Como entreter as crianças em filas, salas
de espera e longas viagens?

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Aprenda brincadeiras para encarar os momentos de espera e manter as crianças longe das telas

Por Juliana Borga

Se para nós, adultos, não é nada agradável enfrentar filas de banco, salas de espera e longas viagens, imagine como é para as crianças! Quem nunca ouviu – algumas dezenas de vezes –, durante uma viagem, o filho perguntando: “Tá chegando?”. O recurso mais fácil para essas situações é dar o celular para distrair os pequenos.

Mas a proposta, aqui, é ensinar brincadeiras criativas para encarar os momentos de espera e manter as crianças longe das telas. Basta vasculhar a memória dos tempos em que éramos crianças e recordar o que fazíamos nessas situações: brincar de pedra, papel e tesoura, guerra de polegar, apostar qual será a cor do próximo carro a passar na rua são alguns exemplos. “É importante que o primeiro recurso de ocupação do tempo livre não sejam os dispositivos eletrônicos. Deve-se estimular a criatividade da criança, colocar músicas no carro, observar as nuvens e paisagens, fazer desafios numéricos, de letra, cor ou formas. Mover a vontade da criança para a ocupação do tempo livre de forma criativa e saudável é um exercício que nós pais precisamos realizar, pois isso aumenta o repertório lúdico e desenvolve na criança o gosto pela atividade mental, além de colaborar com a manifestação das emoções e o cultivo da alegria frente aos diversos momentos de imprevisto”, explica Luciana Queiroz, brinquedista e coordenadora do núcleo da ABBri (Associação Brasileira de Brinquedotecas) em Belo Horizonte (MG).

Brincadeiras em família

Brincadeiras
Roberta e Família. Foto: Arquivo Pessoal

Roberta Trevelato e Luis Ricardo Pinto são pais da Catterina, 10 anos, e da Carolina, 6 anos. Sempre que viaja de carro, a família monta uma playlist com as músicas que estão curtindo no momento e resgatam uma brincadeira que Roberta aprendeu com sua mãe: “Cada um escolhe uma cor de carro, estipulamos um tempo e vamos contando até que o prazo termine e se revele o ganhador. Outra atividade é um continuar a história que o outro começou. Ao longo do caminho, também vou chamando a atenção para a paisagem que estamos tendo a oportunidade de apreciar! Atualmente, para as situações de espera, elas carregam seus livros preferidos, as duas leram muitas obras no último ano”, conta orgulhosa.

Brincar em família é uma oportunidade de conhecimento, troca e desenvolvimento mútuo. Por meio das brincadeiras, as pessoas são estimuladas a situações de convivência, aprendem sobre respeito, regras e limites, estabelecem novas amizades e lidam com desafios e frustrações. “Costumo dizer que brincar é a segunda coisa mais importante do mundo, a primeira são as crianças! Partindo desse pressuposto, percebe-se que o brincar, ainda mais em família, deveria ser considerado prioridade em todos os lares. Famílias que brincam resolvem problemas de maneira mais saudável, criam hábitos de vida mais ativos e prazerosos e conseguem lidar com problemas de forma mais positiva”, afirma o pedagogo, professor de Educação Física e colaborador da IPA Brasil (Associação Brasileira pelo Direito de Brincar) Alan Queiroz da Costa.

Movimento é saúde

Ao mesmo tempo que a tecnologia facilita diversas tarefas do dia a dia, quando usada de maneira inadequada, pode diminuir a quantidade das atividades de movimento, como passear pela vizinhança, correr no quintal, dançar e pular. Incentivar o hábito do livre brincar é essencial para a saúde das crianças, neste contexto em que o brincar em frente às telas ganha cada vez mais espaço. “O corpo da criança é o seu maior brinquedo, e dar liberdade de movimento às crianças é desemparedar da sala de TV e do quarto de videogame. Proponha ao seu filho ir a pé com você à padaria, dar uma volta no quarteirão de casa, e juntos observem o movimento das pessoas, as paisagens, os sons. Precisamos incentivar as crianças a colocar o corpo em movimento para criar hábitos saudáveis e que favoreçam o pleno desenvolvimento infantil”, finaliza Luciana Queiroz.

Xô, tédio!

Além das brincadeiras já mencionadas, sugerimos mais quatro atividades que costumam entreter as crianças por algum tempo. Experimente!

 • Mímica
 Um jogo de adivinhação que exige imaginação e habilidade corporal. Quando se está em família e se joga com mais pessoas, é possível formar dois times. É legal criar temas, como nomes de filmes, personalidades, cantores.
 • Qual é a música?
 Alguém pensa em uma palavra, como “amor”, e os outros devem cantar uma música com a palavra mencionada. É bem possível que as crianças tentem nos enganar, inventando letras e melodias na hora, o que só aumenta a diversão.
 • Fui à feira
 Essa brincadeira é um verdadeiro teste de memória. Alguém começa dizendo “fui à feira comprar... banana!”, por exemplo. A outra deve dar sequência às compras, sem deixar escapar o item anterior: “fui à feira comprar banana e abacate”. A brincadeira acaba quando alguém quebra a sequência, aí começa uma nova rodada. 
 • Stop
 Nome, cidade ou país, comida, cor, animal, “minha sogra é”. Quem disse que só é possível jogar usando papel e caneta? Basta combinar uma letra para jogar e escolher uma categoria por vez. Se for, por exemplo, animal, cada um deverá falar um animal cujo nome inicia com essa letra, até esgotar as possibilidades. Passa-se, então, sucessivamente, às categorias seguintes, acumulando pontos. 

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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