Alegria e esperança para crianças, adolescentes e jovens

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Instituição completa 40 anos de atuação, transformando vidas a serviço da Igreja em parceria com o poder público e a sociedade. Saiba como ajudar.

Texto: Juliana Borga

O dia amanheceu ensolarado na capital paulista, e o compromisso era logo cedo: visitar a sede administrativa da Ages (Associação Civil Gaudium et Spes), uma organização não governamental sem fins lucrativos que atende crianças, adolescentes e famílias em situação de abandono, violência e risco social e pessoal. A recepção não poderia ter sido mais acolhedora: café, bolo e um representante de cada área da instituição já estavam a postos aguardando o início do nosso bate-papo.

O responsável por reunir essa galera foi o padre Messias de Moraes Ferreira, presidente da instituição. Tratamos logo de arrumar as cadeiras no quintal para contemplar as plantas do jardim e o céu azul, nos apresentamos e o que rolou nesta conversa eu apresento agora, aqui nesta matéria.

A Ages nasceu vinculada à Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo, tendo como referências de atuação os princípios do Evangelho, as diretrizes e os documentos da Igreja Católica, a doutrina de proteção integral circunscrita na Constituição Brasileira, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei Orgânica da Assistência Social, com seus valores éticos e humanitários. O nome Gaudium et Spes significa alegria e esperança, denominação de um documento do Concílio Vaticano II, que estabelece a forma de presença da Igreja Católica no mundo.

Gil, Cassilda, Bruno, Rose, Renata, Luciana, além do padre Messias, compunham a nossa roda de conversa. Assistentes sociais, pedagoga, psicóloga, advogado, filósofo… uma turma que há muitos anos encara as dificuldades de gerenciar as alegrias e os inúmeros desafios para manter as onze unidades que compõem a Ages. São creches, casas-abrigo, repúblicas jovens e serviço de medidas socioeducativas. São muitas faixas etárias, do bebê ao jovem adulto, cada uma com suas necessidades e especificidades, mas os objetivos são comuns: o atendimento e a proteção especial da construção e da conquista da cidadania de crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade social. A Ages incentiva a vivência da solidariedade, o resgate da dignidade pessoal e a emancipação de indivíduos, de modo a melhorar as condições de vida e do território em que estão inseridos. “A partir do pressuposto pedagógico do protagonismo pessoal e social, buscamos valorizar a autonomia, o compromisso e a responsabilidade, bem como influir na formulação de políticas públicas e sociais. Estamos aqui para fazer o bem, sempre somando forças. É um trabalho muito sério e transparente”, explica padre Messias.

É festa!

Depois de fundar o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, na região episcopal Belém, zona leste da cidade de São Paulo, dom Luciano Mendes de Almeida e dom Alfredo Ernest Novak, bispos auxiliares da Arquidiocese de São Paulo entre os anos 80 e 90, levaram a ideia para a região episcopal Lapa, zona oeste da cidade.

A Ages começa com uma casa de acolhida, e os projetos vão se expandindo. “No começo havia muito apoio dos padres e, com o passar do tempo, aconteceram as parcerias com a prefeitura. Com a vinda do Estatuto da Criança e do Adolescente e dos movimentos de meninos e meninas em situação de rua, isso vai se formando na Lapa e em todas as regiões da cidade. Aqui a preocupação era com os meninos que circulavam em torno da linha do trem”, recorda Gil Inácio Valério de Almeida, coordenador pedagógico da instituição e da Pastoral do Menor na região episcopal Lapa.

Fazendo as contas, fica fácil descobrir que este ano é especial para a instituição: a Ages completa 40 anos de atuação, transformando vidas a serviço da Igreja em parceria com o poder público e com a sociedade. “Este é um momento especial, de olhar para trás e agradecer por tantas graças e bênçãos. Começamos cuidando dos pequenos jornaleiros, crianças que viviam em torno da linha do trem e do mercado da Lapa, e, ao longo dos anos, fomos expandindo nossas unidades por essa região da cidade. É um trabalho que foi crescendo e acompanhando as mudanças da sociedade. Muitos jovens conseguiram emprego e constituíram família. São 40 anos de parceria com o poder público, com as paróquias e com a sociedade. Quero fortalecer nossos vínculos e melhorar ainda mais nossos serviços, quero olhar para o futuro com esperança, está no nosso nome, queremos levar alegria e esperança para crianças, jovens e suas famílias”, afirma padre Messias.

Na prática

Para entender como, na prática, a Ages segue cuidando há tanto tempo de crianças, adolescentes e jovens, nada melhor do que ouvir aqueles que estão na linha de frente desse trabalho. Em comum eles têm a missão de humanizar as pessoas e recuperar a identidade pessoal de cada um. Pude testemunhar o orgulho em seus olhos, a paixão e o prazer em exercer seu ofício. Eles não estão ali apenas para prestar um bom serviço; eles querem melhorar as políticas públicas, mudar paradigmas em benefício das crianças e suas famílias. Confira!

