50 anos da TV em cores no Brasil

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Acompanhe a evolução do universo televisivo neste período e prepare-se para mais novidades

 Por Juliana Borga

50 anos da TV
Elmo Francfort, mestre em Teledramaturgia. Foto: Arquivo Pessoal.

Há cinquenta anos a primeira transmissão de um programa em cores da TV acontecia no Brasil. Foi em 19 de fevereiro de 1972 que a Rede Globo transmitiu, com imagens da TV Difusora de Porto Alegre, cenas coloridas a 12ª Festa da Uva de Caxias do Sul (RS), com narração do locutor Cid Moreira e presença do então Presidente General Emílio Garrastazu Médici.

Cerca de um mês mais tarde, em 31 de março, as emissoras nacionais começaram a transmitir seus programas através do sistema PAL-M. O surgimento das transmissões coloridas trouxe mais emoção e realismo ao telespectador. No entanto, nem todos os programas exibidos eram com imagens coloridas devido ao alto custo dos equipamentos. Em 1973, foi a vez das novelas ganharem cores. O clássico “O Bem Amado” fez história na teledramaturgia também por ser a primeira novela transmitida em cores. Já em 1974 todos puderam assistir aos jogos da Copa do Mundo de Futebol inteiramente em cores, o evento acelerou a venda de aparelhos de TV no Brasil. Três anos mais tarde, em 1977, os conteúdos em preto e branco deixaram por completo a televisão brasileira.

Mas do sistema PAL-M para cá muita coisa mudou. Assistimos ao surgimento de novas tecnologias, novos comportamentos e novas maneiras de consumir o que a TV transmite. “O barateamento do aparelho de TV, mudanças nas formas de transmissão, produção e distribuição dos conteúdos, formação de redes, satélites, o UHF, a TV paga, a internet e o streaming são algumas modificações importantes”, aponta o radialista e jornalista, mestre em Teledramaturgia, pesquisador de TV e diretor do Museu da TV, Rádio & Cinema, Elmo Francfort.

50 anos de TV
Claudia Franco, assistente de vendas. Foto: Arquivo Pessoal.

Produções televisivas

Quem foi criança entre os anos 70 e 80 pode confirmar: apesar dos poucos canais em comparação aos dias de hoje, os programas marcaram época e alcançavam uma audiência massiva. Sobre a evolução das produções televisivas, Elmo Francfort destaca programas como “Fantástico”, “O Bem Amado”, “Pantanal”, “Documento Especial”, “Perdidos na Noite”, “Xou da Xuxa”, “Big Brother Brasil”, “TV Mix”, “Os Dez Mandamentos”, “Castelo Rá-tim-bum” e “Pânico na TV”. “E muitos mais. Temos que destacar as novas emissoras que surgiram de lá pra cá, como SBT, Manchete, MTV Brasil, Rede TV! e uma infinidade de canais. Todos tem sua devida importância, com milhares de horas de produções envolvidas, além de um capital humano que é de dar inveja. O Brasil tem na televisão uma verdadeira indústria”, afirma.

Mas e hoje, quem assiste à TV? O antigo comportamento de reunir a família em volta da TV atualmente vem acompanhado também do celular – presente na mão de cada um. “Não lembro qual foi a última vez que liguei a TV. E nem por isso deixei de saber das notícias e do que acontece no mundo. Não assistir TV me deu muito mais tempo livre para fazer coisas que eu amo como estar com a família e ler um livro. Hoje acesso o YouTube com frequência e lá consigo me atualizar de tudo que acontece”, relata a assistente de vendas Claudia Franco, de 42 anos.

Fusão entre TV e Internet

A quantidade de pessoas que assistem a vídeos pela internet aumenta consideravelmente a cada dia. Uma pesquisa de 2019 feita pelo YouTube, Meio&Mensagem e Provokers aponta que o percentual de brasileiros que vê vídeos na internet (42% da população) já supera os que assistem TV a cabo (37%). Existe uma preferência em pagar para assistir vídeos na internet do que um pacote da TV paga.

50 anos de TV
Pexels/Cottonbro

A fusão entre TV e internet mudou comportamentos, mesmo assim vemos que estamos lidando com tecnologias complementares. “Muita gente profetizou que a chegada da TV mataria o rádio e não foi o que aconteceu. O foco não está apenas na distribuição, mas na qualidade do conteúdo. Na pandemia a audiência, até da TV aberta cresceu consideravelmente, pois o conteúdo televisivo, quando feito com qualidade, honra sua escola e tradição. Hoje o conteúdo produzido em massa, industrialmente, chamado de televisivo, pode ser distribuído por outras mídias de forma fragmentada e complementar, o que reforça sua importância e serve de esteio para o consumo dentro de uma programação ou isoladamente, por meio da internet ou streamings. Hoje os canais são chamados de “players”, pois funcionam como aplicativos na distribuição em multiplataformas”, explica Elmo Francfort.

Com a chegada da TV 3.0 mais mudanças são previstas. O novo sistema deve trazer melhorias como som imersivo de alta qualidade, imagem de altíssima resolução, conteúdo segmentado por regiões e uma grande novidade: a integração entre TV aberta e internet. A previsão é que esta nova tecnologia estreie em 2024.

Do preto e branco ao colorido, do sinal analógico para o digital… seguimos acompanhando a evolução do universo da TV no Brasil: as tecnologias envolvidas, a qualidade das produções nacionais e as mudanças no interesse e no comportamento dos telespectadores. Que venha a TV 3.0! Venha somar e tornar essa experiência ainda melhor nessa longa relação que cultivamos com a TV aberta, o meio mais acessível de informação e entretenimento dos brasileiros.

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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