O que Deus uniu, o homem não separe!

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27º Domingo do Tempo Comum

Evangelho: Marcos 10,2-16

Por Pe. Guilherme Schmidt

Amadas famílias! A Palavra nos reúne para fortalecer nossa comunhão dentro do lar, na vivência da fé e na abertura aos valores do céu! Ao iniciarmos o mês de outubro, dedicado às missões, somos chamados a renovar a nossa vocação ao amor como famílias missionárias que buscam edificar o Reino de Deus pelo testemunho da fé.

No evangelho de hoje, os fariseus colocam Jesus à prova com a questão do divórcio permitido por Moisés, obtendo como resposta que isso se deve à dureza do coração humano e não condiz com os planos de Deus desde a criação. Jesus recorda que o ser humano não deve separar aquilo que Deus uniu. Em outro momento, as crianças trazidas até Cristo são repreendidas pelos discípulos, favorecendo uma oportuna catequese sobre o Reino de Deus, que será dado aos que se fazem como crianças.

Que nossos lares sejam lugares de acolhida e carinho aos pequenos e que em nossas comunidades de fé resgatemos o valor e a dignidade do matrimônio e da família como sinais do céu aqui na terra! 

Superar a dureza do coração

O nosso coração pulsa na mesma batida do coração de Deus, ou está endurecido e frio?

amor
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A Palavra nos recorda a realidade do divórcio, tão presente em nossos dias. Aqui não cabem julgamentos e, menos ainda, hipocrisia, pois cada um sabe das suas batalhas interiores e dos seus esforços para tentar se manter firme em uma relação que muitas vezes não vai bem. Deus conhece o coração de cada um e não se pode negar que muitas vezes o divórcio é inevitável para sanar relacionamentos abusivos e opressivos.

Jesus nos recorda o dom do amor que une homem e mulher para serem uma só carne e a dureza do coração que levou ao caminho da separação. Há muitos casamentos marcados pela dor da indiferença, do esgotamento emocional, da frieza, da agressividade e violência nas palavras e atitudes. Quem mais sofre nessas circunstâncias são as mulheres e as crianças, e, para proteger a sua vida e saúde física, psicológica e espiritual, afastar-se do agressor se torna a solução mais favorável.

Como famílias cristãs, que acreditam no amor e na graça sacramental do matrimônio, somos chamados a viver em nossos lares à imagem do amor de Deus, que cuida, protege, cura e fortalece. Não pode existir amor em um ambiente onde há quem machuque e quem seja violentado e ferido em sua dignidade.

Que nossas famílias sejam sinais do verdadeiro amor, ajudando as famílias que sofrem a superar toda a dureza do coração para que o divórcio não seja a única solução e haja conversão e mudança no modo de ser e agir dentro de cada lar!

Em família, receber o Reino de Deus

Fazer-se como crianças! Eis o grande apelo para todos nós!

Quando Cristo abraça e abençoa os pequeninos, Ele nos recorda a nossa pequenez e condição de filhos e filhas amados que somos. É preciso sempre recordar que a autossuficiência e a arrogância não nos levam muito longe. Coloquemo-nos todos no colo de Deus! Deixemos que Ele cuide das nossas feridas, dos nossos medos, dos nossos cansaços! Sintamos o seu abraço a nos resgatar e revigorar!

São significativos estes gestos de Jesus para vencermos a dureza do coração e recebermos o Reino de Deus em família! No abraço de Cristo às crianças, Ele nos convida a também cultivarmos essa atitude em nosso lar. Vamos nos abraçar mais, sentir o coração do outro próximo do nosso. Vamos redescobrir a alegria da troca de carinho entre esposos, pais e filhos! Um abraço tem poder curativo para os machucados da alma!

No gesto de abençoar as crianças, Jesus nos inspira a sermos canais da bênção de Deus na vida uns dos outros. Vamos redescobrir a graça da oração em família e fazer a bela experiência de abençoarmos uns aos outros. Que os esposos abençoem um ao outro e os pais abençoem seus filhos, marcando-os com o sinal da Santa Cruz.

São pequenos gestos que podem fazer a diferença em nosso modo de ser família e se tornar um grande testemunho de fé e esperança para o nosso mundo machucado e sedento de amor!

Deus abençoe as nossas famílias!

Padre Guilherme Schmidt é pároco da Paróquia São Patrício, em Itaqui (RS). Graduado em Filosofia e Teologia, pós-graduado em Bioética e Pastoral da Saúde e em Mediação e Acompanhamento Pastoral de Famílias. Gosta de chimarrão, de ler e de escrever como forma de estar em paz e de expressar seus sentimentos.

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