“Suprimos todas as necessidades das crianças e adolescentes enquanto estiverem morando conosco. Eles chegam até nós por motivos de maus-tratos, negligência ou abandono, mas em paralelo trabalhamos a questão do acolhimento com as famílias. Temos convênio com a Secretaria de Assistência Social, mas sem a Ages não é possível manter essa estrutura. As crianças vêm via Conselho Tutelar ou Vara da Infância. A gente não fecha nunca! Trabalhamos todos os dias do ano. Trabalhamos para que eles voltem para suas famílias ou sejam adotados; quando isso não acontece, daqui eles vão para a República Jovem” – Renata Cristina Borges, gerente do Saica Nossa Senhora Auxiliadora. 
“Gerencio a República Jovem da Lapa; são duas casas, a feminina e a masculina, e acolhemos jovens de 18 a 21 anos que vêm dos abrigos (Saicas), são encaminhados pela Fundação Casa ou porque estão em situação de rua. Todos sofrem com a falta de vínculo familiar ou são bem fragilizados. Prezamos pela sua autonomia e protagonismo, temos que encaminhar para o mercado de trabalho, damos formação, cursos e acompanhamento psicológico. Esbarramos na questão da idade, eles já são considerados adultos, são maiores de idade, por isso é difícil contar com o apoio de projetos ou verbas públicas para eles” – Rosilene Cristina Graças, gerente do Serviço República Jovem.
“Temos cinco creches onde mais de 700 crianças são atendidas diariamente. É uma dança com os números todo mês para conseguir manter nossas estruturas funcionando. Seguimos o modelo de atendimento específico para todas as organizações, mas nossos diferenciais são muitos, sem falar da empregabilidade: hoje temos 238 funcionários, então imagine quantas pessoas dependem do trabalho que realizamos aqui! O apoio pedagógico constante, a garantia de direitos, a realização de campanhas e o empréstimo de nossos espaços para ações em benefício das comunidades que estão à nossa volta fazem com que sejamos bem conceituados na região. A Ages é reconhecida por sua respeitabilidade”Luciana Castilho, diretora da CEI Jardim Íris.

“Temos duas casas de Medida Socioeducativa, uma na Lapa (com 45 adolescentes) e outra em Pirituba (com 90 adolescentes). Lidamos com adolescentes (dos 12 aos 17 anos) e jovens (dos 18 aos 21 anos) que por algum motivo cometeram um ato infracional. A maioria esteve ou está na Fundação Casa. Somos responsáveis pelo acompanhamento e cumprimento das medidas: liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade. Para entender esse adolescente, temos que avaliar a geografia em que ele está. Queremos ressocializá-los e garantir seus direitos para que vivam com dignidade. Por que ele não está na escola? Precisa fazer um curso profissionalizante? Restauramos os vínculos familiares e contamos com uma rede de apoio socioassistencial: Conselho Tutelar, Creas, Cras, UBS e Capes. Somos um lugar de passagem, um local de recuperação, um pontapé para um futuro melhor” Brunno Nascimento Castro, gerente do Serviço de Medida Socioeducativa Lapa.

Tem uma mística que norteia todo trabalho da Ages, é um trabalho público e privado, mas é essencialmente um trabalho cristão, o trabalho de uma opção pastoral, com todos os contrastes e dificuldades que temos. A busca pela defesa do direito é fundamental em todos os serviços, e o papel pedagógico é garantir que os serviços vivam os princípios da pastoral do menor, e não apenas em relação às crianças, mas estes princípios também valem para nossos educadores, são agentes e trabalhadores que devem ter um olhar diferente, e estamos aqui para ajudá-los, para mantê-los ativos e com saúde. Não é um mar de rosas, estamos a todo momento trabalhando com o drama humano, com violência policial, doméstica. O nosso método é o do pastor que cuida, que ouve, acolhe e ajuda”Gil Inácio Valério de Almeida, coordenador pedagógico da Ages.

Como doar?

Há várias maneiras de se unir a esta turma e colaborar com o trabalho da Ages. A instituição aceita doações de leite, alimentos, roupas e móveis. Outra maneira de ajudar é cadastrando a instituição no sistema da Nota Fiscal Paulista.

Acesse o site Nota Fiscal Paulista (https://portal.fazenda.sp.gov.br/servicos/nfp) e faça seu cadastro; em seguida, escolha a Ages como a entidade para a qual os créditos serão doados. Em todas as compras que você realizar, basta informar o seu CPF para que seja contabilizada sua doação.

Caso você não tenha informado o seu CPF, ainda é possível fazer a doação. Basta ter a nota fiscal em mãos, baixar no seu celular o aplicativo da NFP do governo de SP e escanear o QR Code selecionando a Ages.

Qualquer dúvida, entre em contato:

AGES – Associação Civil Gaudium et Spes | CNPJ 50.059.070/0001-93

Telefone: (11) 3836-8631 | e-mail: [email protected]

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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