e leve mais um” sai mais caro também? Você acha que está levando vantagem, mas, na verdade, não precisa do segundo produto, e, no fim das contas, acaba gastando mais. “Se a gente não pega aquilo, parece que está perdendo; a gente considera como nosso. Existe uma aversão à perda, a perder o que não é nem nosso. É muito louco nosso cérebro!”, enfatiza a economista.

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É preciso identificar as armadilhas de vendas. Preços que não são cheios, como 999,99, fazem o produto parecer mais barato, mas não é. Outra tática de vendas é colocar o valor à vista com desconto e embaixo o valor das parcelas, pois, assim, parece que a parcela é referente ao valor com desconto, mas nem sempre é.

Para evitar isso, pesquise os preços e compre com calma. “Evite tomar decisões apressadas. Identifique sites e lojas que trabalham com pressão temporal, ‘oferta limitada’, ‘vai acabar’, ‘tem pouco’… Essa é uma estratégia para colocar você em uma posição de dificuldade para fazer um cálculo mais profundo”, afirma Diogo.

Laís Peçanha é jornalista, repórter e apresentadora de TV. Adora contar boas histórias. Instagram: @laispecanhatv.

3 COMENTÁRIOS

  1. Nossaaaaa amei essa reportagem , reflexão e colocar a cabeça no lugar !!!!

    Ate no evagelho esta nos ensinando uma boa administração do lar ! Eu necessito cada vez mais estar atenta a esse tema ! Amei muito obrigada Lais ! Parabéns pelo empenho e carinho em abordar um tema tamanha importância nos dias atuais … gratidão!

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