Especial 3 Palavras de Francisco para
as famílias: desculpa – episódio 4

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Quem não pede desculpa, não é capaz de perdoar

Por Juliana Borga

Depois de falarmos sobre as palavras “licença” e “obrigado”, chegou a vez de aprendermos sobre a importância do termo “desculpa” dentro do contexto familiar. Ao se referir a esta palavra, o Papa Francisco mencionou a oração do Pai-Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Temos o costume de pedir desculpas por coisas simples, como quando atrapalhamos a visão de alguém ou esbarramos em algo; é o famoso “desculpa aê!”. Mas, quando se trata de algo mais grave, é comum sentirmos dificuldade em pedir perdão. Um pedido de desculpas pode transformar por completo a realidade familiar. “A verdade é que ninguém é obrigado a lidar com as nossas ofensas, sem ouvir ao menos um pedido de desculpas. Temos a ilusão de que, como estamos em família, não há problema em não pedir perdão, mesmo porque demonstraremos de outras formas nosso arrependimento”, afirma o fundador da Comunidade de Aliança Magnificat, escritor, cantor e compositor, padre Reginaldo Carreira.

Pode-se até demonstrar arrependimento através de outros gestos, puxando conversa ou se aproximando da pessoa que ofendemos. Isso tem o seu valor, mas nem sempre é suficiente. Essas atitudes não alcançam a mesma proporção de um pedido de perdão: “Me perdoa”, “Me desculpa”, “Eu errei”. Se for grande a dificuldade de pedir desculpas numa conversa, que tal escrever? O que vale é a manifestação clara e transparente do pedido.

Para aqueles que dizem: “Sou sempre eu quem peço perdão”, padre Reginaldo Carreira orienta: “Não importa, pois, num primeiro momento, é você quem sempre terá paz! Não tem paz quem não é capaz de pedir perdão e de se reconhecer falho. Mas, se você for pedir perdão e sentir que está sendo injustiçado, porque o outro é quem deveria pedir, te convido a pensar da seguinte maneira: o perdão não é concordar com o erro de ninguém! O perdão é admitir que eu preciso de paz. O perdão é uma decisão que nem sempre vai libertar o outro, mas com certeza vai libertar você. Ele não pode depender do reconhecimento do erro do outro, mas tenha certeza de que ele nos faz mais íntimos de Deus e traz paz para nossa vida. Como dizem por aí: ‘Prefiro ter paz do que ter razão’”, declara o padre.

Pedir desculpas é sinal de fortaleza e certeza de crescimento pessoal.

Durante o discurso sobre as três palavras essenciais para as famílias, em maio, na Praça São Pedro, o Papa Francisco reiterou que “estas três palavras são tão simples que até podem nos fazer sorrir, mas, quando as esquecemos, não é muito engraçado”. E acrescentou: “Se não formos capazes de pedir desculpas, não seremos capazes de perdoar. Nas casas onde não se pede desculpas, falta ar e feridas começam a se abrir. Também na vida de casal briga-se muitas vezes, mas o conselho do Papa é sempre o mesmo: nunca terminar o dia sem fazer as pazes, e, para isso, é suficiente um pequeno gesto, pode ser até um carinho, sem palavras…”.

Somos humanos suscetíveis ao erro, e, por isso, precisamos da capacidade de pedir perdão. Somos também fortes e cheios de virtudes, munidos da capacidade de reconhecer erros para superá-los e ser melhor. “Que realmente a gente possa pedir ao Senhor a dose exata de justiça, mas também a dose profunda e muito maior de misericórdia nos nossos relacionamentos, com a capacidade de pedir perdão e de perdoar. O testemunho deste exercício na vida familiar ensina as crianças e promove uma geração capaz de perdoar e de pedir perdão”, finaliza padre Reginaldo Carreira.

Retomando o que o papa disse em seu discurso baseado na exortação apostólica Amoris Laetitia, sobre as três palavras importantes para a vida familiar, ele conclui: “Que o Senhor nos ajude a colocá-las no lugar certo, no nosso coração, em nossas casas e também na convivência civil”, completou o pontífice, convidando as pessoas a repetir com ele as três palavras-chave e a invocação de fazer as pazes com a família antes de dormir.

Vamos fazer o mesmo aqui e agora? Reveja os episódios desta série especial. Assista novamente aos vídeos do padre Reginaldo Carreira e compartilhe com a sua família a importância das três palavras-chave para as famílias: “com licença”, “obrigado” e “desculpa”.

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Helder Camara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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