Em caminho com o Mestre Jesus

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25º Domingo do Tempo Comum

Evangelho: Mc 9,30-37

Por Mery Elizabeth de Souza

Amados irmãos e irmãs, graça e paz a vós da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo! O Evangelho deste 25º Domingo do Tempo Comum nos apresenta o segundo anúncio da paixão, morte e ressurreição de Jesus, que tem como objetivo revelar e, pedagogicamente, preparar os discípulos não só daquele tempo, mas também de hoje, para viver a dinâmica que caracteriza a vida cristã, isto é, o mistério pascal de Cristo.

A comunidade de Marcos escreveu este Evangelho apresentando-nos Jesus sempre como Mestre que ensina de forma simples e concreta, ao longo do caminho cotidiano da vida. Marcos deixa transparecer o quanto é difícil compreender a proposta de Jesus; afinal, em vez de um trono, Jesus está revelando que o seu destino é a cruz. 

Enquanto passou por este mundo fazendo o bem, Jesus se preocupou em anunciar a Boa-Nova do Reino, no qual todos são irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai, onde não há lugar para dominados e dominadores, explorados e exploradores. Já a preocupação dos discípulos é totalmente contrária; discutem durante todo o caminho sobre quem seria o primeiro e mais importante entre eles.

Lugares de experiência, de partilha e crescimento

Percorrendo um longo caminho, Jesus e seus discípulos chegam a Cafarnaum. No versículo 33, duas palavras importantes aparecem: caminho e casa. Podemos aqui compreender simbolicamente que o caminho representa esse lugar no qual acontecem as diversas situações da vida, nem sempre bem compreendidas imediatamente, mas que, à luz da fé, se tornam oportunidade,  e a casa como espaço de recolhimento onde se reflete, se afrontam as experiências do cotidiano, não somente na dimensão pessoal, como também familiar.

Caminho pascal
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Mais adiante, o versículo 34 nos apresenta um contraste entre o ensinamento de Jesus sobre a sua paixão, morte e ressurreição e a discussão dos discípulos sobre quem seria o maior entre eles, com o desfecho que revela o Reino de Deus como lugar de serviço e de acolhida de todos, e também daqueles que não são considerados pela sociedade, como as crianças, por exemplo.

Atento a essa situação, Jesus a afronta, chamando seus discípulos para o diálogo. Assim diz o texto: “Jesus sentou-se, chamou os doze e lhes disse” (9,35). É interessante notar que, naquele momento, os doze já estavam perto de Jesus; afinal, estavam todos dentro da mesma casa que, provavelmente, não dispunha de grande espaço. Mas parece que a proximidade era apenas física, pois os discursos andavam em direções contrárias: enquanto os discípulos se preocupavam em saber quem seria o primeiro e o maior entre eles, Jesus apresenta o que pode ser considerado o “código da autoridade cristã”, ao dizer: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” (9,35). 

Aprender de todos

Diante daquele contexto de disputa, Jesus surpreende a todos demonstrando uma nova concepção, segundo a qual a criança não é somente objeto de educação por parte dos adultos, como também sujeito que tem uma mensagem preciosa para comunicar àqueles que são superiores. A criança representa a total disponibilidade e o abandono sem cálculos ou interesses. Trata-se de uma chave que ensina aos discípulos, de ontem e de hoje, a viverem essa atitude de doação total, que constitui a dignidade genuína do ser discípulo.

A dificuldade vivida pelos discípulos se aproxima da realidade vivida por muitos pais e responsáveis de família, ao depararem-se com situações não esperadas, pela incompreensão e resistência de alguns membros, gerando grande cansaço e indiferença. Mas é necessário perseverar na certeza de que toda e qualquer realidade ruim pode ser transformada em uma oportunidade para construir uma nova realidade, assim como nos mostra Jesus.

Peçamos ao Senhor a graça de amar o serviço, de estarmos abertos para aprender sempre e com todas as pessoas de nosso ambiente familiar; que não nos preocupemos em obter reconhecimentos e prestígios, mas que nossa disponibilidade seja sempre precedida pelo reconhecimento do grande amor que recebemos de Deus.

Mery Elizabeth de Souza é irmã paulina, bacharela em Teologia e atualmente prossegue os seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Tem espírito aventureiro, gosta de fazer caminhadas, conhecer lugares diferentes e aprender coisas novas, seja no âmbito intelectual ou religioso, seja no social.

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