Jesus cura para restituir a dignidade de
cada pessoa

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23º Domingo do Tempo comum

Evangelho: Mc 7,31-37

Por Mery Elizabeth de Souza 

Amados irmãos e irmãs, graça e paz a vós da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo!

Estamos iniciando um mês muito especial para a Igreja do Brasil, o Mês da Bíblia, que, neste ano, celebra seu jubileu de ouro e nos propõe o estudo da Carta aos Gálatas, com o tema: “Todos vós sois um só em Cristo Jesus” (cf. Gl 3,28d). A unidade em Cristo é o objetivo que a Igreja busca alcançar, por meio da proclamação e da meditação do Evangelho, convidando-nos a participar dessa grande família, na qual somos todos irmãos e filhos de Deus, que é nosso Pai.

Neste 23º Domingo do Tempo Comum, a liturgia nos apresenta o capítulo 7º do Evangelho segundo a comunidade de Marcos, que relata a missão que Jesus está realizando fora da Galileia, um ambiente considerado pagão. Ao relatar a realidade dessa região não habitada por judeus, somos convidados a compreender algo que está nas entrelinhas deste texto, isto é, que a Boa-Nova da salvação anunciada por Jesus se dirige a todas as pessoas, sem distinção.

Jesus se revela como aquele que caminha ao encontro das pessoas, conhece as realidades mais diversas da sociedade do seu tempo, não por ouvir falar, mas por experiência pessoal. É em meio a essas realidades que Jesus realiza curas, que vão além da dimensão física, porque ele restitui a dignidade de cada pessoa em ser filho(a) amado(a) de Deus.

Do isolamento ao diálogo

A realidade apresentada pelo Evangelho deste domingo é uma situação muito complicada, pelo fato de que, no tempo de Jesus, a doença, em geral, significava uma maldição, por vezes um castigo pelo pecado cometido. O doente era considerado impuro e, muitas vezes, vivia uma vida isolada, sendo desprezado pela sociedade. No entanto, o que vemos nesses poucos versículos é que um pequeno grupo de pessoas, movidas pela fé em Jesus, acorre a Ele, pedindo-lhe que impusesse a mão e curasse um surdo-mudo. Diante da fé daquelas pessoas, Jesus não hesita, toma consigo o doente, leva-o a um lugar à parte e toca-o com suas mãos. Logo após, olha para o céu e proclama uma palavra-chave que cura e liberta; trata-se da palavra de origem aramaica Effathá, que significa “Abre-te”. A palavra dá significado aos gestos de Jesus e, assim, o doente pode ouvir e falar perfeitamente.

A cura do surdo-mudo revela a verdadeira redenção que Jesus realiza, restituindo-lhe a saúde física e sua dignidade como pessoa em todas as suas dimensões: humana, social e espiritual, capacitando-o a viver uma justa relação de diálogo, de comunicação com Deus e com aqueles que lhe são próximo. Em Jesus se realizam as palavras do Profeta Isaías, que diz: “… ele que vem para vos salvar” (cf. Is 35,4).

Família: lugar de cura e comunicação

Contemplemos, por alguns instantes, Deus, que se revela na pessoa de Jesus: como outrora, hoje Jesus continua a passar pelos lugares e situações mais diversos de nossa sociedade, mas não passa simplesmente pelas ruas principais. Ele deseja visitar os lugarejos, entrar em cada casa, conhecer, tocar as pessoas que habitam esses lugares. Pensemos: hoje, Jesus deseja visitar também o nosso lar, conhecer nossas famílias e curar nossas enfermidades.

Cristo palavra
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Voltemos ao texto do Evangelho deste domingo! Diante daquele pequeno grupo de pessoas, Jesus cura aquele que não podia ouvir nem falar. A cura realizada é precedida pela fé daquelas pessoas. Jesus não é um “milagreiro” que deseja ser famoso; por isso, suas ações são discretas e, tudo o que faz, faz com perfeição, para que o bem se realize. O objetivo é claro: que Deus seja glorificado e que cada pessoa possa experimentar o amor e a misericórdia do Pai.

Se tivermos fé, se confiarmos verdadeiramente no poder do amor de Cristo, certamente nossas famílias serão curadas. Que as palavras deste Evangelho possam inspirar a nossa vivência como família, fortaleça a nossa fé e nos conduza por um caminho de abertura à presença e à graça de Deus, que nos convida a vivermos o diálogo e a comunhão que gera.

Mery Elizabeth de Souza é irmã paulina, bacharela em Teologia e atualmente prossegue os seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Tem espírito aventureiro, gosta de fazer caminhadas, conhecer lugares diferentes e aprender coisas novas, seja no âmbito intelectual ou religioso, seja no social.

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