Compromisso e missão dos padrinhos de batismo

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Está nas mãos dos padrinhos o cultivo da fé dos afilhados e a condução ao verdadeiro sentido da vida em Deus

Por Maria Vanderlane de Araújo

Certa vez, participei de uma Celebração do Batismo e o padre, no diálogo com a assembleia reunida, pediu aos padrinhos que acendessem uma vela no Círio Pascal e, em seguida, perguntou: “O que vocês estão enxergando?”. Eles responderam: “luz”. Depois, o padre pediu para aproximarem a mão diante da chama da vela e lançou outra pergunta: “O que estão sentindo?”. Responderam: “Calor, aquecimento”. 

Então, o padre refletiu que a missão dos padrinhos é ser luz para tornar clara a caminhada de fé dos afilhados e calor para aquecer e os envolver amorosamente toda vez que for necessário. Esse fato ilustra muito bem a missão dos padrinhos. Antes de tudo, os padrinhos são chamados a ser e a dar testemunho do seguimento de Jesus Cristo.

Quando os pais escolhem alguém para ser padrinho ou madrinha do seu filho, geralmente há uma receptividade alegre e festiva por quem é convidado. Os padrinhos pensam logo no presente que darão ao afilhado. Alguns escolhem símbolos cristãos, outros optam por presentes diversos, sem relação nenhuma com o rito a ser celebrado e vivido no decorrer da vida.

No entanto, a ideia de dar um presente é para que seja uma lembrança marcante da presença concreta e material dos padrinhos. O Papa Francisco, em uma de suas falas, afirma que “o melhor presente que podemos dar a alguém é a Fé”. A fé é um dom de Deus. Recebemos a fé gratuitamente de Deus, por sua pura bondade e ternura. No entanto, essa fé precisa ser cultivada e educada. Nas mãos dos pais e padrinhos está o cultivo e o cuidado precioso da fé dos afilhados, e, acima de tudo, uma responsabilidade que lhes fora confiada e assumida perante a Igreja. 

Formação cristã

Por isso, é importante escolher padrinhos que testemunhem a fé professada. Atualmente, muitas pessoas que são convidadas a ser padrinhos têm pouca formação cristã, não participam da comunidade e nem sempre vivem os ensinamentos de Cristo. A Igreja, nos últimos anos, vem priorizando e ressaltando como urgência a Iniciação à Vida Cristã de adultos, justamente para que esses fiéis, maduros na sua fé, tenham mais clareza da sua missão e sejam testemunhas autênticas dos valores cristãos. 

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No início do cristianismo, no tempo de preparação para os novos cristãos, chamado de catecumenato, a pessoa não poderia ser admitida ao batismo sem a presença de um padrinho. O padrinho deveria ser escolhido dentre os membros da comunidade, ser adulto na fé e zelar pela perseverança na fé e na vida cristã do afilhado. Era um dever do padrinho ensiná-lo a praticar o Evangelho em sua vida particular e social, auxiliá-lo nas dúvidas e inquietações, dar-lhe testemunho cristão e velar pelo progresso de sua vida batismal. Para que o batizado mantenha-se fiel às promessas do batismo, é fundamental o auxílio constante do padrinho. 

Nobre e valiosa missão

Através do sacramento do batismo, os padrinhos se comprometem e se colocam à disposição para colaborar com os pais na missão de educar os filhos na fé cristã, na observação dos mandamentos e na vivência na comunidade como seguidores de Cristo. Uma missão que exige dos padrinhos um processo contínuo de conversão e de adesão à mensagem de Cristo. 

Ao assumir essa preciosa missão, os padrinhos devem conduzir os afilhados ao verdadeiro sentido da vida em Deus. Não basta apenas participar de uma linda celebração ritual, preparar uma reunião festiva com os familiares e guardar fotos memoráveis desse dia. É necessário orientar os afilhados para os valores cristãos, tão urgentes nos dias atuais. No batismo, os batizandos nascem para uma vida nova e se revestem do Cristo. E o Rito para o Batismo ressalta que os padrinhos devem ajudar os afilhados, com suas palavras e exemplo, a conservar a dignidade de filhos e filhas de Deus, até a vida eterna. 

Condições para ser padrinho

Segundo o Código de Direito Canônico, nn. 872-874, admite-se:

  • pessoa que acompanhe o batizando na iniciação cristã e cumpra com fidelidade as obrigações inerentes;
  • um só padrinho ou uma só madrinha, ou um casal de padrinhos;
  • ter no mínimo 16 anos;
  • ser batizado, ter recebido a Primeira Eucaristia, a Crisma, e estar em comunhão com a Igreja Católica;
  • caso não tenha recebido a Primeira Eucaristia e a Crisma, a pessoa pode ser aceita como testemunha de batismo. No entanto, deve-se colocar, ao menos, uma pessoa que contemple os requisitos exigidos pela Igreja.
  • não ser pai ou mãe do batizando.

Atitudes que devem ser assumidas pelos padrinhos:

  1. Ser presente na vida do afilhado;
  2. Ser testemunha dos ensinamentos de Cristo;
  3. Colaborar com os pais na educação da fé cristã;
  4. Celebrar, com os afilhados, datas importantes: aniversário, data do batismo, datas litúrgicas (Natal, Páscoa…); 
  5. Rezar pelo afilhado;
  6. Acompanhar o afilhado em todos os momentos da vida;
  7. Ajudá-lo a fazer discernimentos que dão sentido à vida. 

Maria Vanderlane de Araújo é religiosa, pertence à congregação das Irmãs Paulinas. Peregrina da fé. Gosta de estar com os catequistas e aprender com eles a vivência da fé cristã.

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