Outubro Rosa: amor para além do peito

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Com o objetivo de estimular o diagnóstico precoce e o tratamento contra o câncer de mama, campanha contribui para salvar milhares de vidas todos os anos

Por Sara Gomes

Anualmente, Maria Cardoso dos Santos, de 68 anos, realiza uma bateria de exames, e foi assim que ela descobriu, em 2019, que estava com câncer de mama. O susto, acompanhado de uma grande coragem, fez com que Maria iniciasse uma luta que também faz parte da vida de inúmeras mulheres.

Para se ter uma ideia, no ano em que Maria teve a doença identificada, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) tinha estimado que, no Brasil, haveria cerca de 59.700 novos casos, número que representa a incidência de 51,29 casos a cada 100 mil mulheres. “No ano anterior eu havia realizado a mamografia e estava tudo certo. Porém, quando repeti o exame no ano seguinte, a médica me pediu para procurar um mastologista para apurar o resultado. Fiz a biopsia e foi confirmado um câncer muito perigoso”, conta.

O fato de ter descoberto a doença logo no início foi muito importante para o tratamento de Maria, que seguiu com quimioterapia e radioterapia. “O meu nódulo não foi palpável. Se não fossem os exames de rotina, eu não teria descoberto logo. Ainda sigo em tratamento, tomando medicamentos, sendo um que termina no ano que vem e outro que segue até 2023”, diz.

Esse olhar voltado para o diagnóstico precoce tem salvado milhares de vidas e, por isso, é intensificado durante a campanha anual “Outubro Rosa”. O movimento surgiu no início da década de 1990, quando, em Nova York, foi promovida a primeira Corrida pela Cura. Porém, apenas em 1997 foram realizadas atividades com o objetivo de conscientizar e prevenir a doença, sendo escolhido o mês de outubro como o ponto alto das ações. No Brasil, as iniciativas sobre o câncer de mama acontecem desde 2002, mas somente em 16 de novembro de 2018 foram instituídas pela Lei nº 13.733.

câncer de mama
Freepik.com / Jcomp

Além de compartilhar informações e conscientizar a população, o Outubro Rosa visa proporcionar mais acesso das mulheres aos serviços de diagnóstico, bem como aos tratamentos necessários para a redução da mortalidade. De acordo com a médica mastologista Dra. Anna Paola Noya Gatto, ao ser identificada em estágio inicial, a doença tem 95% de chances de cura. “O câncer de mama ocupa a primeira posição mais frequente de câncer em todas as regiões brasileiras, por isso, é muito importante a rotina de consultas médicas e dos exames de imagem anualmente”, assevera.

Você sabe o que é o câncer de mama?

Conforme informações disponíveis no site oficial do INCA, a doença é causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Além de mulheres, a enfermidade também pode acometer homens, embora os casos sejam raros, correspondendo a cerca de 1%.

Geralmente, o câncer de mama é identificado a partir de alguns sinais: nódulo, fixo e indolor, sendo perceptível pela própria mulher, através do autoexame; pele da mama avermelhada, retraída ou similar a uma casca de laranja; alterações no mamilo (bico do peito); nódulos nas axilas ou no pescoço e líquido anormal vazando pelos mamilos. “O tratamento varia de acordo com o estágio da doença, suas características biológicas, bem como com as condições da paciente (idade, status menopausal, comorbidades e preferências), e é feito por meio de uma ou várias modalidades combinadas. O médico especializado escolhe o tratamento mais adequado de acordo com a localização, o tipo do câncer e a extensão da doença”, afirma a Dra. Ana Paola, que explica, ainda, que as modalidades de tratamento podem ser: local, que consiste em cirurgia e radioterapia, além de reconstrução mamária; e sistêmica, com quimioterapia, hormonoterapia e terapia biológica.

Um pouco mais de cuidado

Com a gravidade da doença, que leva à morte milhares de pessoas todos os anos, você pode estar se perguntando como, além dos exames de rotina, é possível preveni-la. Segundo o INCA, a prevenção pode acontecer com a adoção de hábitos saudáveis, a exemplo de praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e, para as mamães, amamentar os bebês pelo maior tempo possível. Além disso, não fumar e evitar o tabagismo passivo também contribuem para a prevenção.

câncer de mama
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Embora não tenha descoberto a doença durante a campanha Outubro Rosa, Maria sabe muito bem a importância de ficar atenta aos primeiros sinais, que, no caso dela, não foram perceptíveis. “O check-up é fundamental e nós precisamos estar sempre atentas, fazer exames, apalpar as mamas com frequência. Essa doença é muito grave e todos os cuidados, por mais exagerados que possam parecer, ainda são poucos nesse caminho de prevenção”, alerta.

De acordo com a Dra. Ana Paola, o hábito de cuidar do próprio corpo deve fazer parte da rotina das mulheres. “Apesar desse momento de pandemia que estamos vivendo, é muito importante a retomada das consultas médicas e dos exames de imagem, seguindo todos os protocolos de segurança que o momento exige”, disse.

Você sabia que o câncer de mama possui alguns fatores que potencializam a possibilidade de desenvolvimento da doença? São eles:

Fatores ambientais e comportamentaisFatores da história reprodutivaFatores genéticos e hereditários
Obesidade e sobrepesoPrimeira menstruação antes dos 12 anosHistória familiar de câncer de ovário
Inatividade físicaNão ter tido filhosCasos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos
Consumo de bebida alcoólicaPrimeira gravidez após os 30 anosHistória de câncer familiar em homens
Exposição frequente a radiações ionizantes para tratamento (radioterapia) ou exames diagnósticos (tomografia, Raios-X, mamografia etc.)Parar de menstruar (menopausa) após os 55 anosAlteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2
Tabagismo – há evidências sugestivas de aumento de riscoUso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona)Ter feito reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos

*Informações disponíveis em inca.gov.br

Sara Gomes é jornalista e possui especialização em Jornalismo e Convergência Midiática. Gosta de estar com a família, com os amigos e na igreja. A leitura e a escrita fazem parte do seu dia a dia e a ajudam a refletir sobre as mais diversas maneiras de enxergar o mundo.

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