Convivendo com o coronavírus: até quando?

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O fim da pandemia depende de como o controle da doença ocorre no plano mundial

Dr. Vitor Last Pintarelli

Até quando vai a pandemia do novo coronavírus? Quando serão suspensas as recomendações de distanciamento social, o uso de máscaras, as restrições a atividades comerciais, esportivas e culturais? Conviveremos para sempre com a ameaça do SARS-COV-2? A vacinação para Covid deverá ser renovada anualmente, como a da gripe?

Responder a estas perguntas, em grande medida, é um exercício especulativo: não há como cravar respostas exatas, apenas estimativas, que, para se concretizar, dependem de muitas variáveis. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pandemia é uma doença que se alastrou em escala mundial, em mais de dois continentes. Prever seu fim é extremamente complexo, pois depende de como o controle da doença ocorre nesse mesmo plano mundial. 

Pandemia
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Abordar essas questões em escala menor, à primeira vista, permitiria trabalhar com dados mais confiáveis; porém, no caso do Brasil, dadas as dimensões e a heterogeneidade do país, isso se torna quase tão difícil quanto considerar o contexto planetário. Por exemplo, para falar no fim da epidemia da Covid-19 em determinado local, entram nessa conta o ritmo de vacinação populacional, o surgimento de novas cepas do coronavírus, a quantidade de novos casos da doença, o grau de ocupação de leitos de enfermaria e de UTI, entre outros aspectos. 

A vacinação no Brasil

No Brasil, a vacinação está avançando, mas de forma irregular em diferentes cidades e regiões. Além do atraso na chegada de doses de imunizantes, o cronograma de vacinação também é prejudicado pelos cidadãos que se recusam a se vacinar, pelos que recebem apenas a primeira dose e não comparecem para a segunda e por aqueles que tentam escolher a marca do imunizante, atrasando voluntariamente a vacinação para quando outra marca estiver sendo aplicada.

As atitudes da população também influenciam na perpetuação da doença, pois o desrespeito às medidas sanitárias aumenta a propagação do vírus e gera novos casos, alguns dos quais graves, que requerem internação hospitalar. Com os hospitais sobrecarregados, especialmente as UTIs, as autoridades adotam medidas restritivas de circulação de pessoas, como toques de recolher, fechamento do comércio, parques, escolas e locais públicos. Além disso, quanto mais prolongada e abrangente for a circulação do vírus, maior o risco de que ele sofra mutações, originando cepas com características novas, que, em tese, podem ser mais contagiosas, mais letais ou mais resistentes à imunidade conferida pelas vacinas existentes.

Combate à doença pelo mundo

Tomando como referência os países onde, até o momento, foram alcançados os melhores resultados no combate à pandemia, e que por isso já flexibilizaram suas medidas sanitárias, o caminho percorrido nesses locais contou com a vacinação completa de elevado percentual da população adulta (acima de 60-70%), ampla testagem e isolamento de casos suspeitos, liberalização gradual de medidas sanitárias, baseada em critérios científicos (e não por pressão política ou econômica) e contínuo monitoramento da circulação do coronavírus, isto é, testagem de casos novos e rastreamento de novas cepas. Ou seja, dependendo de como o cenário epidemiológico evolui, podem ser dados passos para frente ou para trás nas medidas de liberação sanitária. 

E como tudo isso se aplica ao Brasil?

Com muitas adversidades, a vacinação está avançando. Aqui, medidas de distanciamento social e uso de máscaras nunca foram adotadas com o devido rigor por grande parte da população. A ocupação hospitalar permanece elevada, embora não em condições de colapso, na maior parte das grandes cidades. Tudo isso leva a crer que, em nosso país, o cenário epidemiológico está melhorando, mas de forma lenta e preocupante. A Covid tem muita chance de ser uma doença que veio para ficar entre nós por muito tempo e, para preveni-la, a vacinação periódica – possivelmente anual, como a da gripe – deverá ser uma das medidas mais importantes para reduzir o número de casos e evitar a continuação do grau de tragédia vivido em 2020-21.


Dr. Vitor Last Pintarelli é médico geriatra e professor da disciplina de Geriatria da Universidade Federal do Paraná. Autor de artigos científicos e capítulos de livros. É casado e pai de três filhos.

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