O Dia de Ação de Graças

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Reconhecer, agradecer: a atitude de ação de graças se dá sempre em momentos nos quais a pessoa sente-se beneficiada por algo

Por Mery Elizabeth de Souza

Vamos juntos percorrer um breve percurso para sabermos mais sobre a origem do Dia de Ação de Graças. Trata-se de um dia celebrativo, seja no ambiente social, seja no religioso, com festas públicas e familiares.

O Dia de Ação de Graças teve origem nos Estados Unidos, onde se estima que tenha sido celebrado pela primeira vez na última quinta-feira do mês de novembro de 1620, na região nordeste do país, nomeada Nova Inglaterra. Promovida pelos cristãos em agradecimento pelas boas colheitas realizadas durante o ano, a festa se tornou conhecida e hoje é também celebrada nas Ilhas do Caribe e no Canadá, onde sua origem tem uma história particular.

No Brasil, não se sabe bem ao certo quando o Dia de Ação de Graças começou a ser celebrado, mas é conhecido que, por sugestão do embaixador Joaquim Nabuco, no dia 17 de agosto de 1949, por meio da Lei 781 promulgada, foi instituído o Dia Nacional de Ação de Graças pelo então presidente Gaspar Dutra. Posteriormente, com a Lei 5.110, se estabeleceu que a comemoração se daria na quarta quinta-feira do mês de novembro.

Entre os sinônimos que encontramos da palavra “gratidão”, temos as palavras “reconhecimento” e “agradecimento”. A atitude de ação de graças se dá sempre em momentos nos quais a pessoa sente-se beneficiada por algo, e isso pode se dar nos mais diferentes contextos, ou seja, em situações simples do cotidiano e em momentos cruciais da vida. Não se pode medir nem padronizar o que venha a ser mais ou menos importante, mas o que se pode especificar é o sentimento que surge espontaneamente, que não é outro senão aquele de GRATIDÃO.

O fato é que, infelizmente, assim como outras palavras do vocabulário da língua portuguesa, também esta corre o risco de perder o seu real sentido, quando seu uso torna-se banal, um modismo, uma técnica, desconexa da realidade da vida, para alcançar algum nível de bem-estar.

Sabedoria para agradecer

A literatura bíblica apresenta um livro que, por excelência, é composto de hinos: o livro dos Salmos. A palavra “salmo” provém do termo hebraico sefer tehîllîm (livro do louvor). Os salmos podem ser considerados Palavra de Deus à pessoa humana e palavra da humanidade a Deus. Há uma relação muito peculiar nesses textos, pelas emoções que os cercam. Neles, o povo de Israel se expressa com seu canto e sua música, se dirigindo a Deus desde seus mais variados sentimentos. Os salmos de ação de graças, como, por exemplo: Sl 18; 21; 30; 33; 34; 40; 65-68; 92; 116; 118; 124; 129; 138; 144, cantam a realidade do povo de Israel que louva a Deus, reconhecendo sua presença e providência até mesmo em meio ao sofrimento, à injustiça. O canto do povo israelita nos convida a uma postura de gratidão em nossa vida, de forma que em tudo saibamos agradecer (cf. 1Ts 5,18).

Ressignificar e agradecer

Com nossa rotina afetada diretamente pela pandemia da Covid-19, nem sempre nos sentimos encorajados a uma atitude de gratidão. Quantas perdas vivemos e presenciamos durante todo esse tempo! A pandemia trouxe à tona de forma muito dura muitos problemas sociais aos quais, em muitas situações, fechamos os olhos. Somam-se a eles os problemas pessoais e familiares, que também precisam de atenção. Crises se instauraram, valores foram deturpados, a comunicação foi comprometida com tantas ideias divergentes… O salmista nos diz: “Como poderíamos cantar cantos de alegria quando é hora de chorar?” (Sl 137,4), demonstrando toda sua indignação diante de um momento difícil vivido por seu povo. Em nosso contexto, o convite é para uma ressignificação desse sentimento: não podemos encobrir a injustiça, não podemos ficar de outro lado que não seja o da verdade, não podemos nos perder em ideias deturpadas. É hora de estarmos esperançosamente inquietos, conscientes de tudo que ocorre em nosso meio e gratos por cada detalhe que nos faça acreditar no bem.

Ação de graças
Pexels.com/Askar Abayev

Com o salmista podemos dizer:

“Ó rei, meu Deus, quero te exaltar;

quero bendizer teu nome, para sempre e eternamente.

Todo dia quero te bendizer;

quero louvar teu nome para sempre e eternamente.

Grande é o Senhor e muito louvável;

sua grandeza é insondável”.

(Sl 145,1-3, A Bíblia, Paulinas).

Mery Elizabeth de Souza é irmã paulina, bacharela em Teologia e atualmente prossegue os seus estudos na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Tem espírito aventureiro, gosta de fazer caminhadas, conhecer lugares diferentes e aprender coisas novas, seja no âmbito intelectual ou religioso, seja no social.

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